O secretário-geral do PCP destacou esta quinta-feira a Festa do Avante! como um “grande espaço de afirmação de esperança” e desvalorizou a polémica com o convite à Frente Popular para a Libertação da Palestina, classificada como grupo terrorista.
Paulo Raimundo visitou esta quinta-feira a Quinta da Atalaia, no Seixal (distrito de Setúbal), o espaço onde vai decorrer nos dias 4, 5 e 6 de setembro mais uma edição da Festa do Avante!, que celebra 50 anos desde a primeira edição.
“Num tempo onde aquilo que procuram impor na sociedade é o ódio, a mentira, a demagogia, a falsidade, o salve-se quem puder, numa altura em que nos procuram dividir, a Festa do Avante! é também, para além de tudo, para além do desporto, da cultura, da arte, da gastronomia, é acima de tudo um grande espaço de afirmação de esperança, de construção coletiva, de que é possível um mundo melhor, de que é possível um país melhor, de que é possível uma vida melhor para cada um de nós”, afirmou.
Em declarações aos jornalistas, o secretário-geral comunista indicou que o Avante! é também “uma grande festa de esperança, de confiança, de afirmação de que é possível, de que não estamos sós, de que ombro a ombro, braço a braço, todos juntos, é possível construir um país melhor”.
Raimundo considerou que se trata também de um “grande momento para carregar baterias para um ano, um pós-setembro, que terá de ser muito intenso”.
O PCP quer aproveitar a sua “rentrée” para fazer prova de vida: “A mensagem é de cá estamos, não para celebrar o passado, mas para, no presente, continuar a construir o futuro, é isto que vamos fazer nesta festa”.
Na ocasião, Paulo Raimundo foi também questionado sobre a notícia da revista Sábado segundo a qual uma das organizações internacionais convidadas pelo PCP para a Festa do Avante!, a Frente Popular para a Libertação da Palestina, faz parte da lista de terroristas identificados pela União Europeia.
“Se os critérios do PCP fossem os critérios de instituições que não têm nenhuma legitimidade para classificar este ou aquele, nós teríamos estado anos inibidos de fazer uma coisa que nunca fizemos, foi de nunca vergarmos perante aqueles que acusavam Mandela, que acusavam a luta e a libertação da África do Sul como uma luta terrorista“, afirmou.
Raimundo disse também que “não foi assim há tanto tempo” que o antigo Presidente da África do Sul e o seu partido também “eram considerados forças terroristas a partir dos critérios que definem agora essas forças como terroristas”.
“E portanto, se o nosso critério fosse esse, nunca tínhamos demonstrado solidariedade com a África do Sul, contra aquele regime odioso do “apartheid”, e é pena que aqueles que rapidamente tentaram classificar o ANC e a luta do povo sul-africano como terrorista, não tivessem tido a coragem para classificar como terrorista, sim, o regime do ‘apartheid’. E é isso, no fundo, se quiser, é isso que se está a passar novamente com outros protagonistas e com outras características”, defendeu.
O secretário-geral do PCP disse ainda que “quem se sente incomodado com essa mensagem de esperança, com essa mensagem de confiança” que o partido quer transmitir “é claro que se compreende que faça tudo para que assim não seja“.