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"Vão enforcar-me." Putin receia ser morto se não capturar o Donbass e prepara-se para escalar a guerra

Segundo avança revista Economist, Putin teme que falhanço total da invasão possa levar à sua morte: "Czar vai nu." Presidente russo deverá escalar guerra e enviar mais homens para a linha da frente.

José Carlos Duarte
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O Presidente da Rússia, Vladimir Putin, receia ser morto, caso não consiga atingir o objetivo mínimo de capturar o Donbass, avança este domingo a revista The Economist, que consultou fontes familiarizadas com o assunto.

Segundo explica a revista, Vladimir Putin opera segundo a lógica do regime russo — em que não há tolerância para falhanços geopolíticos da dimensão de uma invasão totalmente falhada. Assim, caso não atinja o objetivo mínimo de capturar as províncias de Donetsk e Lugansk, na Ucrânia, o líder russo teme pela própria vida. “Eles vão enforcar-me”, terá dito a alguns dos seus aliados numa reunião.

Entre as elites russas, reina atualmente a apreensão. Os grandes oligarcas da Rússia sentem que já foi desperdiçado demasiado tempo na “operação militar especial” — que começou em fevereiro de 2022 e não parece ter fim à vista. Existe mesmo a perceção de que o “czar vai nu”, referiu um membro da elite ouvido pela revista britânica.

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Por causa destas perceções, e ciente de que a sua vida poderá estar em risco, Vladimir Putin está a preparar-se para escalar a guerra na Ucrânia.

Fontes do Kremlin consultadas pela The Economist indicam que, após ter refletido durante o verão, Vladimir Putin terá tomado a decisão de aumentar a intensidade do conflito na Ucrânia. E este terá sido um dos motivos que levou o diretor da CIA, John Ratcliffe, a Moscovo, durante a semana passada.

Ao mesmo tempo, a Rússia também deverá intensificar a guerra híbrida contra os países europeus. Por agora, está fora de questão um conflito direto com a NATO, segundo a avaliação de várias secretas ocidentais citadas pela mesma revista.

Os serviços de informações ocidentais alertam para o risco crescente de a Rússia tentar atacar, na Europa, fábricas que produzem armamento destinado à Ucrânia. Já no início de agosto, foi detetado um drone carregado de explosivos no aeroporto alemão de Leipzig — que funciona como um importante centro logístico da ajuda militar de Berlim a Kiev.

Segundo a Economist, dentro da Rússia, Vladimir Putin pode aumentar os esforços de mobilização e recrutar mais 300 a 400 mil homens para território ucraniano. Desde o início da guerra na Ucrânia, os esforços de recrutamento nunca terminaram, mas o Presidente russo poderá aumentá-los. Isso poderá, no entanto, não ser suficiente para atingir o objetivo de conquistar o Donbass.

Em paralelo, Vladimir Putin também deverá aumentar a repressão aos “inimigos internos” da Rússia, de forma a demonstrar a força interna.