A política de José Mourinho desde que regressou ao Real Madrid tem passado pela lisonja. Elogiou os reforços, garantiu que tudo ficou sanado com Vinícius depois do caso com Prestianni, rendeu-se a Mbappé — e a verdade é que este último capítulo, a ideia de que é fã absoluto do jogador francês, tem sido um assunto presente em praticamente todas as conferências de imprensa.
Nos últimos dias, na antecâmara da receção deste domingo ao Málaga, o treinador português foi questionado sobre a Bola de Ouro — e o facto de os grandes favoritos, nesta altura, serem os campeões europeus do PSG e os campeões mundiais de Espanha. Para Mourinho, porém, o eleito não tem de jogar em França nem ser espanhol. Até porque Mbappé joga em Espanha e é francês.
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“É um prémio muito bonito individualmente. Há uma dúzia de jogadores a um nível muito, muito, muito alto. E nós temos três ou quatro aqui. Mas para mim a Bola de Ouro tem de ser para aqueles jogadores que, quando se retiram, fazem com que sintamos a falta deles para sempre. E eu sinto a falta de Maradona, Ronaldinho, Ronaldo, Cristiano Ronaldo, Messi, Zizou, Matthäus… Não podes dar a Bola de Ouro a alguém porque ganhou a Liga dos Campeões ou o Mundial. Se queres premiar a Liga dos Campeões dá a Bola de Ouro ao Luis Enrique. Se for para Espanha de certeza que o De la Fuente merece. Outra coisa é o melhor do mundo, que não tem de ser do PSG nem de Espanha. São dois, três ou quatro jogadores e sabemos quem são, sabemos onde estão: aqui. Sabemos quem fez história a nível individual este verão. Não vamos inventar na seleção espanhola ou no PSG, a dúvida é entre Luis Enrique ou De la Fuente. Quanto ao jogador… É outro”, atirou, recordando o facto de Mbappé se ter tornado o melhor marcador da história do Campeonato do Mundo.
Ora, neste contexto e depois de duas vitórias nas duas primeiras jornadas da La Liga, José Mourinho fazia algumas alterações para a receção ao Málaga e lançava Marc Cucurella e Rüdiger na defesa, com Eduardo Camavinga ao invés de Bernardo no meio-campo e Brahim Díaz, e não Arda Güler, no apoio ao ataque. Do outro lado, numa equipa que ainda não tinha vencido esta temporada, Juan Francisco Funes tinha Chupete e Carlos Dotor no setor mais adiantado.
Numa primeira parte que se foi tornando progressivamente mais de sentido único, Jude Bellingham inaugurou o marcador ainda dentro dos 20 minutos iniciais através de um lance individual em que deixou vários adversários para trás antes de rematar cruzado na área (19′). Os merengues aumentaram a vantagem pouco depois, na sequência de um cabeceamento também de Bellingham que Alfonso Herrero acabou por desviar para a própria baliza (26′), e Mbappé fez o terceiro à passagem da meia-hora com um pontapé de primeira após cruzamento de Alexander-Arnold (30′). Ao intervalo, o Real Madrid estava a vencer tranquilamente o Málaga no Bernabéu.
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Juan Francisco Funes mexeu no início da segunda parte para trocar Rafa por Pablo Martínez, mas a lógica manteve-se. Mbappé poderia ter bisado logo nos primeiros instantes com um remate que Alfonso Herrero defendeu (48′), Bellingham acertou no poste pouco depois (56′) e Alexander-Arnold, logo a seguir, atirou cruzado para o guarda-redes defender novamente (57′). Funes fez mais duas substituições e José Mourinho, já depois de Juan Cruz ter o primeiro esboço de perigo do Málaga com um pontapé por cima (64′), tirou Brahim Díaz para lançar Yan Diomande.
O jogo foi ficando substancialmente mais calmo, com os merengues a manterem o controlo com bola e o Málaga a explorar essencialmente a transição rápida. Mourinho tirou Fede Valverde para colocar Bernardo já dentro do último quarto de hora e Arda Güler, instantes depois de entrar, ainda carimbou a goleada nos descontos com assistência de Vinícius (90+1′). O Real Madrid venceu o Málaga no Bernabéu, somou a terceira vitória consecutiva e prolongou o início de época aparentemente perfeito — muito à boleia de Jude Bellingham, que mostrou a José Mourinho que também pode ser candidato à Bola de Ouro que aparentemente não tem favoritos.
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