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(A) :: Este miúdo de Pote cheio herdou muito mais do que um nome (a crónica do Rio Ave-Sporting)

Este miúdo de Pote cheio herdou muito mais do que um nome (a crónica do Rio Ave-Sporting)

Marcou, assistiu. Jogou, fez jogar. Irankunda chegou mas vai ter de esperar: existe um talento chamado Flávio Gonçalves que continua a fazer lembrar o homónimo quando chegou a Alvalade em 2020 (0-4).

Bruno Roseiro
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Mais uma vez, a mesma expressão: “dores de crescimento”. O tom foi mudando ao longo das semanas. Até o próprio espaço em que foi proferido, antes ou depois dos encontros com Estrela, V. Guimarães e Alverca, não foi exatamente igual. A ideia, essa, esteve sempre presente – tudo o que poderia não estar a correr conforme previsto entroncava nessa necessidade de dar tempo ao tempo para consolidar este projeto numa equipa que, mais do que nomes (e foram muitos), mudou dinâmicas, identidade e o perfil de jogo. Ainda assim, sobrava um engano de perceção. Pequeno na descrição, grande na magnitude. Mais do que “dores de crescimento”, o que se viu sobretudo nas três primeiras jornadas foram “dúvidas de crescimento”. E era na perceção do que é uma e outra ideia que estava a rampa de lançamento para o Sporting enfrentar os próximos desafios.

https://observador.pt/liveblogs/rio-ave-sporting-leoes-procuram-terceira-vitoria-seguida-na-liga-apos-empate-na-amadora/

“Antes falavam da linha de três centrais, mas depois quando jogava com dois, três é que era melhor. Agora, dizem que tínhamos um jogo associativo e mudou. O futebol é isto, é a adaptação àquilo que queremos dentro das dinâmicas e das características individuais que temos. Não vão dar um jogo tão pausado, se calhar dão mais objetividade em alguns momentos que se calhar não tínhamos antes. É um crescimento que vamos ter enquanto equipa. Sei o que são dores de crescimento, não há como não ter, mas não me agarro a isso”, explicou Rui Borges a esse propósito na antecâmara da partida em Vila do Conde, antes de olhar de forma mais específica para o setor por onde vai passar grande parte do sucesso ou insucesso: o meio-campo.

“O Doumbia veio da Segunda Divisão italiana, o Sergi [Altimira] vem do Bétis e não jogava na sua posição de 6, jogava mais a 8 e não era um titular. Estamos a falar de muitas adaptações. O Flávio [Gonçalves] vem da equipa B e a competitividade, apesar de tudo, é diferente. O Zalazar é um jogador mais maduro e habituado ao nosso futebol. Há aqui algumas adaptações, principalmente no corredor central, que é importantíssimo para uma equipa. O crescimento vai acontecer. Não estou preocupado. O Morita dava umas coisas, o Doumbia vai dar outras mas que são diferentes. O Morita tinha 30 anos, este tem 21 ou 22. Faz parte daquilo que entendemos ser melhor este ano para esta equipa”, apontou o treinador verde e branco, abordando ainda as mais recentes mexidas no plantel com as chegadas do lateral esquerdo Zekri e do guarda-redes Kaique.

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“O Kaique é uma oportunidade que tivemos, que já olhávamos há algum tempo e que achamos que terá um futuro muito bom. O Moncef [Zekri], apesar da tenra idade, já tem muitos jogos na Primeira Liga em que estava inserido. Tem capacidade técnica, maturidade apesar da idade, terá um futuro muito grande. Por algum motivo era titular, aos 17 anos. O Nes [Irankunda] tem características diferentes do Flávio, que não é um extremo de raiz, tem mais jogo interior do que exterior, mais associativo. O Nes dá-nos as duas coisas, é mais potente, um ala nato. À partida, o plantel estará fechado. Se chega? A profundidade do plantel é algo relativo. No ano passado, tivemos lesões que não conseguimos controlar e levou-nos a sobrecarregar alguns jogadores. Realço três anos seguidos do Sporting na Champions e capacidade de se manter entre os melhores da Europa. Temos de perceber onde estamos inseridos e mantermo-nos fiéis ao projeto”, salientou.

