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Investigadores australianos criam baratas ciborgue para entregar medicamentos a vítimas de sismos e desabamentos

Equipadas com câmaras e seringas, as "paraborgs" chegam a locais inacessíveis a humanos, onde pessoas podem estar soterradas. Experiências de entrega dos medicamentos teve uma taxa de sucesso de 72%.

Manuel Nobre Monteiro
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Um grupo de investigadores australianos está a desenvolver baratas ciborgue equipadas com câmaras e medicamentos que poderão, no futuro, ser utilizadas em operações de busca e salvamento de pessoas que possam estar presas na sequência de sismos ou desabamentos, noticiou a agência Reuters.

A equipa da Universidade de Queensland e da Universidade de Nova Gales do Sul criou os chamados “paraborgs“, baratas reais controladas remotamente através de implantes que permitem orientar os seus movimentos. O objetivo é que os insetos consigam chegar a locais demasiado estreitos ou perigosos e transportar medicamentos até às vítimas antes da chegada das equipas de socorro.

“Muitas pessoas podem não gostar de ver uma barata gigante a correr na sua direção, mas, se estiver preso nos escombros ou numa gruta e precisar de ajuda, isso pode fazer a diferença entre a vida e a morte”, afirmou Hai Nhan Le, coautor do estudo, publicado na revista científica Advanced Science.

Para a investigação, os australianos utilizaram baratas gigantes escavadoras do norte do país, consideradas a espécie de barata mais pesada do mundo, que pode atingir 8,5 centímetros de comprimento. Os insetos foram equipados com pequenas mochilas com seringas e câmaras.

Os cientistas explicaram que optaram por utilizar insetos reais porque nenhum robô consegue, atualmente, reproduzir a combinação de “agilidade, resistência e baixo consumo de energia das baratas”.

“Começámos por anestesiar o inseto, imobilizando-o para garantir que não sente nada durante o processo de implantação”, explicou Thang Vo-Doan, também coautor do estudo. “Depois de implantarmos um elétrodo no inseto (que permite controlar os seus movimentos), podemos aplicar um pequeno sinal elétrico para ativar ou estimular o sistema nervoso, de modo a que responda aos nossos comandos”.

Nos testes, uma das baratas funcionou como “observadora”, transportando uma câmara para localizar os alvos, enquanto uma segunda carregava os medicamentos, que podiam ser administrados remotamente. Os insetos chegaram a todos os pontos de controlo definidos, com uma taxa de sucesso de 100%. No conjunto das experiências, a entrega dos medicamentos teve uma taxa de sucesso de 72%.

Entre os principais desafios estão a circulação em terrenos complexos, a perda do sinal no interior das estruturas desabadas e a segurança da administração das injeções.

O estudo salienta, ainda, que as regras éticas para a investigação com insetos não estão uniformizadas, mas garante que durante a experiência as baratas foram mantidas num “ambiente adequado” e alimentadas com folhas secas de eucalipto e maçãs.