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Mais do que estudante, atleta

Aos novos estudantes que agora chegam às nossas academias, o desafio é claro. Não deixem as sapatilhas à porta da faculdade.

Diogo Salgado Braz
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O início de um novo ano letivo no Ensino Superior é um dos momentos mais marcantes na vida de milhares de jovens em Portugal. Entre a euforia da colocação, a descoberta da academia e a incerteza do futuro, cruzar as portas de uma universidade representa um rito de passagem rumo à autonomia. Contudo, este momento de transição encerra também um desafio silencioso. Historicamente, a passagem do ensino secundário para o ensino superior coincide com o maior fosso de abandono da prática desportiva no nosso país.

É precisamente contra essa tendência que a Federação Académica do Desporto Universitário (FADU), as instituições de ensino superior (IES) e as Associações Académicas/Estudantes trabalham diariamente. Ser estudante universitário não pode significar abdicar do movimento, do treino ou do espírito de equipa. Pelo contrário. A academia deve ser o espaço por excelência onde o percurso académico e a atividade física se potenciam mutuamente.

A evidência do sucesso da conciliação entre livros e pistas, piscinas ou tatamis está à vista de todos. Portugal orgulha-se de atletas de topo mundial que construíram as suas carreiras sem abdicar da formação superior. Vemos isso na determinação de Francisca Martins e Camila Rebelo na natação, no bronze olímpico e na garra de Patrícia Sampaio no judo, e na consistência lendária de referências como Fernando Pimenta ou Patrícia Mamona. São exemplos vivos de que a carreira dual não é uma utopia, mas sim um caminho viável de excelência e superação.

Mais do que formar campeões de alta competição, o desporto universitário desempenha um papel fulcral na saúde pública e na coesão social. Numa altura em que a saúde mental dos jovens e os índices de sedentarismo e obesidade exigem respostas urgentes, o desporto surge como uma das ferramentas mais eficazes de integração, resiliência emocional e bem-estar. Praticar desporto na academia reduz a ansiedade, constrói redes de apoio e melhora, comprovadamente, o rendimento escolar.

As IES portuguesas têm assumido com coragem a dinamização das suas infraestruturas e quadros competitivos, apostando, paulatinamente, em modelos que valorizam o estudante-atleta. Os resultados estão à vista. A participação no Desporto Universitário tem registado recordes sucessivos, crescendo de ano para ano em número de praticantes, modalidades e eventos.

Aos novos estudantes que agora chegam às nossas academias, o desafio é claro. Não deixem as sapatilhas à porta da faculdade. Envolvam-se nos clubes, nas associações de estudantes, nos treinos e nas competições. Sejam mais do que estudantes. Sejam atletas da vossa própria vida académica.