Na manhã desta sexta-feira, a Casa Real da Noruega anunciou a morte do Rei Harald V, o mais velho num trono na Europa. O monarca, que herdou a função há trinta e cinco anos, estava internado desde 17 de agosto com anemia hemolítica no Hospital Nacional, em Oslo. O estandarte instalado no topo do Palácio Real daquele país nórdico foi colocado a meia-haste, em sinal de luto pela morte do monarca. O período de luto nacional ocorre até ao dia em que se realizar o funeral de Estado, com data ainda por anunciar.
Na quinta-feira, enquanto o Rei estava hospitalizado, todos os compromissos da rainha Sonja e do príncipe herdeiro Haakon foram cancelados devido a agravamento no quadro de saúde de Harald V, anunciou a família real norueguesa. Ao longo da noite, flores e velas foram colocadas por várias pessoas em frente ao palácio de Oslo. Após o comunicado da morte de Harald V, a Casa Real publicou, também, uma retrospetiva da sua vida em vídeo.
Reações de chefes de Estado e casas reais
As famílias reais e os chefes de Estado de vários países reagiram à morte do Rei Harald V, de quem recordaram a história de vida e apresentaram as condolências ao povo norueguês. Em algumas das mensagens, aproveitaram também para desejar boa sorte a Haakon na continuação do trabalho de Harald V.
O Presidente António José Seguro recebeu com “profundo pesar” a notícia da morte. O Rei Harald, escreveu Seguro numa nota no site da Presidência, “foi uma figura de referência e de união para o povo norueguês, tendo-se dedicado de forma incansável ao serviço do seu país e do seu povo”. O líder português recordou “com particular apreço” a visita do Rei e da Rainha da Noruega a Portugal em 2008, “ocasião que contribuiu para estreitar os já excelentes laços de amizade e cooperação entre os dois países”. Seguro expressou as suas condolências, afirmando que “Portugal guardará uma memória de profundo respeito e amizade por Sua Majestade”.
Também o Ministério dos Negócios Estrangeiros expressou “as mais sentidas condolências pelo falecimento” do monarca. Numa nota publicada no X, o ministério tutelado por Paulo Rangel afirmou que está solidário com o “povo norueguês, diante da memória do Rei Harald V, referência moral que soube casar a tradição com a modernidade e o progresso”.
https://twitter.com/nestrangeiro_pt/status/2093297068206928303
Numa publicação no Instagram, o primeiro-ministro norueguês Jonas Gahr Støre declarou o luto de “uma nação inteira”: “Ao longo de mais de três décadas como Rei, Harald V demonstrou uma fé inabalável no povo norueguês. Ajudou-nos a ver o melhor em nós próprios e uns nos outros”, disse.
“O Rei Harald encontrou as palavras que nos uniram quando mais importava. Chorou connosco após o 22 de julho de 2011 [quando 77 pessoas morreram num massacre em Oslo e na ilha de Utoya]. Celebrou connosco quando os atletas noruegueses alcançaram os pontos mais altos. E liderou pelo exemplo com carinho, sabedoria e abertura para uma sociedade com lugar para todos. O Rei Harald amava a Noruega. E a Noruega amava o seu Rei”, escreveu Jonas Gahr Støre.
No mesmo texto, foi anunciado que o Governo realiza ainda esta sexta-feira um conselho de ministros seguido de um encontro com o novo Rei para um conselho de Estado extraordinário no Palácio Real. O Ministro dos Negócios Estrangeiros da Noruega, Espen Barth Eide, disse numa nota oficial que considera o Rei “um interlocutor próximo e sábio“. Espen, que participava em reuniões semanais com Harald V no Palácio Real, disse “valorizar profundamente as suas sábias reflexões sobre o estado do mundo”.
O agora falecido Rei da Noruega é primo em segundo grau da falecida Rainha Isabel II do Reino Unido, sendo portanto primo em segundo grau afastado do Rei Carlos III. O monarca britânico afirmou numa publicação no Instagram que Harald V “serviu o seu povo com uma dedicação inabalável, guiando a Noruega através de tempos de grandes mudanças com afeto e humildade“. A relação familiar foi recordada por Carlos III, que descreveu Harald como “um parente e amigo muito querido, cuja bondade, compaixão e profundo sentido de dever ecoaram do outro lado do mar e ao longo das décadas”.
Também a ligação entre os países foi destacada. “O Reino Unido e a Noruega partilham laços históricos e familiares particularmente estreitos, tendo a Grã-Bretanha sido um dos primeiros países a reconhecer a independência norueguesa e a estabelecer relações diplomáticas em 1905. Estes laços especiais foram ainda mais fortalecidos durante as terríveis provações da Segunda Guerra Mundial e ajudaram a unir os nossos dois países”.
Um dos padrinhos de batismo de Haakon, o Rei Carl Gustaf da Suécia descreveu a história de vida do Rei Harald V como “excecional”. “Após enfrentar as privações da guerra e do exílio durante a infância, pôde regressar com a sua família a uma Noruega livre e testemunhar o notável desenvolvimento da nação ao longo do século XX, antes de suceder ao seu pai como Rei da Noruega”, disse o Rei da Suécia, a descrever Harald V como um “bom amigo” e também um “representante extraordinário do seu país”, desejando ainda ao agora Rei Haakon “os maiores sucessos e felicidades na missão que tem pela frente ao serviço da nossa nação irmã e do seu povo”.
