Aquela tosse ligeira ao telefone pode enganar o chefe, mas não engana as estatísticas. Quando se trata de inventar uma maleita para não ir trabalhar, a Geração Z ganha aos colegas mais velhos, de 55 ou mais anos, com quase o dobro da probabilidade de faltar ao trabalho por uma doença… que não existe.
De acordo com uma sondagem online realizada junto de 2.123 pessoas pela Merlin Strategy para o think tank de centro-direita Centre for Social Justice (CSJ), citada pela imprensa britânica, 82% dos trabalhadores com menos de 25 anos admitiram ter faltado pelo menos um dia no último ano por motivos de saúde sem estarem verdadeiramente doentes. No grupo etário dos trabalhadores com idades entre os 55 e os 64 anos, essa percentagem cai para 43%.
O fosso entre gerações é, também, evidente nas ausências prolongadas: 39% dos jovens relataram ter faltado pelo menos cinco dias no último ano mesmo quando poderiam fazer teletrabalho — um cenário admitido por apenas um em cada dez profissionais mais velhos (10%).
Depois, há as diferenças nos pretextos apresentados. Quase quatro em cada cinco jovens (perto de 80%) apontaram o facto de estarem “muito cansados” como justificação para faltarem, contra 40% na faixa dos 55 aos 64 anos. A par disso, 77% dos inquiridos da Geração Z mencionaram o esgotamento profissional (burnout) ou a necessidade de uma pausa para a saúde mental, em comparação com 45% dos colegas mais velhos.
As justificações passam ainda pela vida social: 52% dos jovens invocaram uma noite mal dormida (face a 12% nos mais velhos) ou uma ressaca (contra 19% nos mais velhos). Além disso, mais de metade dos inquiridos abaixo dos 25 anos confessou ter faltado por motivo de “doença” para comparecer a entrevistas de emprego ou desempenhar outros trabalhos, e cerca de 49% admitiram ter inventado sintomas apenas para evitar tarefas indesejadas (algo que apenas 15% dos mais velhos assumiram fazer).
Curiosamente, estas conclusões contrastam com os dados oficiais do Gabinete Nacional de Estatísticas do Reino Unido (ONS), cujo estudo publicado este ano aponta que as taxas globais de absentismo por doença continuam, na realidade, a ser mais elevadas entre os adultos mais velhos do que entre os jovens com menos de 25 anos. Mas podem ser doenças reais — ou os mais velhos simplesmente não admitiram a verdade na sondagem da Merlin Strategy.