https://twitter.com/SportingCP/status/2093459946775912835

Era assim, com uma aparente calma apesar de tudo o que se continua a escrever sobre Luis Suárez ou Inácio (além de Daniel Bragança, que vai para o Torino, e de Pedro Gonçalves, que continua com a ida para a Arábia Saudita “congelada”), que os leões chegavam a Vila do Conde para defrontarem um Rio Ave que se estreou a ganhar na Liga na última jornada no Estoril depois de duas derrotas com Gil Vicente e FC Porto, neste caso com a particularidade de terem cometido apenas uma falta ao longo dos 90 minutos com os dragões. “Em termos coletivos, é uma equipa competitiva defensiva e ofensivamente, forte nos duelos, pragmática. Em alguns momentos, parte a linha defensiva com a linha avançada. Acho que é a segunda equipa com mais duelos ganhos. Demonstra capacidade de ganhar o primeiro duelo na bola longa e, depois, tem dois alas fortes no 1×1, rápidos. Sabemos das dificuldades que vamos encontrar mas queremos dar seguimento ao nosso crescimento”, descrevera Rui Borges, mais uma vez falando nessa palavra-chave: crescimento.

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Queria e conseguiu. Mais: queria e tudo o que podia correr bem, correu ainda melhor entre muito demérito do Rio Ave pela forma suicida como montou as zonas de pressão sem bola na primeira parte. Doumbia foi o médio que Rui Borges tanto precisava, Geny Catamo voltou a soltar o génio de quem não deverá andar muito mais tempo nesta Liga, Luis Suárez fez de vez as pazes com os golos bisando em Vila do Conde. A todos eles juntou-se Flávio Gonçalves. Quando se poderia pensar que tinha os dias contados como titular perante a chegada de Irankunda, o jovem jogador formado nos leões que começou em Vila do Conde voltou a ter uma exibição de gala com muitos traços que se viam no homónimo Pedro quando chegou a Alvalade vindo do Famalicão em 2020. Pote pode ou não sair neste mercado mas o seu herdeiro está mais do que encontrado.

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Ficha de jogo

Rio Ave-Sporting, 0-4

4.ª jornada da Primeira Liga

Estádio do Rio Ave FC, em Vila do Conde

Árbitro: Bruno Costa (AF Viana de Castelo)

Rio Ave: Ennio Gouw; Andreas Ntoi, Petrasso, Gustavo Mancha, Vrousai (Miguel Patrício, 86′); Nikitscher (Antoine Wenck, 74′), Georgios Liavas; Bezerra (Sellouki, 66′), Jalen Blesa (Caike, 86′), Spikic (Galcik, 74′) e Tamble

Suplentes não utilizados: Kevin Chamorro, Jakub Brabec, João Tomé, Pedro Amaral, Rafael, Medina e Samuel Alves

Treinador: Sotiris Silaidopoulos

Sporting: Rui Silva; Iván Fresneda, Debast, Gonçalo Inácio, Maxi Araújo; Sergi Altimira, Doumbia (Silas Andersen, 65′); Geny Catamo (Luis Guilherme, 65′), Zalazar (Irankunda, 80′), Flávio Gonçalves (Ioannidis, 65′) e Luis Suárez (Jesse Derry, 86′)

Suplentes não utilizados: Diego Calai, Vagiannidis, Rodrigo Dias, Eduardo Quaresma, Ibrahima Ba, Pedro Lima e Rafael Nel

Treinador: Rui Borges

Golos: Flávio Gonçalves (5′), Geny Catamo (19′) e Luis Suárez (26′ e 37′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Luis Suárez (51′) e Nikitscher (60′)

Apesar do regresso de Ioannidis às opções e de mais uma semana de trabalho de Irankunda com o grupo, Rui Borges teve uma entrada mais conservadora nas opções iniciais promovendo apenas o regresso de Inácio ao onze onde continuava Luis Suárez na frente. Foi também aí que começou a ser construído o primeiro golo da partida naquela que foi a primeira jogada ofensiva do Sporting na partida: lance de envolvimento entre Maxi Araújo e Gonçalo Inácio, passe do central para Doumbia e grande assistência para a entrada de Flávio Gonçalves no espaço entre lateral e central para atirar em arco na área e marcar à antiga equipa que teve na formação (5′). Havia um reforço de confiança nos verde e brancos, mais soltos na circulação e nas saídas rápidas que conseguiam ir desconstruindo as linhas de pressão do conjunto vila-condense contando também com um Zeno Debast muito autoritário nas tentativas de cruzamento do Rio Ave para a área.

