Tadej Pogacar também é humano. Essa foi a grande ilação a retirar de mais uma etapa de montanha desta Volta a Espanha, realizada na quinta-feira. Ainda assim, como em tantas outras circunstâncias, o lado mais humano do campeão do mundo foi suficiente para garantir nova vitória de etapa numa Vuelta que chegou a esta sexta-feira com apenas dois vencedores de etapa: o camisola roja (três) e o sprinter da Visma-Lease a Bike, Matthew Brennan (duas). Como se perspetivava, o ataque do líder da UAE Team Emirates-XRG ficou reservado para a parte final do Puerto El Bartolo, pouco antes da entrada no sterrato. A partir daí, Pogacar deixou para trás, um a um, os ciclistas que seguiam em fuga, mas na parte final acabou por quebrar, segundo o próprio e a equipa por uma falha na comunicação interna da corrida, e foi alcançado por Enric Mas (Movistar), que se voltou a apresentar ao melhor nível quatro anos depois. Na descida, o líder ainda tentou atacar, quase caiu, mas viria a vencer, de forma natural, ao sprint, depois de os dois colaborarem.
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“Tínhamos um plano de deixar a fuga de hoje [quinta-feira] acontecer, mas a formação da fuga demorou quase duas horas, pelo que tivemos que assumir o controlo da prova na segunda metade da etapa. João [Almeida] e Kevin [Vermaercke] fizeram um ótimo trabalho para manter tudo sob controlo. Pudemos ir para a vitória de etapa com Pavel [Sivakov], Jay [Vine] e Pablo [Torres] na liderança na subida, a preparar o terreno para um ataque perfeito meu. Fui surpreendido no topo. Ele [Enric Mas] passou por mim a voar como um foguete. Não estava à espera porque ouvi no rádio que eu estava na liderança com 30 segundos para os perseguidores. Não houve menção ao Enric. Fiquei um pouco chocado e tinha a certeza de que ele conhecia a descida. Fiquei feliz por tê-lo nos últimos 10 quilómetros com vento contra, porque estava sem água. Foi bom ter um companheiro ao meu lado. No final sabia que podia vencê-lo ao sprint“, assumiu Pogacar no final da etapa.
Para esta sexta-feira estava prevista a primeira chegada em alto — a contar — desta Volta a Espanha, com partida em Vall d’Alba e chegada, 149,8 quilómetros depois, em Aramón Valdelinares. Pelo meio havia que passar por Puerto El Remolcador (12,4 km a 4,4%), Alto de Zucaina (5,5 km a 4,8%), Puerto de Fuente de Rubielos (5,4 km a 6,3%) e Puerto de San Rafael (11,2 km a 4,4%), bem perto da meta, instalada em Aramón Valdelinares (9,8 km a 5,9%), a quase dois mil metros de altitude. Com quase 3.750 metros de desnível positivo acumulado, esta sétima etapa convidava os fugitivos em mais um percurso de altos e baixos.
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E assim foi. Os ataques apareceram em catadupa logo no início e, das equipas da geral, só Emirates, Red Bull-Bora-hansgrohe, Alpecin-Premier Tech, XDS Astana e Lotto Intermarché não se fizeram representar. Wout van Aert (Visma-Lease a Bike), Eddie Dunbar (Pinarello Q36.5), Alexey Lutsenko (NSN) e Tobias Halland Johannessen e Andreas Leknessund (Uno-X Mobility) acabaram por abrir uma brecha para o restante grupo, que chegou a aproximar-se dos dois minutos, mas aproximou-se dos 60 segundos na terceira contagem de montanha do dia, antes do sprint intermédio conquistado pelo belga.
Se, na frente, o quinteto continuou junto em San Rafael, o mesmo não se pode dizer do grupo perseguidor, que foi dizimado pela Soudal Quick-Step. No pelotão continuou a tranquilidade, com a Emirates a controlar na subida com João Almeida, embora Luca van Boven (Lotto) tenha sofrido uma queda aparatosa, na qual embateu contra a parede de uma casa. Leknessund foi o primeiro a atacar na dianteira, a sete quilómetros do alto, e partiu em solitário em busca da vitória. Atrás, Juan Rodríguez (EF Education-EasyPost) e Iván Ramiro Sosa (Kern Pharma) saltaram do segundo grupo. A Decathlon CMA CGM também acabou por partir o pelotão, deixando Jarno Widar (Lotto) e Mattias Skjelmose (Lidl-Trek) para trás.
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Na parte final da subida, Felix Gall (Decathlon) correspondeu ao trabalho dos companheiros com um ataque que só encontrou resposta de Pogacar e Mas. Consumada a primeira vitória de Andreas Leknessund numa Grande Volta, depois de ter liderado a Volta a Itália em 2023, a Uno-X fechou ainda no segundo lugar com Johannessen, que deixou Van Aert para trás. Quanto aos favoritos, ainda houve tempo para o líder atacar na fase mais dura e ganhar mais seis segundos a Gall e 16 a Mas, com Sepp Kuss (Visma), Primoz Roglic (Red Bull) e Oscar Onley (Netcompany Ineos) a perderem 29 segundos para o líder.
Na geral, Tadej Pogacar colocou em 3.50 minutos a sua vantagem para Enric Mas, que tem agora um minuto face a Primoz Roglic (está a 4.50). Richard Carapaz (EF Education) caiu do quarto para o sétimo lugar (6.12), a 6.12 do esloveno, perdendo posições para Felix Gall (a 5.01), Sepp Kuss (6.05) e Oscar Onley (6.06). João Almeida chegou no 111.º lugar, a 20.20 do colega de equipa, e caiu oito posições na geral (112.º a 1.09,06 horas).
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