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(A) :: Diretor da CIA terá ido a Moscovo avisar a Rússia para não escalar conflito com países bálticos e a NATO. Casa Branca e Kremlin desmentem

Diretor da CIA terá ido a Moscovo avisar a Rússia para não escalar conflito com países bálticos e a NATO. Casa Branca e Kremlin desmentem

Segundo o Politico, visita de John Ratcliffe serviu para avisar autoridades russas, numa altura em que aumentam incidentes no Báltico e na Polónia. O Kremlin desmente e fala em "histórias alarmistas".

Tiago Caeiro
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A visita-surpresa do diretor da CIA a Moscovo, esta terça-feira, terá servido para John Ratcliffe alertar as autoridades russas para não escalarem o conflito com os países bálticos, membros da NATO, escreve o jornal Politico, citando duas fontes com conhecimento dos objetivos da viagem. Em causa poderá estar uma escalada do conflito com Estónia, Letónia e Lituânia — três ex-repúblicas soviéticas —, e países que fazem fronteira com território russo. Também o jornal Wall Street Journal noticiou esta quarta-feira que Ratcliffe alertou as autoridades russas contra eventuais ataques a países da NATO.

O responsável máximo da agência de serviços secretos dos EUA também terá aproveitado a viagem não anunciada à capital russa para pressionar o Kremlin a reduzir o apoio militar e económico ao Irão, segundo as fontes consultadas pelo Politico.

Na tarde de domingo, um avião de transporte militar C-17A Globemaster III partiu da base aérea de Andrews, em Washington, com destino a Riga, capital da Letónia, onde ficou durante cerca de 24 horas. Depois, na terça-feira de manhã, o mesmo avião partiu para Moscovo, onde aterrou por volta das 9h locais, o que levantou rumores sobre a eventual presença de responsáveis norte-americanos em Moscovo.

Várias horas depois de o C-17A ter aterrado em Riga, um segundo avião dos EUA, um C-40B — avião de transporte de altas individualidades do Estado norte-americano —, aterrou em Riga. Terá sido naquele avião que Ratcliffe viajou de Washington para Riga.

Simultaneamente, o portal Axios noticiou que os EUA avisaram a Ucrânia de que uma delegação de alto nível visitaria Moscovo e pediram a Kiev que suspendesse os ataques ao território russo durante a visita. Só mais tarde se soube que a visita-surpresa a Moscovo fora protagonizada pelo diretor da CIA. Questionados sobre a razão da visita, a Casa Branca, o Pentágono e a Força Aérea dos EUA recusaram-se a comentar.

Trump diz que visita de Ratcliffe a Moscovo foi rotineira. Kremlin fala em “histórias alarmistas”

No entanto, já esta quarta-feira, Donald Trump desvalorizou a visita de Ratcliffe a Moscovo, considerando-a uma visita rotineira. Questionado sobre se o diretor da CIA teria ido a Moscovo devido a receios de que a Rússia estivesse a planear um teste à união da NATO, o presidente dos EUA recusou a ideia, classificando-a como “absurda”.

“John Ratcliffe é um tipo fantástico. É o chefe da CIA e não está lá por nenhum dos motivos que mencionou”, garantiu Trump, citado pelo Guardian, em entrevista ao radialista Glenn Beck. “Ele está lá numa rotina seminormal. Detesto desapontar as pessoas. Gostaríamos de ver o fim da guerra com a Ucrânia”, disse ainda Trump.

Já esta quinta-feira, o Kremlin desmentiu também as notícias que dão conta de que o diretor da CIA foi a Moscovo avisar as autoridades russas para não escalarem o conflito contra os países bálticos e a NATO. O porta-voz, Dmitrii Peskov, garantiu que essas informações não têm adesão à realidade, classificando-as como “histórias alarmistas“.

Na quarta-feira, Peskov já tinha dito que a visita de Ratcliffe serviu para “contactos entre serviços de segurança” e que não estava previsto qualquer encontro com Vladimir Putin.

https://observador.pt/2026/08/26/a-visita-relampago-do-diretor-da-cia-a-moscovo-o-que-se-sabe-e-o-que-falta-saber/

A visita de Ratcliffe a Moscovo ocorreu numa altura em que aumentam os receios de que a Rússia vise as infraestruturas críticas dos países bálticos. Recorde-se que, em julho, os serviços secretos da Letónia e da Lituânia alertaram os presidentes dos respetivos países para a possibilidade de a Rússia estar a planear ataques contra infraestruturas críticas nos Estados Bálticos ou na Polónia.

O Presidente da Letónia, Edgars Rinkevics, avisou a Estónia, a Letónia, a Lituânia e a Polónia devem estar preparadas para ações provocatórias por parte da Rússia, que vai procurar colocar em causa o compromisso de defesa dos membros da NATO.

No final de junho, o primeiro-ministro polaco, Donald Tusk, afirmou, citado pela Euronews, que “são de esperar vários tipos de escalada nas próximas semanas e meses”, classificando a situação como “muito instável”.

Nas últimas semanas, as autoridades dos países bálticos e da Polónia têm vindo a associar a Rússia a vários incidentes, incluindo incêndios, ciberataques e desvios em linhas ferroviárias. Contudo, o Kremlin tem sucessivamente desmentido as acusações. Em julho, Peskov disse tratar-se “de mais uma série de histórias alarmistas destinadas a manter a lavagem cerebral e a preparar a população para uma maior militarização”.

A última visita conhecida de um diretor da CIA a Moscovo aconteceu em novembro de 2021, quando William Burns esteve na capital russa numa tentativa (malsucedida) de impedir a invasão da Ucrânia.

[De regresso a Portugal, Carvalhão Gil garante que não se vendeu aos russos e que nem sequer sabia que o homem com quem foi detido trabalhava para o SVR. Para ele, era só um “parceiro de negócios”. Mas as buscas às casas do espião contam uma história diferente: a PJ encontra milhares de euros escondidos em casacos, gavetas e envelopes; dezenas de documentos secretos espalhados pelas várias divisões; e até um revólver dissimulado numa estante. Já está disponível o quinto episódio do novo Podcast Plus “A Vida Dupla do Espião Traidor”. Pode ouvir no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no YouTube.]