A PSP identificou 21 pessoas e deteve outras duas durante uma grande operação, realizada no sábado, para a “identificação e detenção de presumíveis autores de crimes na zona da Movida”, na baixa do Porto, anunciou esta segunda-feira o Comando Metropolitano da PSP. A atuação de “grande visibilidade” surge depois de terem sido noticiados vários episódios de violência nas zonas mais frequentadas dos bares da noite.
Além dos dois suspeitos detidos (de 40 e 61 anos) e das 21 pessoas identificadas, foram constituídos sete arguidos e apreendidas 170 doses de canábis. Os polícias apreenderam, ainda, uma “quantidade significativa de produto suspeito de ser estupefaciente“, mas os testes a essa alegada droga foram inconclusivos.
A operação surge na sequência do trabalho de investigação desenvolvido pela PSP relativamente a diversas ocorrências criminais registadas naquela zona da cidade, algumas das quais assumiram recentemente elevada mediatização nos órgãos de comunicação social, quando alguns indivíduos conotados com a prática de crimes relacionados com a venda de estupefacientes agrediram um grupo de cidadãos de nacionalidade alemã, gerando natural preocupação junto da população e reforçando a necessidade de uma resposta policial firme, direcionada e articulada”, refere o comunicado do Comando Metropolitano do Porto.
O tema da segurança na cidade, especialmente na zona dos bares e discotecas, voltou a ganhar destaque após a noite de 15 de agosto, marcada por dois episódios violentos. Segundo avançou na altura o Jornal de Notícias, um grupo espancou seis turistas na zona das Galerias e, mais tarde, já de madrugada, dois seguranças foram atacados com um copo partido.
Com a operação agora realizada foi possível à polícia encontrar “suspeitos relacionados” com esse “episódio de agressões” que teve como vítimas o grupo de turistas de nacionalidade alemã. Os suspeitos foram identificados e constituídos arguidos, estando agora sujeitos à medida de coação de Termo de Identidade e Residência. Já os dois detidos, também presentes à autoridade judiciária competente, estão agora obrigados a apresentarem-se semanalmente e bissemanalmente à polícia.
“A zona da Baixa do Porto, em particular os espaços associados à diversão noturna, constitui uma área de especial atenção para o Comando Metropolitano do Porto, face à elevada concentração de pessoas e à dinâmica própria destes locais. A operação insere-se numa estratégia de intervenção direcionada sobre fenómenos criminais concretos, com o objetivo de identificar os responsáveis, consolidar prova e prevenir a repetição de comportamentos ilícitos. O Comando Metropolitano da PSP do Porto manterá uma atuação firme e direcionada perante comportamentos suscetíveis de comprometer a segurança e tranquilidade dos cidadãos, reforçando a presença policial e a capacidade de resposta na zona da Movida. A operação realizada demonstra, uma vez mais, a capacidade da PSP para articular investigação e intervenção operacional, direcionando os recursos policiais para os fenómenos criminais que mais afetam o sentimento de segurança da população”, acrescenta a PSP.
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Pedro Duarte pediu autorização à PSP para contratar polícias em regimes gratificados
O tema não tem passado ao lado das intervenções públicas do presidente da Câmara Municipal do Porto, que na semana passada voltou a pedir uma resposta firme e rápida do Estado, para impedir a evolução da violência para cenários mais graves. “Nós temos de matar este problema à origem. Quando começamos a ter pequenos focos, ou os primeiros focos de instabilidade e de violência, nós temos que rapidamente responder e temos de mostrar que quem manda na cidade não são os delinquentes, quem manda na cidade são as autoridades”, disse.
Apesar de reconhecer que no Porto não existe “um problema de violência particularmente grave”, Pedro Duarte lembrou que o avolumar de situações pode levar à criação de “organizações quase espontâneas” de cidadãos para defesa própria, por “acharem que não estão a ser protegidos pelas autoridades”. “Isto é inaceitável, é inadmissível. E é precisamente esta a minha grande batalha, é tentar sensibilizar as autoridades policiais, judiciais e governamentais, para que todos percebam que nós temos de matar este problema à origem“.
“[Os portuenses] têm o direito de poder viver o espaço público com tranquilidade. É inaceitável e inadmissível que haja grupos organizados – que ainda por cima estão identificados – e que perturbam essa ordem pública e não haja uma resposta das autoridades. Isto é o falhanço do Estado, não pode acontecer”, disse também o autarca à Lusa.
Recentemente, em entrevista à SIC Notícias, anunciou ter enviado um documento à Direção Nacional da PSP para a Câmara Municipal do Porto passar a poder contratar polícias que seriam colocados em permanência na zona da movida. “Hoje [19 de agosto] mesmo assinei um documento a pedir à Direção Nacional da PSP para a Câmara Municipal do Porto poder contratar polícias para termos em permanência naquela zona da cidade [na Rua de Cândido dos Reis] sempre polícias, designadamente durante a noite”.
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Autarca promete plano contra a insegurança até ao final do ano. Criminalidade aumentou 10,9% no Porto
Os dados provisórios revelados pela Direção Nacional da PSP à agência Lusa vieram dar razão ao autarca. De acordo com esses números, a criminalidade geral aumentou 10,9% este ano na área do Comando Metropolitano do Porto, face ao mesmo período do ano passado. Já a criminalidade violenta e grave diminuiu 8,4%. Os crimes detetados pela proatividade policial (no âmbito da atividade diária da PSP) representaram um aumento de 17,5%.
Em reação a estes números, Pedro Duarte elogiou o “trabalho muito sério” da PSP e da Polícia Municipal com o objetivo de “gradualmente alterar” esta realidade, muito relacionada “com o tráfico de droga”. O autarca revelou ainda que pretende “concretizar mais para o final do ano” o plano para combater a “disseminação da pequena criminalidade“, com a PSP e a Polícia Municipal, criticando o “centralismo sufocante”.
“O aumento da criminalidade geral no Porto é quatro vezes superior ao de Lisboa [aumentou 2,9%]. (…) Espero que o poder central, que tem tido como critério único de que novos recrutamentos para a Polícia de Segurança Pública fiquem em Lisboa – há décadas que é assim, vão todos para Lisboa -, perceba que o país não é Lisboa, o país é muito mais do que Lisboa. Portanto, com este intuito de nós percebermos que se o centralismo sufocante deste país nos der um bocadinho de espaço para respirarmos, o Porto vai encontrar respostas para resolver os seus problemas”, disse, citado pela Lusa.
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“Tive uma reunião com o próprio primeiro-ministro em maio, em que delineámos uma estratégia, um plano. Aqui na cidade, temos trabalhado de forma muito intensa, quer com a PSP, quer com a Polícia Municipal, para também operacionalizarmos um plano de intervenção no terreno, que está a começar a ter os primeiros sinais, que vai intensificar-se agora em setembro e se vai concretizar mais para o final do ano, quando tivermos, também, mais efetivos policiais”.
Pedro Duarte referiu ainda que “em certo sentido” o plano já está em vigor. “Quem vive na cidade, se calhar, já percebeu que a presença policial é agora muito superior”. “A intervenção junto de áreas onde o tráfico de droga é mais intenso e onde situações de consumo na rua também são evidentes. (…) Temos tido já uma intervenção muito ativa e vamos continuar a intensificá-la, de uma forma que, por razões de segurança, não podemos antecipar nem divulgar excessivamente”, acrescentou.