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(A) :: O dia mais aborrecido também é capaz de mexer com uma corrida (e de que maneira): Pogacar despede-se da Vuelta após queda aparatosa

O dia mais aborrecido também é capaz de mexer com uma corrida (e de que maneira): Pogacar despede-se da Vuelta após queda aparatosa

Quando tudo parecia controlado e a história estava a duas semanas de distância, Pogacar caiu aparatosamente e sofreu um traumatismo cranioencefálico, várias escoriações e uma fratura no ombro.

Tiago Gama Alexandre
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Pela primeira vez nesta Volta a Espanha, a etapa não foi conquistada por UAE Team Emirates-XRG ou Visma-Lease a Bike, que é como quem diz Tadej Pogacar ou Matthew Brennan. Curiosamente, foi a primeira chegada em alto desta Vuelta — que, em condições normais, seria a segunda, por conta do granizo que caiu nos Pirenéus franceses — que interrompeu o domínio do esloveno… ou talvez não. A sétima etapa ficou marcada pelo primeiro triunfo dos fugitivos, com a Uno-X Mobility a juntar-se às duas potências como únicas equipas que venceram nas três Grandes Voltas desta temporada. Andreas Leknessund venceu, o colega Tobias Halland Johannessen foi segundo e Pogacar atacou para ganhar mais tempo aos rivais, num dia que ficou marcado pela grave queda de Luca van Boven (Lotto Intermarché), que terminou a etapa com duas costelas fraturadas e uma perfuração no pulmão.

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“Não sei [o que aconteceu]. O Felix Gall simplesmente atacou e eu continuei no mesmo ritmo que ele estava antes. Fiquei sozinho. Aumentar a vantagem? Sim. No fim, quando vi que eles não me conseguiam acompanhar, forcei até ao topo da subida. Consegui uma pequena vantagem novamente e isso é bom. Quero vencer a classificação geral. Nós estamos aqui para ganhar, não para brincadeiras. Feliz ou infeliz, o dia acabou e foi um bom dia para nós. Conseguimos gerir muito bem, não gastámos demasiado. A Decathlon CMA CGM foi com tudo, mas é a corrida. Todos têm um motivo para ir com tudo. A Decathlon tentou atacar e esteve bem. Isso favoreceu a subida deles, por isso têm que tentar. Parabéns para eles”, explicou o camisola roja no final da etapa.

“Era um dia de média montanha, por isso estamos satisfeitos. Estamos satisfeitos com a prestação e com a equipa. Vamos na sétima etapa e temos um minuto de vantagem para o terceiro [Primoz Roglic]. Ainda falta muita Vuelta, ainda nem acabámos a primeira semana. Vamos pouco a pouco. Pogacar? Acho que ele ficou um pouco aborrecido com alguns momentos da corrida e por isso atacou“, partilhou Enric Mas (Movistar), que consolidou o segundo lugar na sexta-feira.

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O fim de semana arrancou com uma jornada teoricamente fácil, mas que podia não ser suficiente para colocar na discussão os ciclistas mais rápidos do pelotão. Na região de Valência, 65 quilómetros são suficientes para ligar Puçol a Xeraco mas, no que respeita ao ciclismo, a ligação contou com 171 quilómetros e 1.270 metros de desnível positivo acumulado. Ainda assim, grande parte da etapa não apresentava dificuldades e favorecia o controlo da fuga, com a única contagem de montanha a surgir ao quilómetro 140: Puerto de Barx (4,7 km a 5,6%). Apesar de curta, a subida podia ser suficiente para descartar os sprinters, já que, no alto, restavam apenas 23 quilómetros para a chegada.

Os quilómetros de neutralização antes da partida real voltaram a ser marcados por um incidente, que desta vez terminou com a queda de cerca de dez ciclistas, entre eles Primoz Roglic (Red Bull-Bora-hansgrohe), Pavel Sivakov (Emirates), Gianmarco Garofoli (Soudal Quick-Step) e mais de metade da Kern Pharma. Devido a isso, a partida real foi retardada, acontecendo já depois da passagem em Foios, a cidade que viu nascer Ferran Torres, o novo herói de Espanha. O primeiro a atacar foi Sinuhé Fernández (Burgos Burpellet BH), que chegou a ser perseguido pelo companheiro de equipa José Luis Faura, mas acabou por ser o protagonista de uma jornada aborrecida até ao sprint intermédio de Simat de Valldigna, tendo sido alcançado a 38 quilómetros da meta, pouco depois de Ethan Hayter (Soudal) ter caído.

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Wout van Aert (Visma) aproveitou para somar mais 20 pontos e consolidar a liderança da camisola verde, mas o início do fim da Vuelta chegou pouco depois, com uma queda bastante aparatosa a tirar Pogacar da corrida. Tudo aconteceu a 33 quilómetros da meta, na altura em que o pelotão seguia compacto, com o esloveno a colocar-se na dianteira com o apoio dos companheiros. Contudo, um objeto não identificado no lado esquerdo da estrada acabou por provocar a queda do líder, que não se conseguiu desviar a tempo, saiu a voar para o lado direito da estrada, onde colidiu com Ben Tulett (Visma), deu um rodopio e caiu no chão com a face. Depois de tentar voltar à bicicleta, o campeão do mundo desistiu com uma possível fratura no ombro esquerdo, uma suspeita de traumatismo cranioencefálico e várias escoriações, explicou à RTVE o médico que socorreu o ciclista.

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De notar que esta foi a primeira vez que Tadej Pogacar abandonou uma prova por etapas, tendo sido a sua primeira desistência desde a Liège-Bastogne-Liège de 2023. Quanto à Vuelta, desde 2010 que o líder não abandonava a última Grande Volta do ano devido a uma queda (Igor Anton, na 14.ª etapa). A partir daí, o pelotão neutralizou a corrida para permitir a reentrada dos ciclistas da Emirates, que foram recebidos pelo público com um aplauso, e dos que ficaram na queda. As quedas continuaram até ao fim da etapa, inclusivamente na reta da meta, onde Mads Pedersen (Lidl-Trek) lançou o sprint, mas viria a ser batido por Bryan Coquard (Cofidis). Na geral, Enric Mas assumiu a liderança com um minuto de vantagem para Primoz Roglic e 1.11 face a Felix Gall.

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