O MEO Kalorama volta a ocupar o emblemático Parque da Bela Vista, em Lisboa, entre sexta-feira e domingo, de 28 a 30 de agosto. Os bilhetes diários continuam à venda por 65€, enquanto o passe geral que dá acesso aos três dias está disponível por 160€. Também há um pacote especial que inclui seis passes pelo preço de cinco, o Pack Friends, entre outras opções no site oficial do evento.
O festival mantém uma programação eclética e equilibrada centrada em diferentes tendências musicais, em nomes do momento e artistas consagrados, apostas para o futuro e certezas do presente. Há espaço para rap e para riffs pesados de guitarras, para vozes sublimes e música instrumental pulsante, para estrelas pop e ícones da contracultura.
Ms. Lauryn Hill, Clipse, Vince Staples, Freddie Gibbs & The Alchemist ou Ravyn Lenae formam uma armada hip hop e R&B que se prepara para desaguar na Bela Vista. Já bandas como os Deftones, Turnstile, Interpol ou Angine de Poitrine prometem trazer as guitarras para o centro da ação. E ainda há espaço para a Britpop de Robbie Williams, para as referências afro-lusófonas de Criolo, Amaro & Dino, para a pop urbana espanhola de Judeline ou o electroclash de Peaches. Este é um possível roteiro para os três dias de MEO Kalorama.
Sexta-feira, 28 de agosto
Angine de Poitrine
19h, Palco MEO
São uma das duplas mais intrigantes da música contemporânea e um fenómeno no circuito melómano. Oriundos do Canadá, os misteriosos Angine de Poitrine são um guitarrista/baixista e um baterista que se apresentam com figurinos bizarros, às bolinhas brancas e pretas, com uns narizes gigantes. Nada dizem ao público, mas comunicam — sobretudo entre si — com sons e gestos não inteligíveis, como se dois extraterrestres tivessem aterrado por acidente no palco. O fascínio vem do contraste entre esta excentricidade e a música que tocam como se fosse uma ciência exata: um rock matemático e virtuoso, com ginga e balanço, numa energia hipnótica de quem nos leva por uma viagem supersónica pelo espaço. Depois de se terem estreado no nosso país no Tremor, festival na ilha de São Miguel, vêm pela primeira vez a Portugal continental apresentar os seus dois discos.
Judeline
22h05, Palco Sagres
É um dos nomes mais entusiasmantes da grande vaga de pop urbana contemporânea que tem emergido de Espanha nos últimos anos. Com 23 anos, Judeline estreou-se em 2024 com o álbum Bodhiria, a que deu seguimento já no ano passado com o EP Verano Saudade. A sua música é um encontro de diferentes influências, desde o flamenco ao reggaeton, da eletrónica ao R&B moderno. Depois de se ter estreado em Portugal com um concerto no pequeno (e malogrado) Musicbox e de ter aberto o espetáculo de J Balvin no Passeio Marítimo de Algés, Judeline ganha finalmente destaque e honras de palco grande em Lisboa. No alinhamento não deverão faltar os mais recentes singles, Besito e Pequeñita!
Interpol
23h10, Palco MEO
Banda bem conhecida do público português, os norte-americanos Interpol, protagonistas da vaga indie rock e revivalismo post-punk do final dos anos 90 e início dos 2000, estão de regresso para apresentarem um novo disco. This Mirror Weighs a Ton, assim se chama, será lançado precisamente esta sexta-feira, 28 de agosto — pelo que não há outro dia preferível para os reencontrar ao vivo. Os Interpol não atuam por cá desde 2023 e voltam da melhor maneira possível para estrearem o oitavo álbum em Portugal.
Grace Jones
00h15, Palco Sagres
Cantora, compositora, modelo e atriz jamaicana, com história feita entre o disco e ambiências new wave ou reggae, Grace Jones tornou-se uma das grandes figuras da cultura pop a partir da década de 70. Hoje com 78 anos, a artista continua a apresentar os seus maiores êxitos nos palcos, de Slave To The Rhythm a Pull Up To The Banger, e a representar o legado de uma vasta carreira multidisciplinar, com uma importante componente visual em palco. É o seu primeiro concerto em Portugal desde que passou pelo NOS Alive de 2019.

