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(A) :: "Picou" os adversários, chorou antes da prova e acabou a dizer que "o avô está de volta": o dia em que Pimenta voltou a ser campeão mundial

"Picou" os adversários, chorou antes da prova e acabou a dizer que "o avô está de volta": o dia em que Pimenta voltou a ser campeão mundial

Pimenta não esqueceu a forma como ficou apenas com o bronze em 2025, atingiu o pico de forma e sagrou-se campeão mundial de K1 1.000 pela quarta vez: "Fizemos história, mas quero ganhar mais e mais".

Bruno Roseiro
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Não é a primeira vez que trazemos esse momento à história, provavelmente não será também a última vez que trazemos esse momento à história – também por “culpa” do próprio, claro. Quando Fernando Pimenta teve aquela receção acima de campeão olímpico em Paris por família, adeptos, adversários e simples adeptos da canoagem, mesmo terminando numa frustrante sexta posição, tudo apontava para uma despedida. “A” despedida. Aí, o corpo traiu o mais titulado de todos os tempos. As pernas falharam, a cabeça deixou de funcionar, o corpo congelou. Aqueles derradeiros 250 metros da final olímpica de 2024 foram tudo aquilo que um atleta habituado a ganhar teme, mas é esse mesmo corpo que pede hoje mais uma “oportunidade”.

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Ainda antes da final, sentindo-se de novo num grande momento de forma, Fernando Pimenta voltou a ter sonhos. Agora, queria voltar a ser campeão mundial de K1 1.000, a disciplina mais nobre da canoagem e que até na antecâmara da prata nos Jogos de Londres com Emanuel Silva, em 2012, queria que fosse a “sua”. A qualificação não passou de um treino com competição, a meia-final trouxe um triunfo frente ao principal rival dos últimos anos, o húngaro Balint Kopasz (que era o campeão em título). Pimenta acreditava ainda mais que era possível: “Eu gosto de os ver a arder, picados. É bom sinal. Significa que [no sábado] vão dar o seu melhor, é o que desejo. Quero que os meus adversários na final estejam todos a 100%. E que eu também consiga estar a 101% ou a 110%, a dar o meu máximo. Depois logo se verá quem são os melhores”.

Para fora dizia isso, para dentro pensava de outra forma. Por um lado, a medalha de bronze conseguida em Milão no último ano foi daquelas que ficam a remoer a cabeça, tendo em conta a noite difícil que passou na véspera e que obrigou mesmo a que mudasse de quarto de madrugada. Por outro, aquela sensação de que o que mais gosta de fazer está mais perto de terminar. “30 minutos antes da largada estava na plataforma a chorar sozinho e a refletir sobre a minha carreira, com a noção de que não me restam mais 15 anos com uma condição física deste nível. Pensava que ia querer divertir-me e fazer como o meu treinador disse: ‘Se eles quiserem ganhar, vão ter que sofrer muito mais do que tu'”, disse à Lusa.

https://observador.pt/2026/08/29/um-podio-ainda-mais-historico-pimenta-sagra-se-campeao-e-e-o-canoista-mais-medalhado-de-sempre-em-k1-1-000-em-mundiais/

Por mais que tenham feito, foi curto para tudo aquilo que Fernando Pimenta tinha para mostrar. Thomas Green ainda tentou aguentar o ritmo antes de quebrar na parte final, Balint Kopasz voltou a fazer uma prova de trás para a frente a dar tudo a partir dos 500 metros, Uladzislau Kravets e Jonas Ecker limitaram-se a ver o português andar na frente com menos pagaiadas do que aquelas que iam fazendo. O quarto título mundial da carreira estava confirmado aos 37 anos, com a habitual celebração a olhar para o céu antes de dedicar o triunfo à família. Mais uma vez, o mundo da canoagem estava rendido a um atleta sobre-humano.

