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(A) :: BCE sinaliza que juros vão (mesmo) subir. Prestações podem aumentar até 70 euros, num crédito típico, já em setembro

BCE sinaliza que juros vão (mesmo) subir. Prestações podem aumentar até 70 euros, num crédito típico, já em setembro

A poucos dias da próxima reunião do BCE, influente membro da autoridade monetária já veio dar o "sinal" aos mercados: riscos de inflação obrigam a nova subida dos juros. Euribor acima de 3%.

Edgar Caetano
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O sinal está dado: é necessário voltar a subir as taxas de juro na zona euro – e isso deverá acontecer já na reunião do conselho do BCE, marcada para 10 de setembro. Um dos membros mais influentes da autoridade monetária, a alemã Isabel Schnabel, veio sinalizar o provável aumento da taxa com termos habitualmente usados para levar os mercados financeiros a prepararem-se para esse anúncio, evitando que este surja como uma surpresa. Antecipando essa decisão, as taxas Euribor já subiram para máximos de dois anos – potencialmente levando, já em setembro, a subidas das prestações que podem rondar os 70 euros num crédito típico.

A próxima reunião do conselho do Banco Central Europeu (BCE) vai acontecer não em Frankfurt como é habitual mas, sim, noutra cidade alemã: Berlim. Depois da subida dos juros em junho, de 2% para 2,25%, o organismo decidiu fazer uma “pausa” na reunião promovida no final de julho mas, agora, a convicção dos responsáveis do BCE é que a taxa de juro de referência (taxa dos depósitos) deve voltar a subir 25 pontos-base, para 2,5%.

Ao final da tarde de terça-feira, três fontes ligadas à autoridade monetária indicaram à Reuters que o conselho está “pronto” para subir as taxas de juro na próxima reunião, a 10 de setembro, com o objetivo de conter os efeitos da guerra do Irão no ritmo de subida dos preços. A taxa de inflação já está perto de 3% na zona euro (a meta é 2%) e, com a economia europeia a dar sinais de resiliência, existe um grande consenso no BCE de que estão criadas as condições para uma nova subida da taxa de juro.

Essa perspetiva foi reforçada pela entrevista publicada poucas horas depois, por outra agência, a Bloomberg. “Com a taxa de juro no nível em que está, é improvável que a inflação regresse à meta no médio prazo, pelo que será necessário um novo aperto“, depois daquele que foi anunciado em junho. A mensagem foi transmitida por Isabel Schnabel, alemã que faz parte do conselho executivo permanente do BCE. Schnabel é uma voz influente dentro do banco central que frequentemente aparece em intervenções públicas a sinalizar as decisões seguintes da autoridade monetária.

A alemã afirmou que o ritmo de crescimento dos preços no consumidor irá provavelmente ultrapassar a meta dos 2% durante umperíodo prolongado“, devido aos elevados custos energéticos. E defendeu que agir mais tarde, quando isso poderá já estar a refletir-se num crescimento demasiado rápido dos salários, colocaria o banco central numa posição de “ir a correr atrás do prejuízo“.

A reunião deste mês inclui a divulgação de novos dados económicos e projeções atualizadas, que podem dar ao BCE a justificação para aumentar a taxa de juro. Álvaro Santos Pereira é um dos governadores que vão ter direito de voto, de acordo com a rotação habitual prevista no conselho do BCE.

https://observador.pt/especiais/alvaro-santos-pereira-governador-do-banco-de-portugal-nao-somos-um-milagre-economico/

Em meados de julho, numa entrevista ao Observador, o governador português afirmou que “existe um grau de incerteza muito grande, muita volatilidade — às vezes com mudanças que acontecem quase diariamente — em relação ao conflito do Médio Oriente.” “Por isso mesmo, aquilo que a presidente Lagarde disse — de mantermos a decisão reunião a reunião e de ser uma decisão dependente dos dados — mantém-se”, afirmou, então.

