(c) 2023 am|dev

(A) :: O Ministro da Desorganização Interna e As Senhoras que Não Sabem Estar

O Ministro da Desorganização Interna e As Senhoras que Não Sabem Estar

O Extraordinário Caso do Ministro da Desorganização Interna animou o nosso Verão. Já As Senhoras que Não Sabem Estar mostraram-nos que há coisas que nunca mudam.

Helena Matos
text

Nos próximos três fins-de-semana esta crónica está de férias. O que leva a que me interrogue: será que quando regressar já está resolvido O Extraordinário Caso do Ministro da Desorganização Interna? Luís Neves e os casos em que parece enredar-se numa sucessão grotesca de eventos acabaram a instituir uma espécie  de meteorologia alternativa sobre a  “previsão do estado de Luís Neves para os próximos dias”.  Eu mesma acabei a fazer contas sobre a vindima de António José Seguro por terras de Penamacor. Sim, quanto tempo andará o Presidente a olhar para a parra e para as uvas?  A pergunta é da maior relevância política porque cruzando as vindimas de António José Seguro com a ida de Luís Montenegro a Sâo Tomé, a janela temporal para que seja empossado um novo MAI é muito estreita. Será desta que Luís Neves passa a ex-ministro?  O Extraordinário Caso do Ministro da Desorganização Interna há-de ter um desfecho. Só não sabemos quando. De qualquer forma esta versão agro-veraneante de António José Seguro é-lhe particularmente confortável nestes dias em que, enquanto Presidente, sofreu uma pesada derrota ao ver que o Tribunal Constitucional não vislumbrou na Lei de Estrangeiros e de Concessão de Asilo nenhuma das múltiplas  inconstitucionalidades que elencara no longuíssimo texto que enviou àquele Tribunal.

Certo, certo, quando regressar é que  continuaremos no enfado com As senhoras que não sabem estar.  Ou seja as autodenominadas mulheres conservadoras que resolveram constituir-se em movimento. Ora como é mais que sabido as mulheres conservadoras devem cumprir com o papel que está definido para as mulheres conservadoras. Definido por quem? Pelos progressistas, claro. Quando as mulheres conservadoras não cumprem esse guião tornam-se automaticamente  Senhoras que não sabem estar.

Se as mulheres progressistas se constituem em movimento, associação, clube…  estão a levantar uma bandeira, a lutar por uma causa. Sobram elogios e faltam adjectivos. Positivos claro.  Se às conservadoras ocorre uma ideia similar, passado o primeiro momento de espanto, logo surge a catadupa de observações sobre a sua falta de legitimidade e os seus erros de formulação. Ou até sobre o seu tom, como especificou Adolfo Mesquita Nunes na Universidade de Verão do PSD.  (O problema das mulheres com o tom é um clássico!!!)

O facto de estarem do lado errado daquilo que a História devia ter sido leva ao apagamento das mulheres conservadoras, seja essa definição o que for consoante os momentos. Por exemplo, quando vimos ser referido o papel das mulheres na contestação à I República? Serem relatados os enfrentamentos entre as mulheres e as autoridades  em localidades tão diversas como a Chamusca, Reguengos, Vilar Maior ou Alcochete porque elas pretendiam fazer as suas procissões ou dar um funeral católico aos seus maridos? Ou já no campo da política porque se mantém essa quase obscuridade sobre as primeiras deputadas portuguesas? Que grau de notoriedade teriam hoje Domitila de Carvalho, Maria Guardiola e Maria Cândida Parreira caso tivessem sido eleitas na I República e não, como de facto aconteceu, em 1935 ou seja no Estado Novo? Realmente as senhoras conservadoras devem comportar-se, agir e proceder como os não conservadores dizem. Tudo o mais é não saber estar.

PS.Texas. Batalha judicial pela custódia de recém-nascido opõe casal e barriga de aluguer” ou “Barriga de aluguer disputa guarda exclusiva de recém-nascido. Pais queriam que abortasse às 23 semanas” Uma das coisas mais irritantes é esta mistura de moda e wokismo que leva a que designações que não fazem sentido algum sejam usadas de forma acrítica, produzindo frases sem significado. O que é uma “barriga de aluguer” senão uma mãe biológica? Nenhuma mulher é uma barriga e muito menos uma barriga de aluguer quanto mais não seja porque uma gravidez é um processo que vai muito para lá da barriga. Paulatinamente as mulheres acabaram reduzidas às funções asseguradas por diferentes partes do seu corpo: temos a “pessoa que amamenta” , a “pessoa que menstrua”, “a barriga de aluguer”… Há nisto uma misoginia que perturba.