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(A) :: Nem a surpresa escondida no meio da terra derruba o rei da montanha russa: Pogacar atacou, foi apanhado por Mas, quase caiu... e venceu

Nem a surpresa escondida no meio da terra derruba o rei da montanha russa: Pogacar atacou, foi apanhado por Mas, quase caiu... e venceu

Num dia de grande trabalho da Emirates — e de Almeida —, Pogacar atacou na última subida, mas foi alcançado por Mas e quase caiu na descida. No final, bateu o espanhol ao sprint e chegou ao hat-trick.

Tiago Gama Alexandre
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Quinto dia, segundo bis na Volta a Espanha. A edição 81 da competição espanhola continua a ser dominada por dois nomes, com Matthew Brennan (Visma-Lease a Bike) a igualar Tadej Pogacar (UAE Team Emirates-XRG) em termos de vitórias, sem que mais ninguém tenha conseguido vencer na corrida roja. A Visma voltou a mostrar que tem o melhor comboio de sprinters desta Vuelta, com Wout van Aert a fazer um trabalho exímio na fase mais dura e Christophe Laporte a lançar o britânico na altura certa. Se, na classificação geral, não houve alterações, o mesmo não se pode dizer de João Almeida, que perdeu mais 8.35 minutos e continua bastante longe da sua melhor versão.

https://observador.pt/2026/08/26/a-jovem-abelha-chegou-a-espanha-para-continuar-a-voar-brennan-bisa-em-mais-um-sprint-dominado-pela-visma-almeida-perdeu-mais-oito-minutos/

“Foi uma etapa muito dura e tensa, especialmente na subida. A subida era estreita e difícil, mas fizemos um ótimo trabalho como equipa. Estou feliz. Cada segundo conquistado é importante. Quanto mais vantagem tens, mais calmo ficas em termos psicológicos para os dias que se seguem. Veremos. Estou a sentir-me bem e amanhã [quinta-feira] será mais um dia difícil. Estado físico? Acho melhor não dizer nada”, partilhou o esloveno ao Eurosport, terminando a declaração com um sorriso rasgado no rosto.

Por outro lado, Van Aert protagonizou mais um momento de boa disposição com o esloveno que, dias antes, oferecera os seus óculos vermelhos ao seu filho, no final de uma etapa. “Que pena… Recebi um par de óculos novos pouco antes da corrida. A determinado momento, eles não estavam bem encaixados na minha cabeça e, quando olhei para trás, voaram. Não sou como o Pogacar, que ganha um par de óculos novos todos os dias. Se alguém encontrar os meus óculos, devolva-os, por favor”, partilhou o belga com bastante humor.

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O pelotão continuou a rumar a sul esta quinta-feira, com a sexta etapa a percorrer na íntegra a zona de Valência, passando por estradas bem conhecidas da Volta à Comunidade Valenciana, prova que Almeida perdeu para Remco Evenepoel (Red Bull-Bora-hansgrohe) no início da época. A partida aconteceu em mais um local inédito, agora Alcossebre, bem junto ao mar Mediterrâneo, ao passo que Castelló voltou à Vuelta dez anos depois. Ao todo, a jornada de sobe e desce, que Alberto Contador apelidou de “montanha russa”, contou com 177,5 quilómetros e pouco mais de três mil metros de desnível positivo acumulado. Para a história ficaram quatro contagens de montanha: Serratella (14 km a 3,8%), Bandereta (4,6 km a 6,7%), Desierto de las Palmas (7,6 km a 4,9%) e Bartolo (9,4 km a 7,1%). Esta última era uma das maiores surpresas desta Vuelta, já que tinha rampas a chegar aos 20% e cerca de dois quilómetros em terra batida.

