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"Felizmente, fiquei preso numa árvore": o relato de um trabalhador que sobreviveu às inundações no Nepal

Torrente arrastou Bibek Kumal, de 24 anos, para o meio da lama e dos destroços. Já no hospital, jovem conheceu uma menina de 11 anos que estava atravessar o rio quando a força da água a surpreendeu.

Margarida Vieira dos Santos
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Bibek Kumal, de 24 anos, trabalhava em Bidur, a jusante de Rasuwa, o distrito mais atingido pelas inundações desta quarta-feira, junto à fronteira entre o Nepal e o Tibete, na China. O jovem nepalês estava a cavar uma fossa sanitária, com cerca de 1,5 metros de profundidade, no exterior de uma casa quando ouviu os quatro colegas de trabalho a gritarem para que saísse dali. Pouco depois, uma parede de água, lama e pedras desabou sobre a zona, arrastando-o a ele e tudo o que se encontrava nas proximidades.

“Comecei a correr. Depois, uma parede de água desceu com estrondo, como se fosse um terramoto”, contou Kumal, já no hospital, em Katmandu, onde estava acompanhado pelo irmão, em declarações à Reuters, assumindo que acredita ter sido salvo por uma árvore. “Felizmente, fiquei preso numa mangueira”, disse. “Caso contrário, teria sido arrastado pela torrente e morrido“.

https://observador.pt/2026/08/26/pelo-menos-16-mortos-e-centenas-de-desaparecidos-em-inundacoes-no-nepal/

O sobrevivente contou ainda que, enquanto permanecia agarrado à árvore, viu a casa onde trabalhava ser arrastada pela força da água, embora a casa onde vive, situada noutra zona, não tenha sofrido danos.

Mais tarde, a polícia encontrou Bibek Kumal e conseguiu resgatá-lo. O jovem de 24 anos sofreu ferimentos na perna direita, depois de ter sido atingido primeiro pela força da água e, de seguida, por uma grande pedra.

“Quando estava a atravessar o rio, de repente, a água da cheia começou a avançar”

Na cama do hospital em frente a Bibek Kumal estava Rihana Lamichhane, uma criança de 11 anos que também sobreviveu às inundações, embora tenha sofrido ferimentos no peito e nas pernas.

“Estou feliz por estar em segurança. Não faço ideia do que aconteceu aos meus amigos“, afirmou a menor, segundo a Reuters. “Eu estava na escola. Fecharam-na por causa das cheias e disseram-nos para irmos para casa. Quando estava a atravessar o rio, de repente, a água da cheia começou a avançar”.

A mãe da criança, Rita, contou que correu à procura da filha depois de receber um telefonema de uma amiga. “Sinto-me aliviada por a ter encontrado sã e salva”, disse.

Outras vítimas das inundações, também feridas, recebiam tratamento no mesmo hospital que Kumal, enquanto continuavam a chegar mais feridos à capital, Katmandu. No exterior da unidade de saúde, juntaram-se familiares e amigos das vítimas, bem como pessoas que se deslocaram ao local para prestar apoio.

Pelo menos 157 pessoas morreram na sequência de uma avalanche de gelo e rocha que provocou, esta quarta-feira, inundações repentinas no Nepal. As autoridades afirmaram que, no total, 403 pessoas foram dadas como desaparecidas, entre as quais uma cidadã portuguesa.

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