Robbie Williams
01h20, Palco MEO
É o grande cabeça de cartaz da primeira noite de MEO Kalorama. Estrela pop britânica, Robbie Williams regressa três anos depois a Portugal com um disco novo para apresentar aos fãs. Britpop evoca os anos 90 da música pop rock inglesa e transporta os elementos típicos — como os coros dignos de estádio e os riffs de guitarra — por uma viagem sonora que atravessa outros universos artísticos, do glam rock à synth pop, com uma abordagem pop orquestral. Também não vão faltar sucessos emblemáticos como Angels ou Feel, pelo que será indubitavelmente um dos concertos mais aguardados desta sexta-feira.
Sábado, 29 de agosto
Criolo, Amaro & Dino
18h50, Palco Sagres
O segundo dia de MEO Kalorama pode muito bem começar com este trio a dar o mote para o pôr do sol. A poesia paulista de Criolo junta-se às teclas pernambucanas do pianista Amaro Freitas e às melodias e harmonias de Dino D’Santiago, com muitas outras camadas instrumentais pelo meio, para um concerto transatlântico em torno do disco que lançaram no início do ano, precisamente intitulado Criolo, Amaro e Dino. É um álbum que une Portugal e Brasil, que passa por África e pela herança musical afro-americana, que celebra as vibrantes referências afro-brasileiras, num caldeirão de confluências, sem ponto de partida nem retorno, que também evoca a ancestralidade destes três astros da música lusófona.
Vince Staples
19h55, Palco MEO
É a estreia do rapper norte-americano em Lisboa, depois de ter passado pelo Primavera Sound, no Porto, em 2018. Desde então, Vince Staples lançou nada menos do que quatro álbuns, incluindo o mais recente Cry Baby, editado já este ano. Inventivo e politicamente consciente, o rapper tem vindo a explorar uma abordagem musical que resgata uma energia punk rock da eletricidade das guitarras, depois de no passado já ter feito incursões mais eletrónicas ou de ter refrescado o som da West Coast com uma abordagem poeirenta e carregada de urgência. Com um novo disco assente numa instrumentação orgânica, será certamente uma boa fase para o encontrar no palco.
Ravyn Lenae
22h, Palco MEO
É a estreia em Portugal de Ravyn Lenae, cantora norte-americana de 27 anos que tem sido uma das novas musas do R&B contemporâneo e da neo-soul. Lançou há menos de um mês o seu terceiro álbum, Blue Island, em alusão à cidade onde cresceu no estado de Illinois. Depois de ter andado em digressão com artistas de renome e prestígio como SZA ou Noname, Ravyn Lenae está focada nas suas tours em nome próprio e apresenta-se ao público português com este concerto no Parque da Bela Vista. Love Me Not, Genius ou a nova In & Out são algumas das canções que vale a pena decorar antes de sábado.
Ms. Lauryn Hill
00h05, Palco MEO
É um dos concertos mais esperados desta edição do MEO Kalorama. Ms. Lauryn Hill, que fez carreira nos emblemáticos Fugees antes de se emancipar a solo com o icónico disco The Miseducation of Lauryn Hill, regressa a Portugal 16 anos depois de ter tocado no Terreiro do Paço, em Lisboa. É também o espetáculo mais imprevisível de todo o festival. Está anunciado que Ms. Lauryn Hill se fará acompanhar por Wyclef Jean e pelos filhos YG e Zion Marley, mas a artista de 51 anos tem um longo historial de performances erráticas, atrasos constantes e arranjos bastante distintos ao vivo. Com uma das vozes mais influentes da década de 90, que se revelou importante para disseminar globalmente o hip hop, a cantora nunca mais lançou música depois do estrondoso impacto do seu disco de 1998, entre o desdém pelas editoras e a dedicação à maternidade. O anúncio do concerto foi, portanto, uma das novidades mais inesperadas da temporada de festivais em Portugal e, aconteça o que acontecer, será certamente imperdível.

Domingo, 30 de agosto
Peaches
20h30, Palco MEO
A icónica Peaches tem sido uma presença relativamente regular em Portugal ao longo dos anos e regressa ao MEO Kalorama com o primeiro álbum que edita desde 2015, No Lube So Rude. É o seu sétimo álbum de estúdio, que prolonga a sua jornada electroclash, fortemente influenciada pela cultura punk, com letras politizadas e provocadoras que vão do desejo aos direitos humanos. Em palco, Peaches é célebre pelas performances arrojadas e vistosas, pelo que se torna num dos concertos a manter no roteiro para o Parque da Bela Vista.
Freddie Gibbs & The Alchemist
21h30, Palco Sagres
Depois de ter passado pelo Primavera Sound e por Paredes de Coura (neste caso, com Madlib), o rapper Freddie Gibbs faz o seu regresso a Portugal com o projeto colaborativo que o junta ao compositor e produtor The Alchemist. Em conjunto, a dupla já assinou dois discos intitulados Alfredo, sendo que a colaboração já vinha de trás, de quando trabalharam com Curren$y no álbum Fetti. Rimas pesadas e batidas a condizer, dois dos melhores e mais prolíficos nas suas áreas no cenário hip hop contemporâneo, rap cinematográfico que soa tão fresco quanto velha guarda. É uma estreia em Lisboa que convém não perder.
Turnstile
22h30, Palco MEO
Um ano depois, os Turnstile estão de volta a Portugal para mais um concerto que promete ser explosivo e de celebração, desde que se tornaram um fenómeno que ultrapassou largamente as fronteiras do circuito hardcore. A banda de Baltimore continua na estrada com o álbum Never Enough, hardcore de toada pop que ganha definitivamente significado na experiência ao vivo, na comunhão do moshpit e no contacto direto com os fãs. Domingo é mais um dia para reunir os fiéis em torno do culto.

Clipse
23h30, Palco Sagres
Um dos projetos mais celebrados ao longo do último ano, os Clipse são a dupla dos irmãos Pusha T e Malice. Depois de vários anos em hiato, regressaram ao ativo como duo com o aclamado álbum Let God Sort Em Out, editado em 2025, nomeado para cinco Grammys e produzido na íntegra por Pharrell Williams, o mesmo que os descobriu e lhes deu o pontapé de arranque inicial há mais de duas décadas. É também uma estreia em Portugal, embora Pusha T já tenha passado pelos palcos nacionais em duas ocasiões. O concerto promete ser enérgico e a sequela perfeita da atuação de Freddie Gibbs & The Alchemist.
Deftones
00h30, Palco MEO
Banda emblemática dos anos 90 e 2000, os Deftones deram por si mergulhados num autêntico fenómeno de revivalismo nos últimos anos, à medida que uma nova geração descobriu e se identificou com a sua música pesada, atmosférica e emocional. O grupo norte-americano voltou aos grandes palcos e slots de festivais e viu a sua audiência alargada e rejuvenescida. Além dos êxitos emblemáticos que os tornaram originalmente uma banda de culto, têm vindo a alimentar o novo (e velho) público com música nova: em 2025 editaram Private Music, o décimo álbum de originais. Também sempre se destacaram pelas performances enérgicas e cruas, pelo que será a melhor maneira de encerrar o MEO Kalorama de 2026.