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(A) :: Estamos a precisar de autoridade

Estamos a precisar de autoridade

É muito curioso que nunca consigamos compreender uma das frases que mais vezes costumamos dizer e que afirma ser no centro que está a virtude.

Bruno Bobone
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Em todos os detalhes da nossa vida notamos essa procura.

Na política, assistimos a uma polarização das opções de voto entre os partidos que propõem soluções mais intolerantes e mais impositivas.

Na reação a uma vivência em que se substituiu a tolerância pela permissividade, a opção por escolhas que são menos inclusivas acaba por ganhar força e as pessoas passam a votar mais naquilo que lhes parece dar maior segurança e menos naquilo que acreditavam ser a melhor forma de viver.

Mas isto também se verifica em comportamentos sociais da vida de cada um.

A religiosidade tem vindo a ganhar interesse junto dos jovens que procuram encontrar uma forma de vida mais estruturada, por contraposição a uma permissividade excessiva na sua educação e que eles associam às dificuldades com que se viram confrontados no seu início de vida.

Muitos desses jovens acabam por optar por linhas mais exigentes de comportamento na sua religiosidade, também por acreditarem que sem essa exigência, a permissividade continuará o seu caminho de destruição das instituições e dos valores que buscam para lhes assegurar o caminho das suas vidas.

Mas também no que respeita a segurança no nosso país, que tem sido um oásis nesta matéria a nível mundial, a exigência de uma autoridade mais presente tem vindo a ser manifestada por todos aqueles que, no seu dia a dia se confrontam com situações de assaltos, de consumo de drogas ou qualquer outro sintoma de destruição da ordem social.

E este caminho, que já começou há alguns anos, não vai ser uma moda, nem sequer uma vontade passageira, que se possa resolver com meia dúzia de medidas que possam tranquilizar toda uma população.

Isto é claramente uma tendência a que assistimos em todo o mundo.

As lideranças menos consensuais e menos ortodoxas nos seus comportamentos são a resposta imediata dos populistas à necessidade que as populações demonstram numa primeira fase de reclamação.

Como o povo pede autoridade, o candidato populista promete a autoridade, e quando o povo pede a dureza na imigração, o populista promete essa dureza, mas se o povo pedir qualquer outra condição, ainda que esta contrarie a promessa anterior, o populista não deixará de prometer essa mesma condição.

O próximo passo será o surgimento de lideranças menos populistas, mas que baseiam a sua oferta numa proposta estruturada de eliminação da permissividade e que darão ao cidadão uma perspectiva de segurança que o fará apostar nessas propostas e que, muito provavelmente, resultarão em soluções de governo que não serão aquelas que verdadeiramente trarão a solução de vida a quantos as apoiaram.

Contudo, esta é a realidade que ciclicamente a humanidade vai consumindo, de sair de sistemas extremamente controlados com a ambição de viver em liberdade e tolerância, mas que as lideranças que se desenvolvem a partir daí, para assegurar a sua continuidade, substituem por permissividade e libertinagem, destruindo valores de segurança essenciais à sobrevivência humana, e acabando por criar caminho para que uma nova forma de autoridade se afirme e retome o poder.

É muito curioso que nunca consigamos compreender uma das frases que mais vezes costumamos dizer e que afirma ser no centro que está a virtude.

É que nós nunca conseguimos viver ao centro.

Somos sempre tentados a chegar um pouco mais a um dos lados e, assim, desequilibramos a virtude que deveria estar centrada.

Será que não seria possível compreender que a contenção nos permitia sempre conseguir uma vida muito mais agradável e tranquila do que as ambições de conseguir sempre chegar mais à brasa à nossa sardinha?

Eu acredito que sim, mas isso implicaria conseguir colocar o outro primeiro.

Deixar ao próximo o lugar da frente e compreender que quando aqueles que me rodeiam são felizes, também eu poderei viver melhor.