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(A) :: Contra proibição dos talibãs que raparigas estudem após o 6º ano, pais e professores criam turmas clandestinas

Contra proibição dos talibãs que raparigas estudem após o 6º ano, pais e professores criam turmas clandestinas

Há quatro anos proibidas de estudar após o 6.º ano, raparigas no Afeganistão fogem por caves e variam trajetos para aceder a milhares de turmas secretas.

Larissa Faria
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Em março de 2022, as raparigas que vivem no Afeganistão foram proibidas pelo regime talibã de frequentar a escola após o sexto ano (quando têm entre 11 e 12 anos de idade). A ordem foi anunciada como “temporária”, mas já dura há quatro anos. Aquelas que desobedecem e são descobertas podem ser presas e há outras que chumbam de propósito ou rasgam os seus exames finais numa tentativa de continuar a frequentar as salas de aula, segundo uma reportagem do The New York Times, para a qual foram entrevistados 50 estudantes, professores e pais.

Aquele país no Médio Oriente é o único no mundo a impossibilitar mulheres de ingressar no ensino superior só pelo seu género — entre o 6º e o 12º ano, ainda há escolas clandestinas, mas o mesmo não ocorre nas universidades. O sonho de seguir uma carreira ou profissão deixou de ser possível. Para fugir a este sistema pelo menos durante a fase de aprendizagem na adolescência, pais e professores têm criado turmas secretas para que cerca de 2,5 milhões de raparigas possam continuar a estudar. As instituições de ensino desconhecidas do regime já chegam às “milhares”, segundo o jornal.

O regime só permite que as raparigas estudem em escolas religiosas, usando roupas pretas da cabeça aos pés. O conteúdo transmitido nas aulas é aquele aprovado segundo os preceitos dos talibãs. A proibição de frequentar uma instituição de ensino tem privado as jovens do contacto social e de ter uma perspetiva de autonomia financeira no futuro. A queda no número de alunas causou ainda a demissão de muitos professores e a diminuição do ordenado de outros.

Com medo das punições do regime, há pais que proíbem as filhas de frequentar as aulas. Mas há até mesmo entre os membros do regime aqueles que discordam da proibição e não denunciam as escolas clandestinas das quais têm conhecimento. Os professores, em alguns dos casos, ensinam gratuitamente ou são voluntários de outros países que oferecem aulas online. E há ainda diretores que oferecem os estudos [que são pagos] aos filhos de oficiais talibãs para que em troca estes não denunciem as turmas das jovens mais velhas.

Algumas das turmas para adolescentes ficam escondidas em escolas que já existiam e que são sujeitas à inspeção do regime sem prévio aviso. Uma rapariga disse ao jornal que ela própria e as colegas têm de fugir pelas traseiras da escola ou correr para uma cave escura quando os inspetores aparecem.

No caminho até à escola, as alunas evitam andar em grupos e variam os trajetos para não chamar a atenção. A mesma reportagem refere que os professores e organizações humanitárias apontam para o aumento dos pensamentos suicidas e de automutilação entre as meninas, tal como o das taxas de casamento infantil. Segundo a UNESCO, nove em cada 10 crianças afegãs com 10 anos não conseguem ler um texto adequado à sua idade e apenas uma em cada quatro mulheres afegãs é alfabetizada.

[De regresso a Portugal, Carvalhão Gil garante que não se vendeu aos russos e que nem sequer sabia que o homem com quem foi detido trabalhava para o SVR. Para ele, era só um “parceiro de negócios”. Mas as buscas às casas do espião contam uma história diferente: a PJ encontra milhares de euros escondidos em casacos, gavetas e envelopes; dezenas de documentos secretos espalhados pelas várias divisões; e até um revólver dissimulado numa estante. Já está disponível o quinto episódio do novo Podcast Plus “A Vida Dupla do Espião Traidor”. Pode ouvir no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no YouTube.]