Um homem de 86 anos recuperou a mochila e parte do equipamento de escalada que tinha deixado para trás há cerca de 60 anos, depois de ter caído numa fenda de um glaciar na Áustria.
Entre os objetos encontrados estavam um machado de gelo, uma câmara fotográfica e um cachimbo. Os pertences foram descobertos no glaciar Sulztalferner, na região do Tirol, a uma altitude de 2.955 metros (9.700 pés) acima do nível do mar, por um turista que caminhava na zona.
O turista comunicou a descoberta às autoridades austríacas, que iniciaram uma investigação para identificar o proprietário dos objetos. Apesar de os documentos encontrados estarem bastante deteriorados, a polícia conseguiu determinar a identidade do dono e localizá-lo. Foi, assim, possível devolver-lhe os pertences que tinham permanecido no glaciar durante seis décadas.
O homem atravessava o glaciar com um grupo de amigos em agosto de 1963, quando caiu numa fenda. O grupo de alpinistas estava unido por cordas, o que permitiu aos restantes elementos resgatá-lo e salvar-lhe a vida.
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Segundo a investigação da polícia, o alpinista retirou a mochila das costas para reduzir o seu peso e reduzir o esforço dos amigos durante o resgate. A mochila acabou, assim, por permanecer no glaciar durante cerca de 60 anos.
Devido à idade do homem e a vários problemas de saúde graves, não foi possível fazer a entrega dos objetos pessoalmente. As autoridades entregaram os pertences ao seu filho, cuja identidade não foi divulgada.
O degelo dos glaciares revela objetos com décadas de história
O recuo acelerado dos glaciares europeus, impulsionado pelo aquecimento global, tem permitido a descoberta de objetos e vestígios que permaneceram preservados durante centenas ou, até, milhares de anos.
Com o degelo, têm sido encontrados restos mortais humanos, equipamentos perdidos, objetos históricos e até plantas e animais associados a estes ecossistemas.
Uma das descobertas mais extraordinárias ocorreu em 1991, quando dois turistas alemães encontraram um corpo humano mumificado nos Alpes de Ötztal, perto da fronteira entre a Itália e a Áustria.
O corpo pertencia a um homem que viveu há cerca de 5.300 anos e que ficou conhecido como “Ötzi, o Homem do Gelo”. O corpo, que tinha várias tatuagens, encontra-se atualmente em exposição num museu em Bolzano, Itália.