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Fact Check. Fotografia mostra autor do atropelamento de 16 pessoas em Albufeira?

Publicações partilham imagem de um homem negro a segurar um cartão do cidadão português, alegando que se trata do autor do atropelamento em Albufeira. Mas é falso.

Tiago Caeiro
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A frase

“‘O condutor é português'”

— Utilizador de Facebook, 26 de agosto de 2026

Na madrugada de 25 de agosto, o ambiente de animação e festa que caracteriza a zona dos bares de Albufeira (nomeadamente a popular rua da Oura) foi abalado por um incidente grave. Um homem conduziu por várias ruas da cidade, interditas ao trânsito, desrespeitando várias ordens policiais, e acabando por atropelar e ferir 16 pessoas. Duas das vítimas ficaram em estado grave. Nos últimos dias, e depois de ter sido tornado público que o condutor — português — também tinha nacionalidade angolana, começou a circular nas redes sociais uma imagem que, alega-se, mostra o autor do atropelamento.

“‘O condutor é português'”, lê-se numa das publicações, em tom irónico. A acompanhar a descrição está uma imagem em que um homem negro surge a segurar um cartão do cidadão português. Noutras publicações é afirmado explicitamente que o homem na imagem é o autor do atropelamento de uma dezena e meia de pessoas em Albufeira.

O atropelamento em causa ocorreu cerca das 3h de 25 de agosto, numa zona de animação noturna em Albufeira interdita à circulação automóvel. Depois de não ter respeitado várias ordens de paragem da GNR, o homem feriu 16 pessoas, na sua maioria jovens entre os 18 e os 35 anos. O condutor, de 35 anos e que estava a passar férias em Albufeira, foi detido com uma taxa de alcoolemia de 1,29 gramas de álcool por litro de sangue — sendo que o Tribunal de Albufeira lhe aplicou a medida de coação mais gravosa, a prisão preventiva.

https://observador.pt/especiais/reconstituicao-tres-ordens-para-parar-sete-disparos-e-16-pessoas-atropeladas-por-um-condutor-alcoolizado-em-albufeira/

O homem, com nacionalidade portuguesa e angolana (e residente no Reino Unido) está indiciado pelos crimes de ofensa à integridade física qualificada, condução sob efeito de álcool, condução perigosa, resistência e coação sobre funcionário, desobediência qualificada, e falsificação de documentos.

Contudo, o homem que surge na imagem não é o autor do atropelamento em Albufeira. A imagem usada foi publicada originalmente num artigo do jornal A Mensagem de Lisboa, de 2024, e é da autoria da fotojornalista Inês Leote. A fotografia retrata Nelson Moreira, de 32 anos, e com ascendência angolana e cabo-verdiana, que nasceu em Arroios (Lisboa) mas só conseguiu obter nacionalidade portuguesa aos 27 anos. O artigo do jornal lisboeta retrata casos de pessoas que, mesmo tendo nascido em Portugal, esperaram (ou ainda esperam) décadas para obter a nacionalidade.

Na rede social Instagram, Inês Leote condenou a utilização, de forma descontextualizada, da sua fotografia. “A minha fotografia de uma reportagem está a ser utilizada para espalhar Fake News nas redes sociais”, escreveu a fotojornalista. Também Nelson Moreira (um rapper conhecido por Wine TKK) desmentiu as alegações que circulam nas redes sociais. Num vídeo publicado no Instagram, confirma que a foto foi retirada de uma notícia. “Uma notícia em que eu conto a minha história de vida”, diz Nelson Moreira, queixando-se das centenas de comentários racistas de que foi alvo.

Conclusão

É falso que a imagem de um homem negro a segurar um cartão do cidadão português mostre o autor do atropelamento em Albufeira, na madrugada de 25 de agosto. A foto em causa, da autoria da fotojornalista Inês Leote, foi retirada de um artigo do jornal A Mensagem de Lisboa, de 2024, e retrata Nelson Moreira, um rapper, que, mesmo tendo nascido em Lisboa, só conseguiu obter a nacionalidade portuguesa aos 27 anos.

Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:

ERRADO

No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:

FALSO: As principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.

NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.