André Ventura anunciou, esta sexta-feira, que vai avançar com uma moção de censura ao Governo na próxima terça-feira se, até então, Luís Neves continuar como ministro da Administração Interna.
O líder do Chega afirmou que os casos do MAI são “uma coisa nunca vista” na democracia portuguesa. “Luís Neves não tem nenhumas condições para continuar, está a mandar as instituições para o lodo e nós não podemos estar no lodo”, atirou.
“O Presidente da República deu um prazo ao Governo e fez um ultimato, que eu acho que faz sentido”, começou por dizer o presidente do Chega, fazendo referência a uma notícia do Nascer do Sol que dá conta de que António José Seguro deu um prazo ao primeiro-ministro para que Luís Neves saia do Governo.
Ventura disse aos jornalistas que Seguro “esteve bem” ao exigir o afastamento do ministro — informação que o Nascer do Sol apurou com base em fontes anónimas — e pediu-lhe que continue a tomar “iniciativa para salvar as instituições”.
O líder do Chega diz não querer “provocar uma crise política”, mas apenas que “haja um mínimo de ética” nas instituições. “Espero que não venha a haver uma moção de censura”, disse com esperança que o primeiro-ministro responda ao seu apelo.
No entanto, acusa o primeiro-ministro de desvalorizar os casos à volta do ministro da Administração. “Montenegro parece não perceber o que está em causa ou estar comprometido com o que está em causa. O primeiro-ministro deixou arrastar isto intoleravelmente. Temos um ministro sem autoridade que não pode continuar”, afirmou Ventura.
O anúncio da moção de censura ao Governo é feito um dia depois de ser noticiado que o carro que o ministro usa desde os tempos da PJ foi apreendido pela polícia a um dos maiores traficantes de droga portugueses, conhecido como “Xuxas”. Rúben Oliveira, condenado a 20 anos de prisão na primeira instância, continua a ser o seu proprietário do veículo que Luís Neves pediu para manter enquanto ministro. O advogado de “Xuxas”disse à TVI/CNN e ao Nascer do Sol que o cliente não foi informado da entrega do seu carro para uso do Governo e defende que esta cedência é abusiva e ilegal.