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Clínica de fertilidade em Cascais declara insolvência e deixa pacientes no limbo

Cinco dias separam o último vídeo no Instagram e a sentença de insolvência. As doentes, a maioria britânicas, ficaram sem respostas sobre tratamentos e com embriões transferidos para outra clínica.

Mariana Furtado
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A clínica de fertilidade Ovom Care, em Cascais, declarou insolvência e fechou portas, deixando no limbo várias pacientes — na sua maioria de nacionalidade britânica — com tratamentos em curso. Apanhadas de surpresa na passada sexta-feira à noite com o anúncio da falência, as mulheres enfrentam agora a ausência total de esclarecimentos por parte da administração, revelou o Diário de Notícias este domingo.

Muitas destas pacientes recorreram aos serviços em Portugal devido aos preços praticados no país, consideravelmente mais baixos do que no Reino Unido — onde estes tratamentos chegam a custar cerca do triplo, compensando os gastos com viagens e alojamento. A angariação de pacientes fazia-se sobretudo através do Instagram, onde a clínica garantia dispor da “tecnologia mais avançada da Europa” e apresentava mensagens como: “E se só pagasse o preço total pela fertilização in vitro se funcionar?”.

Cinco dias depois de ter publicado um vídeo promocional na página de Instagram, a 20 de agosto, o Juiz 3 do Tribunal Judicial da Comarca de Lisboa Oeste proferiu a sentença de declaração de insolvência da “Ovomcareportugal Unipessoal”.

Uma folha A4 com a decisão judicial acabou afixada na porta das instalações de Cascais, de acordo com o DN, confirmando que a gestão e a liquidação foram entregues a um gestor de insolvências e fixando um prazo de 30 dias para a reclamação de créditos. E seria só dois dias depois da sentença do tribunal, a 27 de agosto, que o Conselho Nacional de Procriação Medicamente Assistida (CNPMA), o órgão regulador desta área médica, viria a ser informado da falência, como revela ao DN o professor catedrático de obstetrícia e ginecologia Carlos Calhaz Jorge.

Até ao momento, as pacientes continuam sem um esclarecimento. De acordo com o DN, os contactos telefónicos da empresa não são atendidos, não há resposta aos emails e não existem informações de Lynae Brayboy, a atual gestora da Ovom. Este domingo, algumas pacientes receberam uma mensagem na aplicação da Ovom a informar que os embriões e gâmetas serão transferidos para outra clínica em Lisboa, a Ava, sem que tenha sido dada qualquer justificação para o procedimento.