Os Reis Willem-Alexander e Máxima e a princesa Beatriz dos Países Baixos afirmaram na sua página no Instagram que Harald “serviu o seu país com amor, orgulho e dedicação”, recordando “os momentos que passámos juntos a explorar Oslo e o norte do país, que foram verdadeiramente inesquecíveis”. A família destacou Harald “pela sua capacidade de amizade e por unir as pessoas“.
Para a Casa Real de Espanha, Harald foi referido num story no Instagram como um “exemplo de responsabilidade, dignidade, simplicidade e dedicação incansável ao serviço da Noruega e do seu povo, antes e durante os seus trinta e cinco anos de reinado”.
“Harald V significava muito para a minha mãe e para nós ambos. Com o seu humor caloroso e seco e a sua calma inabalável, o ‘tio’ Harald fazia com que os outros se sentissem confortáveis e à vontade na sua presença. Era um homem extraordinário, com um brilho no olhar e um grande coração“, escreveram o Rei Frederik X e a Rainha Mary da Dinamarca numa publicação no Instagram, onde escreveram diretamente para o herdeiro do trono, Haakon: “Assumes agora o teu papel como Rei. É um papel que sabemos que irás desempenhar com a mesma honra e dignidade do teu pai”.
O futebolista norueguês Erling Haaland também se pronunciou através do Instagram: “Descanse em paz, Rei Harald. Obrigado por tudo o que significou para a Noruega. Foi uma honra conhecê-lo“.

O Presidente de França reagiu à morte do monarca. “É com profunda tristeza que tomo conhecimento do falecimento de Sua Majestade o Rei Harald, que trabalhou incansavelmente, ao longo de todo o seu reinado, para fortalecer os laços que unem a Noruega e a França”, escreveu Emmanuel Macron na rede social X.
Giorgia Meloni, a primeira-ministra de Itália, expressou “o mais profundo pesar” pelo falecimento do Rei. “Um Soberano que serviu a sua Nação com equilíbrio, autoridade e profundo senso das instituições, contribuindo para fortalecer, ao longo do seu longo Reinado, os laços entre a Noruega e Itália. À Família Real e a todo o povo norueguês, apresentamos as nossas mais sentidas condolências e a nossa sincera solidariedade”, afirmou também no X.
https://twitter.com/GiorgiaMeloni/status/2093255939423863129
Friedrich Merz, por seu turno, desejou “muita força à Família Real e ao povo norueguês”. “O falecimento do Rei Harald V toca-nos a todos. A Noruega perdeu uma grande personalidade, que representava a serenidade e a união”, escreveu o chanceler da Alemanha nas redes sociais.
Também o presidente do Conselho Europeu recebeu “com profundo pesar” a notícia. No X, António Costa afirmou que Harald “dedicou a sua vida ao serviço do povo norueguês e era altamente respeitado, tanto no seu país como no estrangeiro”. “O seu longo e dedicado serviço à sua nação será recordado com grande respeito”, acrescentou.
Ursula von der Leyen apresentou as “condolências ao povo da Noruega”. “Durante mais de três décadas, [Harald] serviu o seu país com calor humano, humildade e um inabalável sentido do dever. Nos momentos de alegria e de tristeza, uniu os noruegueses. Foi um verdadeiro europeu e um servidor dedicado do seu povo ao longo de toda a sua vida”, escreveu a presidente da Comissão Europeia, sublinhando que “as suas palavras continuarão a ecoar: ‘Tudo pela Noruega'”.
Harald V, de 89 anos, era casado com a rainha Sonja da Noruega, com quem completaria 58 anos de matrimónio no sábado, dia 28 de agosto. Juntos, o Rei e a Rainha tiveram dois filhos: a princesa Martha Louise e o príncipe herdeiro Haakon, que assumirá o trono real. “O meu maior desejo para a Noruega é que sejamos capazes de cuidar uns dos outros. Que continuemos a construir este país com base na confiança, na comunidade e na generosidade. Que sintamos que, apesar de todas as nossas diferenças, somos um só povo. Que a Noruega é uma só”. A declaração de Harald V em 2016 no Palácio Real de Oslo foi recordada pela casa real norueguesa num story no Instagram.
A morte do Rei ocorre num momento já difícil para a família: o transplante recente de pulmão da princesa herdeira Mette-Marit, que teve o nome envolvido nos ficheiros do caso Epstein; a condenação e prisão de Marius Borg; a saída do príncipe Sverre Magnus da Noruega para o início dos estudos em Lisboa (a sua irmã Ingrid Alexandra vai estudar em Oslo) e os problemas de saúde da rainha Sonja. Haakon terá a missão não só de dar continuidade ao trabalho do seu pai mas, também, de recuperar a confiança na monarquia no seu país.
Artigo atualizado às 13h20 desta sexta-feira com mais reações à morte do Rei