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Com a partida real, onde não esteve Joshua Tarling (Netcompany Ineos), que não se encontra no melhor estado psicológico, vieram os múltiplos ataques e os problemas mecânicos, que afetaram particularmente Lorenzo Fortunato (XDS Astana) e Jay Vine (Emirates). Ainda assim, o pelotão conseguiu anular as investidas, com a Decathlon CMA CGM a mostrar intenções de lutar pela vitória na etapa. Foi na aproximação à segunda contagem de montanha que 15 elementos saíram do pelotão, com Van Aert à cabeça, mas foram neutralizados pouco depois. No Coll de la Bandereta foi a vez de George Bennett (NSN), Gijs Leemreize (Picnic PostNL), Andreas Kron (Uno-X Mobility) e Santiago Buitrago (Bahrain-Victorious) atacarem, ganhando depois a companhia de mais 12 elementos, com o belga da Visma de novo em evidência. Na descida, o pelotão chegou a partir-se, mas a recolagem deu-se ainda a 91 quilómetros da meta.

Na segunda metade da etapa, Wout van Aert foi o primeiro no sprint intermédio de Benicàssim e saltou para o segundo lugar da classificação dos pontos, despedindo-se dos fugitivos na subida, depois de ter saudado a família junto à estrada, quando João Almeida assumiu o ritmo do pelotão e recuperou cerca de 35 segundos na subida de Desierto de las Palmas, onde José Manuel Díaz (Burgos Burpellet BH) foi o mais rápido. A Emirates continuou a carregar na transição para a última subida do dia, altura em que o pelotão já era comandado por Domen Novak, com o Bota Lume a aparecer junto ao carro para abastecer os companheiros. No Puerto El Bartolo, Jay Vine foi o último elemento da equipa do Médio Oriente a trabalhar antes de Pablo Torres, já com a diferença abaixo dos 40 segundos. A 24,4 quilómetros da meta, Pogacar passou para a frente em definitivo e lançou o seu habitual ataque, que só foi seguido por Oscar Onley (Netcompany).

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Ainda assim, como seria de esperar, o britânico aguentou pouco tempo, com o esloveno a apanhar um a um os ciclistas da fuga no sterrato. O último resistente foi Ramses Debruyne (Alpecin-Premier Tech), que também não conseguiu seguir o esloveno. Atrás, Enric Mas (Movistar) deixou Primoz Roglic (Red Bull), Felix Gall (Decathlon) e Richard Carapaz (EF Education-EasyPost), passou por Onley e fez o impensável: foi buscar Pogacar no final da subida e assumiu o ritmo na descida, até porque, na fase em que o esloveno passou para a frente, uma saída de estrada fê-lo abrandar. A perseguição organizou-se atrás, o tempo baixou dos 20 segundos, mas o camisola vermelha voltou para a frente e colaborou com o espanhol na tentativa de evitar a reentrada dos rivais. A vantagem acabou por passar dos 30 segundos com a chegada de Carapaz e Harold Tejada (XDS) ao grupo perseguidor, com a vitória a ser discutida pelo espanhol e o esloveno.

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Bem mais forte que o Movistar nestas circunstâncias, Pogacar não precisou de muito para vencer pela terceira vez nesta Vuelta, esperando pelos últimos 200 metros para sprintar em direção à 130.ª vitória da sua carreira. Curiosamente, foi numa etapa parecida, com um troço de terra batida na etapa final, que o esloveno venceu pela primeira vez na Grande Volta espanhola, na altura em Cortals d’Encamp, em Andorra, na nona etapa de 2019. O grupo perseguidor entrou na meta a 46 segundos, com Debruyne a conseguir terminar no terceiro lugar. Quanto a João Almeida, o dorsal 12 chegou no 110.º lugar a 20.39 do companheiro de equipa.

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Olhando à nova geral, Pogacar tem agora 3.34 minutos de avanço para Enric Mas, que passou Primoz Roglic e subiu ao segundo lugar, tendo uma vantagem de 47 segundos para o esloveno. O quarto classificado é agora Richard Carapaz, a 4.50, seguindo-se Felix Gall a 4.55. Almeida é 104.º, a 53.09.