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Militares nas ruas de Bruxelas: Bélgica lança primeira operação conjunta entre Forças Armadas e polícia para combater narcotráfico

65 tiroteios em 2026, o mesmo número de todo o ano passado. Bruxelas recorre ao Exército para "retomar o controlo" das ruas dominadas por traficantes.

Agência Lusa
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O ministro belga da Defesa, Theo Francken, anunciou esta sexta-feira a primeira operação conjunta entre polícia e militares em Bruxelas, em resposta à insegurança e violência relacionadas com o narcotráfico que assolam a capital belga.

Numa grande operação policial integrada em Bruxelas, a polícia federal e as Forças Armadas vão “trabalhar em conjunto contra distúrbios, crimes e tráfico de droga”, frisou Francken numa mensagem divulgada nas redes sociais.

O ministro belga defendeu a participação das Forças Armadas na operação, citando a insegurança em determinadas zonas da capital e afirmando que as autoridades precisam de “retomar o controlo” das ruas e das estações.

Não podemos continuar a deixar as nossas ruas e estações nas mãos de traficantes e criminosos. Os problemas específicos de segurança em Bruxelas têm sido ignorados durante demasiado tempo“, concluiu.

Também esta sexta, o procurador de Bruxelas assumiu preocupação com a crescente criminalidade na capital belga ligada ao narcotráfico e pediu um reforço de meios, advertindo que, atualmente, “qualquer pessoa pode ser alvejada” no fogo cruzado entre grupos criminosos.

A decisão do Governo belga surge numa altura em que a região de Bruxelas enfrenta um aumento da violência, tendo sido registados seis tiroteios na última semana nos bairros de Anderlecht, Saint-Gilles e Molenbeek.

Com estes, o número total de tiroteios na região desde o início do ano chega aos 65, o mesmo número de todo o ano passado.

Desde 2025, foram registados em Bruxelas 170 tiroteios, dos quais 69 no ano em curso, na sua esmagadora maioria relacionados com o tráfico de droga.

Na maioria destes incidentes, trata-se de acertos de contas entre dois grupos criminosos, tendo o procurador indicado que, “manifestamente, houve um desentendimento entre eles e, por isso, assiste-se a uma dinâmica de retaliações”, que, advertiu, não vai parar enquanto os líderes das respetivas redes, muitos dos quais se encontram no estrangeiro, não forem detidos.

Alguns chefes de grupos criminosos estão presos, mas continuam a ordenar estes tiroteios a partir das suas celas, denunciou ainda o magistrado, que apelou por isso às autoridades para equiparem as prisões com inibidores de telemóveis, a fim de impedir a continuação destas atividades criminosas.