“Estou de volta ao topo”, começou por dizer quando chegou à plataforma depois de sair do caiaque. “Era preciso acreditar que era possível e o avô está de volta. Estou muito feliz! Fizemos história na canoagem, sabia que íamos bater o recorde das medalhas se vencesse – e quero ganhar mais, mais e mais”, salientou, passando ao lado do outro recorde de atleta mais velho de sempre a sagrar-se campeão mundial. A seguir, de sorriso rasgado, acenos para as bancadas montadas no lago de Malta, a pista artificial em Poznan onde se estão a realizar estes Campeonatos do Mundo e aquela sensação de dever cumprido… a olhar para mais.

https://twitter.com/24horaspt/status/2093709998085849315

“Quando me sinto capaz de vencer, faço a minha prova e vou para a frente. Sabia que nos últimos 500 metros todos íamos sofrer muito porque a água estava muito mexida. Fui a tentar não estragar nada, não perder a velocidade e a fazer aquilo que o meu treinador disse, que era tentar aguentar-me na frente e ir respondendo aos ataques. Isso desgastou-me bastante. O Kopasz terminou um bocadinho mais fresco e quase me apanhava mas ainda consegui lançar bem o barco para ser campeão do mundo”, destacou mais tarde o limiano, que superou o norueguês Knut Holmann com um total de nove medalhas no K1 1.000 em Mundiais. E se antes escrevíamos que Pimenta tinha mais de 100 medalhas internacionais, agora a conta passa a ser de… quase 200: 186, nove de ouro em Mundiais de velocidade, 13 de ouro incluindo as de maratonas.

https://twitter.com/COPPORTUGAL/status/2093709343946358876

“Dedico esta medalha à minha mulher, a melhor companheira, amiga, mental coach e ouvinte”, disse de seguida sobre Joana, recordando a importância e a força transmitida pelos filhos Margarida e Santiago e perspetivando a final deste domingo em K1 5.000, disciplina onde já foi duas vezes campeão mundial. “Há vários adversários que só fazem esta prova, eu estou há quatro dias a pensar no K1 1.000. Isso é sempre desgastante, não só em termos físicos como mentais, mas não vai ser desculpa. Mas agora vou desfrutar o dia de hoje, o título mundial…”, contou o canoísta de 37 anos também à agência Lusa.

https://twitter.com/PlanetCanoe/status/2093731565608054903

“O Presidente da República felicita Fernando Pimenta, que se sagrou hoje campeão do mundo em K1 1.000 metros, nos Campeonatos do Mundo de canoagem de velocidade, em Poznan, na Polónia. Trata-se do quarto título mundial do canoísta português nesta distância e do seu nono pódio em Campeonatos do Mundo apenas em K1 1.000 metros – quatro medalhas de ouro, duas de prata e três de bronze. Com esta vitória, Fernando Pimenta torna-se o canoísta mais medalhado de sempre na história da prova, superando o registo do norueguês Knut Holmann. Aos 37 anos, 16 depois do seu primeiro pódio mundial, e num desporto que não perdoa a mais pequena quebra, Fernando Pimenta continua a bater-se com os melhores do mundo e a vencê-los. Tem construído, ano após ano, um percurso sem paralelo no desporto português, feito de longevidade, de rigor e de uma exigência consigo próprio que é já um exemplo para várias gerações de atletas”, destacou numa nota oficial o Presidente da República, António José Seguro.

https://twitter.com/LMontenegro_PT/status/2093725635336167777

“O Presidente da República recorda que Fernando Pimenta foi agraciado, em 2015, com o grau de Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique, em 2016 com o grau de Comendador da Ordem do Mérito e, em 2018, com o grau de Grande-Oficial da Ordem do Mérito, distinções que o Estado português lhe conferiu ao longo de uma carreira que continua, hoje, a dar novos motivos de orgulho ao País. O Presidente da República saúda este extraordinário resultado, que prestigia Portugal, e deseja a Fernando Pimenta os maiores sucessos na final de K1 5.000 metros, no domingo. A estas felicitações, o Presidente da República associa o treinador Hélio Lucas, o Sport Lisboa e Benfica e o Clube Náutico de Ponte de Lima, onde tudo começou, e a Federação de Canoagem, pelo trabalho continuado na afirmação internacional da modalidade”, acrescentou.

“Fernando Pimenta torna-se novamente campeão mundial de canoagem! Numa grande prova de K1 1.000 metros, o atleta português demonstrou mais uma vez o seu enorme talento e grande capacidade no topo do desporto. Parabéns!”, destacou também o primeiro-ministro, Luís Montenegro, na rede X.