(c) 2023 am|dev

(A) :: Paquistão avança com processos criminais a oito funcionários de hospital após incêndio que matou 14 recém-nascidos em Islamabade

Paquistão avança com processos criminais a oito funcionários de hospital após incêndio que matou 14 recém-nascidos em Islamabade

Funcionários, que incluem diretor executivo do hospital, foram suspensos de funções. Governo paquistanês anunciou indemnização de cerca de 15 mil euros por cada família que perdeu um bebé.

Margarida Vieira dos Santos
text

O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, ordenou a suspensão de oito funcionários e a abertura de processos criminais e disciplinares contra estes, depois de uma investigação preliminar os ter apontado como responsáveis por falhas de segurança relacionadas com o incêndio que matou 14 recém-nascidos num hospital de Islamabade.

A decisão foi tomada após uma comissão de inquérito ter apresentado um relatório sobre o incêndio ocorrido no Instituto de Ciências Médicas do Paquistão (PIMS), relatou a CNN. Segundo o documento, a maternidade onde deflagrou o fogo não dispunha de alarme de incêndio nem de sistema de chuveiros automáticos, e o hospital não tinha procedimentos e formação adequada para lidar com incêndios e outras situações de emergência.

https://observador.pt/2026/08/26/pelo-menos-15-recem-nascidos-morreram-em-incendio-num-hospital-em-islamabade-no-paquistao/

O diretor executivo do hospital, dois diretores executivos adjuntos, o chefe do departamento neonatal, o diretor-adjunto de segurança da unidade, o responsável pelos serviços de emergência, assim como dois médicos estão entre os oito funcionários do hospital identificados pela comissão.

Entretanto, Shehbaz Sharif — que demitiu o ministro da Saúde, Aslam Ghauri, após o incidente — aprovou medidas contra a empresa responsável pela segurança do hospital e os seus funcionários e anunciou uma indemnização de 5 milhões de rupias (cerca de 15 mil euros) para cada família que perdeu um bebé.

O primeiro-ministro do Paquistão aprovou ainda uma recomendação para que uma enfermeira do hospital, que arriscou a própria vida para salvar um bebé, recebesse uma condecoração estatal que reconhece os serviços prestados à comunidade.

Quando o incêndio deflagrou, não havia funcionários de supervisão de serviço, e os serviços de emergência só foram acionados seis minutos depois do início do fogo. Os primeiros socorristas chegaram 15 minutos após a chamada, segundo um comunicado do Governo.

De acordo com a BBC, o incêndio propagou-se rapidamente pelo edifício devido às canalizações de oxigénio. Vários dos bebés que morreram encontravam-se em incubadoras ou recebiam ventilação com oxigénio. Apenas um dos 15 recém-nascidos conseguiu ser resgatado a tempo, enquanto os restantes 14 morreram.

As mortes dos recém-nascidos, segundo a CNN, levou as autoridades paquistanesas a reforçar a fiscalização das condições de segurança nos hospitais. Em Punjab, a província mais populosa do país, foi ordenada uma revisão urgente dos equipamentos e sistemas de resposta a incêndios.