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(A) :: A pólvora do Pistoleiro na melhor homenagem a Baresi: AC Milan vence Veneza com golo de Ramos numa noite especial para Amorim em San Siro

A pólvora do Pistoleiro na melhor homenagem a Baresi: AC Milan vence Veneza com golo de Ramos numa noite especial para Amorim em San Siro

AC Milan demorou a chegar à vantagem, Gonçalo Ramos falhou várias oportunidades mas, no momento decisivo, disparou o tiro decisivo em noite de estreia para Ruben Amorim e de homenagem a Baresi (2-0).

Bruno Roseiro
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Os resultados e as exibições mantinham a dúvida, o arranque da Serie A mostrou que há motivos para olhar para o AC Milan de uma outra forma. Agora, no dia em que se ficou a saber que o Benfica irá defrontar os rossoneri na Liga Europa no reencontro com Ruben Amorim, Gonçalo Ramos e Diego Moreira, era a vez de San Siro evidenciar também o seu estado de espírito em relação à nova era iniciada no clube na sequência da saída de Massimiliano Allegri depois de um tenebroso final de época que afastou a equipa da Champions. E com uma “ajuda” de fora: as palavras de um dos senadores do futebol transalpino, Fabio Capello. “Já se começa a ver o dedo do treinador. Primeira parte intensa, vontade de pôr em prática o trabalhado, uma boa adaptação de Chukwueze. Depois, quando entraram os melhores, o jogo mudou”, apontou o ex-técnico.

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A vitória frente ao Torino não deixou de ser apenas uma vitória, mas aumentou e muito a confiança naquilo que tem vindo a ser trabalhado pelo técnico português desde que chegou a Itália, depois da passagem longe de qualquer sucesso pelo Manchester United. Mais: ao contrário do que aconteceu em Old Trafford, sentia-se que começava a ver uma outra empatia entre adeptos e treinador, algo que chegava até à própria imprensa. Agora, mais do que uma segunda jornada da Serie A, Amorim “jogava” com outro aspeto: a realização de um sonho. E, antes dessa luta pelos três pontos frente ao Veneza que ganhou a Serie B na última temporada, o momento era de desfrutar a possibilidade de treinar no seu estádio a equipa da qual é adepto.

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“Sigo o AC Milan desde criança mas também sou adepto do Benfica. Lembro-me bem dos anos 80 e 90, da final [da Taça dos Clubes Campeões Europeus] com o golo do Rijkaard. Esse jogo foi duro para mim e para a minha família. É um clube com uma identidade, sem pressão sobre a qualidade do jogo. Lembro-me do Capello, dos 58 jogos sem perder, das 80 vitórias em casa. Lembro-me dos detalhes. O passado do AC Milan não é apenas ofensivo mas da equipa. Tivemos Gullit, Seedorf e outros grandes jogadores mas o mais importante era sempre o coletivo. Quero fazer parte desta família, é uma grande responsabilidade. Sei que é muito duro vencer para os estrangeiros. É um grande desafio, vamos ver”, disse na apresentação.

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“Será um dia especial, a minha primeira vez em San Siro, e vou tentar desfrutar. Espero um jogo muito difícil. Teremos de correr muito. Eles vão querer ter a bola e farão uma marcação homem a homem muito forte no início. Não podemos subestimar as equipas mais pequenas, são sempre três pontos. Também vamos ter quebras, não estaremos necessariamente sempre a evoluir. O importante é sermos consistentes”, acrescentou agora, antes do arranque da segunda jornada da Serie A, numa conferência de imprensa que ficou sobretudo marcada por questões de mercado e pela situação mais “difícil” do português Rafael Leão.

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“Entendo a pergunta mas falaremos sobre isso daqui a cinco dias, quando o mercado fechar. É difícil para mim falar sobre isso agora. O Leão é um grande jogador, já disse no passado que com a mentalidade certa poderia jogar em qualquer equipa do mundo. É precisamente essa mentalidade que é necessária. Às vezes, no futebol, é melhor ir para outro lado, e estamos no meio dessa situação. Mais saídas? Mesmo que um jogador não faça parte do projeto, não significa que tenha de sair. São excelentes jogadores e excelentes rapazes, mas é impossível treinar com demasiados jogadores porque ninguém conseguiria preparar-se para os jogos”, apontou também a propósito das atuais situações de Tomori, Fofana e Santi Giménez, entre outros.

Estou muito feliz com a equipa, embora não saibamos o que vai acontecer até final do mercado. Se chegar outro jogador, será porque nos pode ajudar no presente e no futuro. A defesa? Não podemos resolver todos os problemas numa única janela, até porque as escolhas serão feitas para os próximos quatro/cinco anos. Será preciso tempo, especialmente para os jovens”, frisou.

Numa partida marcada por múltiplas homenagens em San Siro ao eterno capitão rossoneri, Franco Baresi, incluindo um minuto de silêncio (ou de palmas) que começou com a colocação da camisola número 6 no lugar que costumava ocupar na tribuna entre muitas lágrimas, Ruben Amorim fez duas alterações na estrutura inicial com as entradas de Bartesaghi e Luka Modric para os lugares de Estupiñan e Jashari, tendo na mesma Adrien Rabiot e Pulisic no banco ainda à procura do melhor momento físico. A ideia, essa, continuava lá. E foi com essa ideia que desde início começou a controlar a partida, teve uma primeira grande oportunidade num lance em que Stankovic tirou o golo a Gonçalo Ramos isolado na área (12′).

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O passar dos minutos foi tirando algum discernimento à equipa, que sabia ler a linha alta que o Veneza tinha atrás assumindo o risco de levar bolas na profundidade mas colocando maiores dificuldades na construção a partir de trás dos rossoneri. Faltava sempre algo. O timing de aceleração, a definição do último passe, o movimento que desconstruísse a teia montada pelo adversário. E foi isso que deu confiança aos visitantes, com duas ameaças à baliza de Maignan até aos 25′ que podiam ter levado mais perigo antes de novo período por cima do AC Milan com Gonçalo Ramos a ser protagonista pelas piores razões, não conseguindo marcar de novo na área após passe de Loftus-Cheek (33′) e falhando o mais difícil após passe de Chukwueze (36′).

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O nulo persistia e nem mesmo a bola parada servia para desbloquear a partida, com Musah a aproveitar uma bola mal cortada na área após cruzamento de Modric para acertar na trave (56′). Estava na hora de mexer, com Ruben Amorim a lançar Alexis Saelemaekers e Rabiot numa fase em que o jogo estava a partir e havia um Veneza a sair melhor em transições tentando aproveitar o espaço que começava a surgir. Ramos teve mais um desvio de cabeça por cima (61′) mas tudo haveria de entrar na linha pouco depois e logo no lance em que seria mais complicado marcar, com um remate cruzado de pé esquerdo após assistência de Saelemaekers que entrou no ângulo inferior contrário sem hipóteses para Stankovic (69′). Estava sentenciada a melhor homenagem de San Siro a Baresi e do próprio Amorim a Baresi, mostrando uma equipa que ainda está longe daquilo que pode render mas que entra apostada a “recuperar” um clube histórico no futebol e que chegaria na parte final ao 2-0 num lance estranho em que Halhal tocou para a própria baliza (89′).

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