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(A) :: Elevador da Glória. Investigação ao acidente tem três arguidos: ex-diretor da Carris, o gerente da MNTC e a própria empresa de manutenção

Elevador da Glória. Investigação ao acidente tem três arguidos: ex-diretor da Carris, o gerente da MNTC e a própria empresa de manutenção

Investigação aponta para crime de violação de regras de segurança agravado pelo resultado morte. Estão constituídos arguidos Filipe Fraga, Gustavo Pita Soares e a MNTC, a empresa de manutenção.

Manuel Nobre Monteiro
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A investigação ao acidente do Elevador da Glória, que matou 16 pessoas e feriu outras 24 no dia 3 de setembro de 2025, já conta com três arguidos. Além da própria MNTC, empresa que deixou de ter contratos de manutenção após a tragédia, estão constituídos arguidos Filipe Fraga, antigo diretor de Manutenção do Modo Elétrico da Carris, e Gustavo Pita Soares, gerente da MNTC, avançou esta sexta-feira o jornal Público.

O Ministério Público está a conduzir a investigação através de um procurador do Departamento de Investigação e Ação Penal Regional (DIAP) de Lisboa, contando pontualmente com a colaboração da Polícia Judiciária. O processo já envolveu várias perícias e, de acordo com o mesmo jornal, a intenção é que a investigação termine com uma acusação até ao final deste ano.

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Uma das hipóteses em análise é a prática do crime de violação das regras de segurança, agravado pelo “resultado morte”. A lei prevê uma pena de três a dez anos de prisão para este crime, podendo baixar para dois a oito anos se estiver em causa uma atuação negligente.

O cabo utilizado — que não cumpria especificações, não era adequado para transportar pessoas e não podia ser usado com destorcedor —, um processo de contratação desleixado e uma montagem sem procedimentos definidos desencadearam o acidente, de acordo com o relatório preliminar do Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e Acidentes Ferroviários (GPIAAF), divulgado no final do ano passado.

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O Ministério Público estará, também, a investigar outros procedimentos relacionados com a manutenção dos elevadores da Glória e do Lavra, que tinham um sistema de funcionamento semelhante. Estes equipamentos não estavam sujeitos à supervisão do Instituto da Mobilidade e dos Transportes.

Os sistemas de travagem estão, igualmente, sob escrutínio. Segundo os elementos que constam do processo, os travões poderão ter sido intencionalmente desafinados por causarem dificuldades na descida das cabines.

A investigação poderá, ainda, abranger responsáveis de outros níveis da Carris, caso fique demonstrado que problemas relacionados com o equipamento ou com os procedimentos de segurança eram conhecidos dentro da empresa. A Carris é uma empresa municipal detida integralmente pela Câmara Municipal de Lisboa.