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(A) :: O dragão foi a Viseu como um senhor adusto, frio e certeiro que só a Beira pode revelar (a crónica do Académico de Viseu-FC Porto)

O dragão foi a Viseu como um senhor adusto, frio e certeiro que só a Beira pode revelar (a crónica do Académico de Viseu-FC Porto)

Com a mesma cara do passado e maior maturidade coletiva, o dragão entrou forte, não baixou linhas quando se colocou em vantagem e resolveu o jogo ainda na primeira parte (0-3). Gabri segue em grande.

Tiago Gama Alexandre
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O tempo de espera acabou e um grande do futebol português voltou a visitar o mítico Fontelo. Foi preciso esperar 37 anos e meio para se ver um dos candidatos ao título de campeão nacional a defrontar o Académico em Viseu no Campeonato Nacional. A última equipa tinha sido o Benfica — campeão dessa edição — na longínqua época de 1988/89, que ficou marcada pela descida de divisão dos viseenses, que passaram por um período conturbado até voltarem a subir na presente temporada. Curiosamente, o regresso dos viriatos ao principal escalão do futebol português deu-se na Luz, com um saboroso empate que começou por atrasar os encarnados na luta pelo título (2-2). Em sentido inverso, o campeão FC Porto continua em forma e chegou ao renovado Fontelo — com mais cor, mais conforto e a magia de outrora — na liderança isolada, só com vitórias.

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Nas três primeiras jornadas desta Primeira Liga, os azuis e brancos deram seguimento ao que fizeram na época passada e, com maior ou menor dificuldade, mostraram-se irrepreensíveis, passando com distinção por Alverca (casa), Rio Ave (fora) e Arouca (casa), sempre com o mesmo resultado: 2-0. No último fim de semana foi a vez de Gabri Veiga e Borja Sainz assumirem o papel de heróis, num duelo que só foi resolvido já dentro da última meia-hora. Durante a semana, os dragões continuaram a arrumar a casa antes do fecho da janela de transferências e garantiram o regresso de Seko Fofana, por novo empréstimo do Rennes, embora o costa-marfinense tenha falhado a deslocação à cidade das rotundas. Por outro lado, André Villas-Boas voltou a mostrar-se bastante interventivo, atacando os rivais, a Liga Portugal e o advogado de Rodrigo Mora num artigo de opinião.

Se o presidente portista entrou ao ataque, o mesmo se pode dizer de Francesco Farioli que, na antevisão ao duelo deste sábado, não se coibiu de acusar o “grande amigo” Bruno Pinheiro de pressionar a equipa de arbitragem, liderada por Miguel Nogueira. “Sabemos que precisamos de fazer um jogo perfeito, que eles não tenham muita sorte e também de uma arbitragem feliz, sem grandes casos”, dissera o português que foi colega do italiano na Aspire Academy, no Qatar. “Criar uma certa pressão de forma indireta é uma parte natural da estratégia para o jogo. O Bruno Pinheiro tem uma mentalidade de alto nível, é um vencedor e quer ter todos os pormenores, por mais pequenos que sejam, a seu favor. Fez o que tinha a fazer, mas penso que não há necessidade de o dizer. Todos esperamos decisões justas, que sejam as equipas a decidir o jogo no relvado e que não haja casos”, respondeu Farioli.

Ficha de jogo

Académico de Viseu-FC Porto, 0-3

4.ª jornada da Primeira Liga 2025/26

Estádio Municipal do Fontelo, em Viseu

Árbitro: Miguel Nogueira (AF Lisboa)

Académico de Viseu: Ewerton Silva; Robinho, Anthony Correia, Nikos Michelis (Pedro Barcelos, 84’), Gustavo Costa; Luís Silva (Alejandro Mestanza, 57’), Cihan Kahraman (André Ceitil, 70’), Soufiane Messeguem; Lorougnon Gohi (Nils Mortimer, 57’), João Guilherme e André Clóvis (Mohamed Bouldini, 70’)

Suplentes não utilizados: Marcos Lavín, Juan Soriano; Álvaro Zamora, Cristian Ferreira, Tomás Domingos, Andro Babic, Rúben Pereira

Treinador: Bruno Pinheiro

FC Porto: Diogo Costa; Alberto Costa (Alan Varela, 82’), Jan Bednarek (Nehuen Pérez, 46’), Jakub Kiwior, Zaidu Sanusi (Martim Fernandes, 16’); Pablo Rosario, Victor Froholdt, Gabri Veiga; William Gomes (Inbeom Hwang, 59’), Pepê (Borja Sainz, 59’) e André Silva

Suplentes não utilizados: Cláudio Ramos, João Costa; Dominik Prpic, Deniz Gül, Duarte Cunha, Tiago Silva e Francisco Moura

Treinador: Francesco Farioli

Golos: André Silva (5’), Gabri (20’) e William (38’)

Ação disciplinar:

“O Académico de Viseu já provou, em todos os jogos que fez até agora, que tem uma identidade muito clara. É uma equipa corajosa sem bola, que gosta de pressionar muito alto e que tem capacidade para ter momentos muito bons com a bola, além de ser uma equipa muito organizada. São um perigo nas bolas paradas, porque já marcaram três golos dessa forma. Vão oferecer desafios diferentes e será um jogo que vai requerer a nossa melhor versão. À exceção de Samu e Pietuszewski, todos os outros estão de volta. Mercado? O FC Porto é uma boutique cara. Vamos ver como correm os últimos dias. O mais importante é ir a jogo com a mentalidade certa. Até ao jogo temos os telemóveis em ‘modo avião’. Depois, teremos 48 horas para as últimas notícias de mercado”, acrescentou o treinador de 37 anos, referindo-se ao prazo para a submissão da lista A de jogadores na UEFA, que termina na quarta-feira.

