Quando terminou em festa a final do K1 1.000, passou pela zona de entrevistas rápidas, recebeu a medalha de ouro e foi ainda à zona mista, Fernando Pimenta dizia que queria sobretudo festejar a conquista que tinha acabado de alcançar e não tanto pensar na última decisão que tinha ainda em Poznan, este domingo, no K1 5.000. Provavelmente esse era o sentimento que dominava na altura mas, mesmo aos 37 anos, o canoísta de Ponte de Lima já estava a pensar no próximo objetivo. Afinal, ele só quer “ganhar mais, mais e mais”.
https://observador.pt/2026/08/29/um-podio-ainda-mais-historico-pimenta-sagra-se-campeao-e-e-o-canoista-mais-medalhado-de-sempre-em-k1-1-000-em-mundiais/
A vitória no K1 1.000, naquela que foi a quarta medalha de ouro na principal disciplina em Mundiais, foi uma espécie de “desbloqueador” nesta segunda vida na canoagem que começou depois do frustrante sexto lugar nos Jogos Olímpicos de Paris. Trabalhou para surgir no pico de forma, assumiu que os adversários diretos estavam “picados” com o que fizera na meia-final, foi para a frente liderar a final sem que ninguém tivesse capacidade de resposta – nem mesmo Balint Kopasz, húngaro que tem sido o principal rival na distância. Sem K1 500, numa opção ponderada para que centrasse atenções nas duas provas mais longas, a decisão do K1 5.000 seria mais um teste com outras dificuldades mas a mesma ambição de chegar ao pódio.
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“Há vários adversários que só fazem esta prova, eu estou há quatro dias a pensar no K1 1.000. Isso é sempre desgastante, não só em termos físicos como mentais, mas não vai ser desculpa. Mas agora vou desfrutar o dia de hoje [sábado], o título mundial…”, tinha comentado na véspera antes da final do K1 5.000, já depois de um libertar de emoções recordando que “o avô está de volta”. “Bateu dois novos recordes, tornando-se o atleta mais velho a vencer a distância olímpica de K1 1.000 e o canoísta com mais medalhas mundiais nesta distância, o que revela aquilo que ele representa em termos da canoagem e desporto mundial. É o melhor atleta português de sempre”, destacava Ricardo Machado, presidente da Federação, à agência Lusa.
https://observador.pt/2026/08/29/picou-os-adversarios-chorou-antes-da-prova-e-acabou-a-dizer-que-o-avo-esta-de-volta-o-dia-em-que-pimenta-voltou-a-ser-campeao-mundial/
“É um atleta extremamente resiliente. Trabalha muito, apesar da idade e dos dois filhos, e da longevidade da sua carreira. Continua com uma grande ambição e acho que ele personifica aquilo que é o espírito português, alguém com muita garra, que, mesmo sem condições iguais a rivais de outros países, consegue chegar aqui e bater-se de igual para igual e vencer”, acrescentara o líder federativo ainda antes de um quinto e último dia de Mundiais que começou com a medalha de prata de João Ribeiro e Messias Baptista no K2 500, que se juntou ao ouro de Pimenta no K1 1.000 e ao bronze do K4 500 logo na sexta-feira.
https://observador.pt/2026/08/30/nao-foi-o-ouro-continou-a-ser-de-prata-joao-ribeiro-e-messias-baptista-sagram-se-vice-campeoes-mundiais-de-k2-500/
À semelhança do K1 1.000, o currículo do limiano falava por si no K1 5.000 em Mundiais: duas medalhas de ouro em 2017 e 2018, três pratas em 2021, 2023 e 2024, um bronze em 2019. Agora surgia a possibilidade de voltar ao pódio, sabendo que competia contra alguns atletas que se focam apenas nesta distância (estando por isso mais “frescos” neste epílogo da competição), naquilo que poderia significar mais uma medalha em relação a Milão-2025 igualando os registos de Samarkand-2024 – num Mundial realizado apenas com disciplinas não olímpicas – e Duisburgo-2023. Mais um desafio na carreira do atleta que levava um total de 186 medalhas em provas internacionais, 21 em Mundiais (seis ouros, nove pratas, seis bronzes).
https://observador.pt/2017/08/27/fernando-pimenta-sagra-se-campeao-do-mundo-em-k1-5000/
Como é habitual neste tipo de provas, Pimenta não demorou a vir para a frente, tentando evitar a habitual confusão de embarcações no arranque e marcando o ritmo na formação dos primeiros grupos para a prova. O português estava como queria: na liderança, com água limpa, a escolher as trajetórias que queria antes da primeira passagem pela portagem, onde perdeu um pouco de tempo na reentrada e passou para a segunda posição atrás do norueguês Amund Vold num cenário que seria uma questão de tempo a voltar ao início. Mads Pedersen começava também a fazer ataques, numa fase em que a corrida estava de vez a abrir com Vold a pressionar e Pedersen a tentar tudo para subir à liderança num grupo que tinha quatro elementos.
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Começava a ficar definido o cenário da luta pelas medalhas entre o português, o dinamarquês, Amund Vold e o sul-africano Hamish Lovemore, com Pimenta a defender-se da melhor forma possível dos ataques de Mads Pedersen depois da quarta dobragem antes de nova passagem pela portagem. A derradeira volta começava com o quarteto de novo próximo na sequência da derradeira passagem na portagem, com Pimenta a seguir no comando da competição a marcar o seu ritmo e à espera de potenciais ataques que pudessem surgir numa fase em que se notava o desgaste de todos os atletas. Lovemore acabou por ser aquele que fez o maior ataque na ponta final mas o português resistiu com tudo a essa tentativa e assegurou mais um título mundial, ficando também como o atleta com mais medalhas de sempre em Campeonatos do Mundo no K1 5.000 após vencer com 24.15,72 contra 24.17,17 de Hamish Lovemore e 24.18,17 de Mads Pedersen.
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