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(A) :: Diretor da PJ alvo de denúncia por mentir em tribunal e ordenar escuta proibida no caso Rui Pinto

Diretor da PJ alvo de denúncia por mentir em tribunal e ordenar escuta proibida no caso Rui Pinto

Diretor da PJ terá, segundo esta denúncia, mentido em tribunal sobre escuta proibida que terá ordenado. Ministra da Justiça já veio dizer que mantém confiança em Carlos Cabreiro.

Mariana Lima Cunha
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Agência Lusa
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O diretor nacional da Polícia Judiciária, Carlos Cabreiro, foi alvo de uma denúncia criminal em que é suspeito de abuso de poder e de ter prestado falsas declarações em tribunal, no âmbito do caso Football Leaks. A denúncia foi enviada ao procurador-geral da República por David Freitas, coordenador da polícia com mais de 30 anos de experiência, atualmente colocado no departamento que trata das escutas e vigilâncias.

A notícia foi avançada esta quinta-feira pelo Expresso, que revela que Cabreiro é acusado de ter mentido ao dizer que não foram feitas escutas ambientais na investigação ao hacker Rui Pinto. Além disso, é acusado de abuso de poder por ter alegadamente ordenado uma escuta que teria sido proibida pelo Ministério Público.

Ao jornal, a PGR confirmou que a denúncia foi recebida e enviada ao Departamento de Investigação e Ação Penal de Lisboa.

Entretanto, a ministra da Justiça veio já reiterar a sua confiança no diretor da PJ. Questionado pela Lusa sobre se a notícia compromete essa confiança e se a manutenção de Carlos Cabreiro no cargo está em causa, o gabinete de Rita Alarcão Júdice respondeu: “A Ministra da Justiça não tem comentários a fazer, reiterando apenas que mantém a confiança no Diretor Nacional da Polícia Judiciária”.

O processo Football Leaks, que foi julgado em 2023, envolveu casos de acesso indevido e violação de correspondência de entidades como o Sporting, a Doyen (fundo de investimentos ligado ao futebol), a sociedade de advogados PLMJ, a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) e a PGR.

De acordo com a queixa enviada para a PGR, estão em causa gravações feitas pela PJ e autorizadas por Carlos Cabreiro, em 2015, no dia em que Aníbal Pinto, arguido e condenado no processo Football Leaks e que naquela altura representava Rui Pinto, se encontrou com Nélio Lucas, dono da Doyen, e com o advogado Pedro Henriques, numa área de serviço de Oeiras.

Este encontro terá sido um dos momentos decisivos neste processo, uma vez que permitiu à PJ chegar à identificação de Rui Pinto, que acabou por ser condenado a quatro anos de prisão, com pena suspensa, em setembro de 2023, por um crime de extorsão na forma tentada, três de violação de correspondência agravada e cinco de acesso ilegítimo, escreve a Lusa.

Aníbal Pinto, na sequência da descoberta dos documentos internos da PJ que confirmam a realização de escutas, nomeadamente a Ordem de Missão e o Relatório de Diligência Externa (RDE), apresentou ele próprio uma queixa à PGR contra Carlos Cabreiro, os inspetores José Amador, Hugo Monteiro e Rogério Bravo, responsáveis pela investigação e “todos os demais funcionários” da PJ que tenham participado nas escutas.

A queixa do advogado admite que possam estar em causa crimes de denegação de justiça e prevaricação, falsidade de testemunho, falsificação ou contrafação de documento, danificação ou subtração de documento e notação técnica, e abuso de poder.

Em participação enviada à ministra da Justiça sobre a mesma matéria, Aníbal Pinto pede a Rita Alarcão Júdice “a abertura urgente de inspeção, inquérito ou sindicância externa à PJ, através da Inspeção-Geral dos Serviços de Justiça, com preservação imediata da prova, apuramento integral das responsabilidades funcionais e disciplinares e comunicação ao Ministério Público de quaisquer factos suscetíveis de responsabilidade criminal que venham a ser detetados”.

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