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(A) :: Não é só Eto'o. Em tempos de instabilidade, Infantino tem uma "contra-força" a seu favor (onde se inclui Pepe)

Não é só Eto'o. Em tempos de instabilidade, Infantino tem uma "contra-força" a seu favor (onde se inclui Pepe)

Além de Eto'o, também os ex-jogadores Pepe, Esteban Cambiasso, Javier Zanetti, Pastore, Cafu e Roberto Carlos também apoiam o atual presidente da FIFA, garantindo que as suas "opiniões são ouvidas".

Manuel Conceição Carvalho
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O cerco a Gianni Infantino está a apertar cada vez mais de um lado, mas agora parece estar a alargar de outro. Nas últimas semanas, antigos presidentes da FIFA, dirigentes, presidentes de federações e jogadores – antigos e atuais – juntaram-se para manifestar, de diversas formas, a sua insatisfação para com a forma como o futebol está a ser conduzido pelo dirigente suíço, ao qual as críticas começaram logo na altura em que apoiou a localização do Mundial-2022, no Qatar. Era ainda uma dissonância controlada – que se descontrolou depois de Folarin Balogun ver uma ausência por acumulação de cartões anulada, depois de Infantino receber um telefonema de Donald Trump, presidente dos EUA, durante o Mundial-2026, com uma localização que fez réplica do que tinha acontecido quatro anos antes.

A polémica dos cartões poderá ter sido esquecida, porque os Estados Unidos acabaram por ser goleados pela Bélgica no jogo perdoado a Balogun. A entrada negada em solo norte-americano ao árbitro somali Omar Artan também. O que não foi esquecido foi, já depois do Mundial, uma proposta efémera de venda de ações do próximo Campeonato do Mundo – que caiu 72 horas depois de ser conhecida –, muito criticada por várias figuras do futebol mundial. Agora, no entanto, surge uma “contra-força” – mais do que Samuel Eto’o – que manifesta o seu apoio ao atual líder da FIFA, também ela composta por figuras do futebol mundial, incluindo uma bem conhecida em Portugal. Pepe integra um grupo de apoiantes de Infantino, composto, entre outros nomes, por Esteban Cambiasso, Javier Zanetti, Pastore, Cafu e Roberto Carlos, que partilhou um manifesto nas redes sociais que aprova a continuação de Infantino na organização que tutela o desporto-rei.

https://observador.pt/2026/06/11/os-vistos-do-irao-o-arbitro-deportado-os-caes-do-uzbequistao-e-a-greve-desconvocada-o-que-esta-a-correr-bem-e-mal-no-arranque-do-mundial/

“Nos últimos dez anos, temos acompanhado de perto o trabalho desenvolvido pela FIFA e pelo presidente Gianni Infantino no sentido de garantir uma verdadeira representação dos jogadores no mundo do futebol – algo que, no passado, não existia. Hoje, os jogadores têm voz e um lugar ativo no nosso desporto, através da participação em comités, projetos e grupos de trabalho. As nossas opiniões são ouvidas e muitas das iniciativas desenvolvidas em benefício do futebol são também construídas a partir das nossas reflexões, ideias, experiências e participação. Sabemos o poder que o futebol tem para transformar vidas, contribuir para sociedades melhores e criar mais oportunidades para pessoas em todo o mundo. E continuamos comprometidos em levar essa esperança cada vez mais longe. Estaremos sempre disponíveis para apoiar a grande evolução que o nosso desporto tem vivido ao longo da última década, contribuindo para que o futebol continue a crescer, a chegar mais longe e a beneficiar pessoas em todos os países onde é vivido e praticado”, lê-se na mensagem partilhada pelos antigos jogadores.

A manifestação surge na sequência de uma semana particularmente turbulenta para Infantino. Neste mesmo dia, a Federação Italiana de Futebol (FIGC) anunciou oficialmente a retirada do seu apoio à recandidatura do presidente da FIFA para as eleições de março de 2027. Até julho, mais de 200 federações – incluindo a italiana – tinham dado o seu apoio a Infantino. A proposta de venda de uma participação dos direitos comerciais do próximo Mundial a investidores privados mudou tudo. “Esta decisão pretende expressar a posição da FIGC de forma clara e transparente, em plena sintonia com a UEFA e o seu presidente Aleksander Çeferin, relativamente às recentes iniciativas promovidas pelo presidente da FIFA em matéria de governação e desenvolvimento das competições internacionais”, lê-se no comunicado oficial.

Giovanni Malagò, presidente da FIGC, acrescentou que o organismo continuará a trabalhar “para promover uma ideia de futebol baseada no mérito, na solidariedade, na sustentabilidade e na centralidade dos adeptos”. Itália junta-se assim a Inglaterra, Escócia, Dinamarca e Nova Zelândia, entre outras federações que já retiraram o seu apoio a Infantino – além da UEFA, da AFC e da CONCACAF, que pediram a sua demissão.

Do lado dos dirigentes, a voz mais dura foi a de Claudius Schäfer, presidente da European Leagues – uma organização que representa 53 ligas profissionais de futebol masculino e feminino na Europa. Em entrevista ao The Athletic publicada esta quarta-feira, Schäfer foi inequívoco. “Questionamos a sua aptidão para continuar como presidente. Aqui na Suíça, temos acompanhado de perto a FIFA e parece-nos que a influência do presidente tem crescido de ano para ano. Decisões importantes são tomadas sem consulta significativa aos stakeholders que serão afetados”, afirmou. Sobre o episódio do telefonema de Trump a propósito do caso Balogun, Schäfer não poupou nas palavras: “Foi um verdadeiro escândalo. Não me recordo de uma intervenção política desta natureza numa questão desportiva. Estes atos colocam em causa a integridade do jogo. É por isso que não há futuro na FIFA para Infantino. Não pode haver”. Para Schäfer, aliás, a questão não passa apenas pela substituição da pessoa. “Para nós, conseguir estas reformas é a tarefa mais importante – e elas só podem acontecer com outro presidente”, defendeu.

É neste contexto que o manifesto de Pepe, Cambiasso, Zanetti, Pastore, Cafu e Roberto Carlos adquire um significado que vai além da mensagem em si. Num momento em que o cerco a Infantino se fecha de vários lados – confederações, federações nacionais, dirigentes de ligas –, o apoio de grandes nomes do futebol mundial funciona como uma contra-narrativa que o presidente da FIFA vai certamente usar a seu favor antes das eleições de março de 2027, para as quais ainda não há opositor a Infantino à vista.