No regresso às aparições públicas após um mês de ausência, Pedro Sánchez saiu em defesa de Rabat e afastou qualquer responsabilidade do país vizinho na vaga migratória que levou mais de 70 mil pessoas a cruzar a fronteira de Ceuta a 30 de julho. Questionado sobre como foi possível a entrada de tantos migrantes em apenas dois dias no enclave espanhol, Sánchez apontou o dedo a uma campanha orquestrada nas plataformas digitais, sustentando que “uma decisão do Supremo Tribunal foi deturpada e disseminada nas redes sociais por meio de boatos de desinformação, inclusivamente propagados por organizações criminosas”. Quais? Redes com origem em Telavive, Rússia e organizações de extrema-direita, garante.
Pedro Sánchez considerou que Espanha e a UE sofreram um “ataque híbrido” que usou a imigração e defendeu que a Europa deve e tem de ser sempre solidária, “em Lampedusa, na Gronelândia, em Ceuta ou nas Canárias”, e lamentou as críticas e reações ao ocorrido em Ceuta de governos como o de Itália ou Dinamarca.
Em entrevista à rádio Cadena Ser, o chefe do Executivo espanhol sublinhou a importância estratégica da relação entre Madrid e Rabat: “Sem cooperação, esta crise não se resolve; pelo contrário, agravar-se-ia”, avisou, vincando que a “falta de confiança” apenas deterioraria o cenário. O governante adiantou, ainda, que “não há qualquer informação proveniente de nenhum serviço de informações que suscite dúvidas quanto ao envolvimento das autoridades marroquinas”.
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Pedro Sánchez afirmou ainda que os “boatos” divulgados partiam de “uma decisão do Supremo Tribunal foi deturpada e disseminada nas redes sociais por meio de boatos de desinformação, inclusivamente propagados por organizações criminosas”.
Sánchez foi mais longe a identificar o que diz ser a verdadeira origem desta investida, associando-a a Moscovo, a Telavive e a setores radicais: “Havia redes russas e israelitas que espalharam esses boatos e atacaram o Governo espanhol e os europeus numa questão corrosiva como a imigração irregular, que divide e polariza muitas sociedades europeias”, explicou, denunciando ainda a ação de “um grupo internacional de extrema-direita que usa sempre a migração não só para atacar a Espanha, mas também a Europa e dividi-la”.
Confrontado com eventuais falhas nos alertas dos serviços secretos, o chefe do Governo espanhol fez questão de elogiar os operacionais das secretas, mas garantiu que a dimensão do episódio apanhou todos de surpresa. Embora o organismo tenha transmitido dados de monitorização de rotina, Sánchez frisou que “não havia informações que refletissem a gravidade e a magnitude” do fluxo migratório de 30 e 31 de julho. “O CNI partilhou relatórios de situação, mas não havia informações que alertassem para a seriedade da crise.”
“A realidade com que nos deparamos não significa que tenha de ser obra de um agente estatal“, frisou Sánchez. “Infelizmente, não temos um conhecimento completo do que aconteceu e continuamos a investigar, mas o Governo tem de trabalhar com base em certezas”, referiu ainda.
Das dezenas de milhares de pessoas que entraram ilegalmente em Ceuta no final de julho, 5.000 permanecem na cidade e 1.200 são menores de idade, disse ainda Pedro Sánchez, que assegurou que previsivelmente a maioria será devolvida a Marrocos por não reunir as condições para ter asilo.
Já no plano político interno, Sánchez aproveitou para afastar cenários de eleições antecipadas e confirmou a intenção de ser novamente o candidato do PSOE nas eleições gerais de 2027, remetendo a decisão final para os órgãos do partido.
Em resposta, o ministro dos Negócios Estrangeiros de Israel acusou Pedro Sánchez de “mentir descaradamente”. “Na entrevista que concedeu hoje [segunda-feira] à Cadena Ser, mentiu novamente, acusando, de forma espantosa, Israel de divulgar informação enganosa sobre os acontecimentos em Ceuta”, escreveu no X.
“Continuar a espalhar mentiras difamatórias não irá desviar a atenção do vergonhoso fracasso de Sánchez na gestão dos assuntos do seu país”, concluiu Gideon Sa’ar.
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(Notícia atualizada às 14h30 com a reação do chefe da diplomacia israelita)