Paulo Portas deu este sábado uma aula aos alunos da Universidade de Verão do PSD onde evitou política nacional, mas apresentou a moderação como o maior ativo político. Do envelhecimento populacional à Defesa, a receita para os alunos foi a mesma: evitar radicalismos. O antigo vice-primeiro-ministro alertou que vivemos numa “época de declínio da racionalidade, nas tomadas de decisão política e económica” e, em vários apartes, foi criticando os extremismos. Quando falava sobre o problema energético da Europa fez um parêntesis na mesma linha: “A família do meu pai é galega. Os galegos são muito moderados entre pessoas. É o único Parlamento de Espanha onde não há Podemos nem Vox. Já imaginaram a felicidade? Não há gritaria”.
Sem nunca tocar em temáticas do atual combate político, como a discussão em torno do sistema de pensões, Paulo Portas identificou a demografia como um dos problemas principais da Europa (e de Portugal). “A idade média dos europeus é 44,9 anos, em Portugal 47,3 anos.” E questiona, visando mais uma crítica indireta ao Chega e os seus partidos irmãos: “Queremos discutir o problema do envelhecimento com cabeça, tronco e membros e sermos racionais ou queremos likes e radicalismos? O problema não se resolve com um tweet.” Portas deixa o aviso: “Quanto mais tarde começarmos, pior”.
A nível de política externa, o também antigo ministro dos Negócios Estrangeiros lembrou que “Portugal terá tanto mais peso na Europa quanto mais aportar de fora da Europa para a Europa. É um dos poucos países europeus que conhece a Ásia, a África, que esteve na fundação do Brasil.” Aproveitou também para lembrar que “Portugal é cuidadoso na sua política exterior” e elogiou o “sucesso diplomático enorme” do País quando garantiu a eleição, à frente de países mais ricos, como a Alemanha e a Áustria.
O também antigo ministro da Defesa disse ainda, após ser questionado por um aluno, que “é difícil ter forças armadas profissionais, seria estranho à nossa tradição”. O inventor do Dia da Defesa Nacional acrescentou que “o ponto não está na profissionalização, mas no sentimento de Nação e de Defesa das gerações mais novas.”
Quanto ao cargo para o qual foi nomeado por Luís Montenegro, de comissário-geral para as Comemorações dos 900 anos da Fundação de Portugal, Paulo Portas afastou qualquer inclinação ideológica na celebração e até brincou: “Graças a Deus, há 900 anos não existiam esses conceitos de esquerda e direita, porque senão tínhamos perdido mais tempo a discutir o que é que cada um era do que a construir a formação de Portugal, que foi construída com todos e continua a ser construída com todos”.
Portas também falou sobre a crise migratória em Ceuta para alertar que “o que falhou tanto do lado espanhol como do marroquino, foi a consciência de que vivemos num mundo de perceções e não necessariamente de factos”. O antigo governante lembra que “as redes sociais tiveram um papel subterrâneo massivo que surpreendeu os dois governos [Espanha e Marrocos]”, alertando que os Governos devem ter cuidado de antecipar a forma como vão ser entendidas as suas políticas. E vaticinou: “Foi uma grande lição. Não será a última”.