Paulo Portas, que foi vice-primeiro-ministro de Passos Coelho, diz não entender, do ponto de vista económico, a reentrada do Estado na REN com 13,7%, ainda que admita que do ponto de vista geopolítico “revela talento”.
No seu comentário habitual aos domingos na TVI, Paulo Portas, comentando o anúncio de que a Parpública vai comprar 13,7% da REN, declara que “do ponto de vista geopolítico revela talento. É difícil fazer uma operação que deixe chineses, americanos e europeus contentes, ainda que por razões diferentes e até por vezes por razões contraditórias”.
Os chineses gostam de ter relações Estado a Estado. Os norte-americanos por considerarem que assim se vigia melhor os chineses. E os europeus devido à mudança em Bruxelas do clima em relação aos investimentos chineses. Por isso, “do ponto de vista geopolítico percebo”. Mas, acrescentou, “do ponto de vista económico não consigo ficar convencido das vantagens”.
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“Não tenho a certeza que o Estado consiga fazer com 13,7% o que poderia fazer, sem tanta despesa, pelo regulador ou pela legislação. A REN é um monopólio natural absoluto. Não me parece que tenha influência no preço da energia”, declarou, ainda que acredite que esta pode não ser a única compra de ações da REN que o Estado pode vir a fazer. Para ter influência, diz, precisa de ter pelo menos 30%, e depois poderão levantar-se dúvidas sobre a obrigatoriedade de lançar OPA (Oferta Pública de Aquisição). A legislação determina um limiar de 33% para o lançamento de uma OPA.
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Paulo Portas ainda foi mais longe: “Não acredito no Estado como gestor. A privatização foi melhor que a situação anterior”. “Tenho receio que se volte ao tempo do chamado IPE [foi uma holding pública com participações que chegaram a ser questionadas] e os gestores comecem por ser profissionais e acabem por ser de uma cor política”.
A última fase de privatização da REN aconteceu no Governo de Passos Coelho, no qual Paulo Portas participou, e no qual se opôs por exemplo à privatização da Caixa Geral de Depósitos. Disso lembrou também na TVI. “Opus-me à privatização da Caixa, e estou absolutamente convencido que tinha razão, senão a esta altura a Caixa era espanhola”.