“O cenário parece cada vez mais propício a mais uma subida da taxa de juro“, refere o banco de investimento holandês ING, em nota de análise. “Isto deve-se não só ao facto de alguns membros do BCE terem defendido um aumento na reunião de julho, mas também porque, desde então, a economia da zona euro demonstrou uma resiliência quase inesperada à guerra no Médio Oriente, em parte devido à sorte e ao facto de os concorrentes asiáticos terem sido mais afetados pelo encerramento do Estreito de Ormuz e terem perdido encomendas para os concorrentes europeus, mas também devido aos estímulos orçamentais anunciados anteriormente”, acrescenta o banco.

O ING nota que, “ao mesmo tempo, a inflação geral continuou a subir”, “com os preços do petróleo a manterem-se elevados e o risco de um novo choque nos preços do gás a aumentar”. “A maioria dos membros do BCE irá, provavelmente, considerar justificável um novo aumento da taxa de juro – e recentes comentários de Isabel Schnabel à Bloomberg apontam nesse mesmo sentido”, conclui o banco holandês.

Prestações podem subir cerca de 70 euros, num crédito típico

A poucos dias do final do mês de agosto, já é possível fazer uma aproximação daquela que poderá ser a média das Euribor para este mês. Essa média servirá para calcular as atualizações dos créditos que tenham em setembro a sua revisão periódica (revisão que pode acontecer de três em três, seis em seis ou 12 em 12 meses, conforme a taxa de cada família).

Com os dados até 27 de agosto, esta quinta-feira, num caso típico de um financiamento em que reste pagar 150 mil euros, com prazo a 30 anos e um spread de 1%, é possível antecipar que as prestações vão subir, independentemente do prazo da Euribor. Ainda assim, aqueles que têm Euribor a 12 meses vão sentir mais o impacto das subidas, caso vejam o seu crédito revisto em setembro.

  • Média Euribor três meses de 2,506% – Prestação: 674,07 euros (+23,23 euros que na anterior revisão de junho de 2026)
  • Média Euribor seis meses de 2,708% – Prestação: 691,10 euros (+46,99 euros que na anterior revisão de março de 2026)
  • Média Euribor 12 meses de 2,950% – Prestação: 711,81 euros (+70,14 euros que na anterior revisão de setembro de 2025)

Estes valores das médias da Euribor não são, ainda, definitivos, porque ainda é necessário apurar a evolução das Euribor no dia 28, sexta-feira, e no dia 31, segunda-feira – só aí será possível calcular com maior rigor. Ainda assim, Nuno Rico, economista da Deco Proteste, salienta que já é seguro afirmar que “as médias da Euribor subiram, em relação ao mês anterior, em todas as maturidades, sendo a maior no caso da Euribor a 12 meses”.

Aliás, “a média da Euribor a 6 meses (a mais utilizada em Portugal) subiu 26% desde o início do conflito no Médio Oriente”, salienta o especialista, acrescentando que, “em termos de atualização da prestação, desde novembro de 2023 que não existia um aumento tão elevado, nesta maturidade”.

A média mensal da Euribor a 12 meses, que ainda não é possível calcular com toda a exatidão, deverá, ainda assim, atingir o valor mais elevado dos últimos dois anos. “Desde o início do conflito no Médio Oriente (nos últimos 6 meses) o encargo das famílias portuguesas com a prestação dos créditos à habitação já aumentou em cerca de 33 milhões de euros“, calcula o economista Nuno Rico, da Deco Proteste.

No reverso da moeda, a subida da Euribor está a tornar mais atrativa a aplicação de poupanças em certificados de aforro (CA). A taxa base deste instrumento atingiu na quarta-feira o teto máximo de 2,5%, o que significa que esse é o valor que se aplicará às novas subscrições que forem feitas em setembro, e para as revisões de taxas que venham a ocorrer nesse mês.

Desde fevereiro de 2025 que a taxa base dos CA estava abaixo do teto máximo previsto na série em comercialização – a série F. Foram aplicados em julho 767,7 milhões de euros em CA, em termos líquidos (descontados das saídas, por vencimento da aplicação ou amortização antecipada), o valor mais alto desde que foi lançada a série F.

https://observador.pt/especiais/mercados-de-divida-publica-mundiais-em-alvoroco-e-portugal-nao-esta-imune/