[Clique nas imagens para ver os melhores momentos do Rio Ave-Sporting em vídeo]

A certa altura, pensou-se que pudessem surgir de novo as tais dores (ou dúvidas) de crescimento. O Sporting não conseguia encontrar linhas de passes com a subida das zonas de pressão do Rio Ave, somava alguns passes falhados que podiam trazer outro perigo e estava a ficar demasiado acantonado no seu meio-campo a não ser nos lances em que tentava explorar a profundidade de Luis Suárez. Foi também por aí que voltaram a surgir os protagonistas do primeiro golo: Flávio Gonçalves foi ao primeiro terço ajudar no plano defensivo com uma interceção, Doumbia conduziu a transição rápida até soltar no jovem ala na esquerda e o passe entre corredores encontrou Geny Catamo na direita para um remate ao ângulo que fez o 2-0 (19′). O “festival” não ficaria fechado nesse momento, com uma finta de corpo de Zalazar a ser suficiente para partir a pressão contrária antes do remate ao poste de Geny e da recarga para o 3-0 de Luis Suárez (26′).

Agora sim, o Rio Ave caía. Caía e por completo, ficando não só partido como muitas vezes gosta de fazer em seu proveito aos adversários como perdido em campo à espera que aparecesse uma pausa chamada intervalo para evitar males maiores. Como essa preocupação de fachada com os atletas que apareceu no Mundial na forma de “paragem para hidratação” mas que na verdade era “paragem para ganhar milhões” não chegou às principais ligas europeias, o Sporting aproveitou para fazer o que quis percebendo que bastava passar a primeira linha de pressão de quatro e os dois médios que andavam perdidos para chegar com perigo ao último terço. Foi assim que, após um grande passe de Suárez com Geny cortado por Van der Gouw, Zalazar passou o guarda-redes mas atirou por cima (36′). Foi assim que, numa jogada onde um toque fantástico de Flávio Gonçalves criou o desequilíbrio, Suárez bisou com um grande remate após passe de Maxi Araújo (37′).

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A descontração era visível na equipa leonina, com várias conversas animadas no túnel de acesso ao relvado entre jogadores antes de uma segunda parte onde Sotiris Silaidopoulos procurava ter uma resposta por parte dos mesmos 11 elementos ao autêntico descalabro com muitas culpas próprias que foi a metade inicial. Ao mesmo tempo, esta era também uma “oportunidade” para o Sporting mostrar que começava a ganhar outra capacidade de segurar vantagens, jogos e balizas a zero, algo que ainda não tinha acontecido até agora em jogos oficiais. Foi isso que se viu até aos primeiros momentos de substituições, com mais jogo em posse e circulação dos leões sempre com Flávio Gonçalves em destaque sempre que tocava na bola antes de ser um dos substituídos na primeira “leva” em que entraram Silas Andersen, Luis Guilherme e Ioannidis.

Numa partida que tinha pouco ou nada a ganhar, Rui Borges encontrava espaço para uma mexida que não correu bem na Amadora com o Estrela mas que deixou o técnico muito satisfeito quando foi testada em jogos particulares: colocar Silas Andersen e Altimira em simultâneo no meio-campo. Também isto correu bem. As oportunidades na segunda parte foram escassas junto das duas balizas, com Luis Guilherme, Irankunda e por fim Jesse Derry a tentarem agitar as águas a partir das alas mas sem efeitos práticos a não ser um tiro em arco do brasileiro que ficou nas mãos do guarda-redes contrário (78′). A história da partida estava mais do que contada, depois de uma ponta final em que só mesmo a conexão Suárez-Ioannidis, que na última temporada tanto prometeu em alguns jogos, não conseguiu alcançar qualquer ponto de ignição.

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[De regresso a Portugal, Carvalhão Gil garante que não se vendeu aos russos e que nem sequer sabia que o homem com quem foi detido trabalhava para o SVR. Para ele, era só um “parceiro de negócios”. Mas as buscas às casas do espião contam uma história diferente: a PJ encontra milhares de euros escondidos em casacos, gavetas e envelopes; dezenas de documentos secretos espalhados pelas várias divisões; e até um revólver dissimulado numa estante. Já está disponível o quinto episódio do novo Podcast Plus “A Vida Dupla do Espião Traidor”. Pode ouvir no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no YouTube.]