Depois da boa exibição no Estádio da Luz, os viseenses não conseguiram ganhar embalo e receberam os dragões sem qualquer vitória no Campeonato, tendo perdido na receção ao Santa Clara (0-1) e empatado com o Marítimo depois de ter estado a vencer por dois (fora, 2-2). “Vamos defrontar a equipa que não concede golos e uma equipa que faz sempre golos, mas temos sempre a ambição de ganhar. Somos um grupo humilde, mas ambicioso. Vamos tentar jogar com as armas que temos, sabendo que não poderemos fazer o mesmo jogo que o nosso adversário. É um fator de alegria e de satisfação ter casa cheia e acredito que vai ser maioritariamente uma casa do Académico de Viseu. Fico muito contente com isso e acho que é fundamental sentir o apoio dos adeptos”, enalteceu Pinheiro.

https://twitter.com/FCPorto/status/2093709821602148819?s=20

Como equipa que ganha não mexe, Francesco Farioli repetiu o onze do último fim de semana, tal como se perspetivava, optando por Martim Fernandes no lado direito da defesa, Pablo Rosario no meio e William Gomes, Pepê e André Silva no ataque. Por outro lado, Bruno Pinheiro promoveu duas alterações nos viseenses, lançando Gustavo Costa na defesa, em detrimento de Pedro Barcelos, e Luís Silva na posição mais recuada do meio-campo, retirando André Ceitil. No período de aquecimento, o lateral português de 20 anos queixou-se de um toque na coxa, ainda esteve a ser visto pela equipa médica, mas acabou por entrar em campo sem qualquer condicionalismo, aparentemente.

O FC Porto entrou no Fontelo determinado a resolver o jogo cedo, como é seu apanágio. E assim foi. Logo a abrir, os dragões tiveram um lance de insistência pela direita, com Rosario a conseguir desbloquear à segunda e a desferir um cruzamento para André que, ao segundo poste, aproveitou a má abordagem de Ewerton Silva para inaugurar o marcador à boca da baliza (5′). Pouco depois, Zaidu Sanusi lesionou-se e teve de ser substituído por Martim que, com pouco tempo em campo, participou nos festejos do segundo golo: Jakub Kiwior lançou Pepê no corredor esquerdo com um grande passe, o brasileiro impeliu de cabeça para Gabri que, à entrada da área, levantou o estádio com um belo remate em arco que entrou junto ao poste mais distante, fora do alcance do guarda-redes brasileiro (20′).

A pausa para hidratação acabou por fazer bem ao Académico de Viseu, que testou Diogo Costa pela primeira vez através de um livre direto em posição frontal, mas o internacional português travou o remate de Cihan Kahraman à segunda tentativa (31′). A resposta azul e branca voltou a aparecer com eficácia, com os portistas a construírem de trás para a frente, com envolvência coletiva e Pepê a servir o internacional espanhol que, depois de ameaçar o remate, deixou William sozinho, com o brasileiro a não vacilar (38′). No tempo de compensação ainda houve tempo para Diogo sair mal da baliza a cruzamento de Luís Silva, largando a bola, com Robinho a rematar para um corte importante de Jan Bednarek (45+3′). Feitas as contas, o jogo estava praticamente resolvido ao intervalo (0-3).

Ao intervalo, Jan Bednarek também foi substituído para ser gerido fisicamente, com Nehuen Pérez a entrar para o seu lugar. Ao contrário do que aconteceu anteriormente, a formação da casa assumiu as despesas da partida à procura de um golo que pudesse relançar a sua esperança, com o FC Porto a baixar as linhas e a defender como tanto gosta. À hora de jogo, Pinheiro e Farioli mexeram a dobrar, com o viseense a colocar Nils Mortimer e Alejandro Mestanza nos lugares de Lorougnon Gohi e Luís Silva, ao passo que o portista trocou os extremos William Gomes e Pepê por Borja Sainz e Inbeom Hwang, “obrigando” Gabri Veiga a passar para o corredor direito. Pelo meio do compromisso defensivo coletivo, a primeira ameaça saiu dos pés do extremo espanhol, que obrigou Ewerton Silva a voar para impedir novo golo (68′).

Já com André Ceitil e Mohamed Bouldini em campo, o jogo continuou tímido, algo que viria a mudar depois das entradas de Alan Varela e Pedro Barcelos, já que o Académico de Viseu ficou perto do golo, com Soufiane Messeguem a cruzar da esquerda para o primeiro poste, onde Mestanza apareceu a desviar para a barra, nas costas de Jakub Kiwior (88′). Desta forma, o FC Porto saiu de Viseu com mais uma vitória no bolso (0-3).