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(A) :: "Mestre das fugas" capturado em Espanha. Criminoso albanês é conhecido por ter escapado de quatro prisões em Itália e Bélgica

"Mestre das fugas" capturado em Espanha. Criminoso albanês é conhecido por ter escapado de quatro prisões em Itália e Bélgica

Trata-se de um homem de 42 anos considerado muito perigoso e que se encontrava escondido em Tarragona desde que fugiu de uma prisão de alta segurança em Milão.

António Moura dos Santos
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As autoridades espanholas anunciaram esta quarta-feira a captura de um cidadão albanês conhecido por já ter escapado de quatro prisões diferentes recorrendo a técnicas como usar serras para cortar as grades da sua cela e descer edifícios com lençóis atados em nós.

A Polícia Nacional de Espanha não divulgou a identidade do homem de 42 anos detido na cidade de Tarragona, na Catalunha, tratando-o apenas pelas iniciais TT. No entanto, tanto o El País como o The Guardian confirmaram tratar-se de Taulant Toma, um criminoso albanês alvo de um mandado de detenção europeu emitido por Itália após ter fugido de uma prisão de alta segurança em dezembro de 2025.

Considerado extremamente perigoso, Toma estava a cumprir uma pena até 2048 por crimes como assalto com violência, furto e tráfico de droga quando se escapou do cárcere em Opera, a sul de Milão. Foram as próprias autoridades espanholas a tratá-lo como “o mestre das fugas” prisionais, uma alcunha popularizada pela imprensa italiana por já ter fugido em mais do que uma ocasião de estabelecimentos prisionais.

“Fugiu de uma prisão em Terni, na Úmbria, em 2009, de uma prisão em Parma, em 2013, e de uma prisão belga nesse mesmo ano, depois de usar uma pirâmide humana para escalar o muro“, afirmou a polícia em comunicado citado pelo jornal britânico. “A sua mais recente fuga, em dezembro de 2025, ocorreu depois de ter conseguido escapar de uma prisão de segurança máxima em Itália, após ter serrado as grades e ter descido pela janela com lençóis atados”, adiantou a Polícia Nacional espanhola, admitindo que o caso “parece algo saído de um filme”, mas que, por vezes, “a realidade supera a ficção”.

Dadas as suas capacidades de fuga e predisposição para a violência, a Polícia Nacional confirmou à imprensa espanhola que a detenção — ocorrida no dia 23 mas apenas divulgada esta quarta-feira — decorreu com o máximo de cautela possível e que o visado ofereceu resistência. “Imobilizámo-lo e, imediatamente, começou a chegar mais gente; algemámo-lo como pudemos e partimos”, admitiu o inspetor-chefe responsável pela operação em Tarragona ao El País.

Já no comunicado oficial, as autoridades afirmam que Toma ofereceu “forte e ativa resistência” no momento da detenção, fruto também dos seus associados criminais. “O homem estava acompanhado por vários compatriotas que tentaram impedir a sua detenção, incluindo um sujeito que agrediu e feriu dois agentes”, informa a polícia, que confirmou ainda estar à procura do agressor, sublinhando no entanto que já tinha recuperado uma pistola Sig Sauer abandonada durante a operação por um dos cúmplices.

As autoridades estimavam que Toma já se tivesse refugiado em Espanha desde janeiro, mas só montaram o dispositivo para capturá-lo nos últimos dias. O responsável pela operação revelou que Toma trazia consigo documentação falsa que dava a entender que tinha sido detido em Girona por posse de armas e explosivos. “Estava muito bem feita, mas tínhamos uma descrição física, com tatuagens muito características e uma cicatriz profunda na bochecha direita. Não havia dúvida de que era ele”, afirmou. Também foram confiscadas duas notas de 500 euros ao suspeito, com as autoridades a enviarem ambas para o Banco de Espanha para confirmar a sua autenticidade.

Tendo-lhe sido negada liberdade sob fiança, Taulant Toma encontra-se neste momento detido na prisão de Mas d’Enric enquanto aguarda a extradição para Itália. Ao El País, o inspetor garante que já tomou as precauções para que o albanês não some a sua quinta fuga. “Já os alertámos para o perfil que ele tem”, adiantou.

[De regresso a Portugal, Carvalhão Gil garante que não se vendeu aos russos e que nem sequer sabia que o homem com quem foi detido trabalhava para o SVR. Para ele, era só um “parceiro de negócios”. Mas as buscas às casas do espião contam uma história diferente: a PJ encontra milhares de euros escondidos em casacos, gavetas e envelopes; dezenas de documentos secretos espalhados pelas várias divisões; e até um revólver dissimulado numa estante. Já está disponível o quinto episódio do novo Podcast Plus “A Vida Dupla do Espião Traidor”. Pode ouvir no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no YouTube.]