Somos uma sociedade inculta. É uma generalização arriscada, mas ainda assim, acredito que exista uma percentagem – deixo aos analistas quantificarem – de verdade nesta afirmação.
Como se costuma dizer, talvez sejamos mesmo aquilo que comemos: jornais informativos medíocres, entretenimento vulgar e uma quantidade generosa de desinformação que nos estimula por mais, enquanto nos ilude que todos os males que nos acontecem, são culpa de terceiros.
Para complementar, os saudosistas da fábula do estado novo confrontam-se diariamente em canal aberto com os moderados e elitistas, muitos deles, que não conhecem o país para além das margens do rio Tejo.
O maniqueísmo apoderou-se de um debate que deveria servir para informar, verificar e interrogar.
Em simultâneo, o vagar cedeu à pressa. Qualquer texto que nos roube mais do que cinco segundos de tempo, tornou-se excessivamente aborrecido e por esse motivo incompreendido.
Se não fores conciso e célere na conclusão és anulado, mesmo que o tema seja complexo e exija tempo para uma compreensão profunda.
Entre a oferta que dispomos em catálogo e os interlúdios para compromissos publicitários, ficámos sem a matéria essencial para o nosso desenvolvimento individual e coletivo.
“Breaking News” e “Alerta CM” são uma tentativa de alimentar um público sedento de sangue fresco que não se deixa levar pela verdade de um polígrafo que teima em dizer-nos que é mentira tudo aquilo que o nosso algoritmo nos diz que é verdade.
Somos incultos porque nos servem ignorância às refeições.
Mas nós gostamos. A burrice é mais fácil de mastigar e ainda nos dá tempo para ver a bola.
Se assim é, quem sou eu para criticar o que aparentemente está bem?