Morreu o ator britânico Tim Curry, aos 80 anos. A notícia foi avançada por vários meios de comunicação norte-americanos, como a Variety e a CBS News, que confirmou o óbito junto do seu agente.
Não foi adiantada causa de morte, sendo que Curry vivia num estado de saúde frágil desde 2012, quando sofreu um AVC severo que o deixou dependente de uma cadeira de rodas desde então.
Nascido em Grappenhall mas a viver em Londres desde a infância, Tim Curry iniciou a sua carreira na lendária cena teatral do West End, integrando desde logo o elenco do musical Hair entre 1968 e 1969. Foi entre a capital britânica e Glasgow, na Escócia, que acumulou papéis e notoriedade até meados dos anos 70, participando em encenações de Shakespeare e Brecht.
O seu passaporte para a fama, todavia, seria carimbado em 1973, quando aceitou o papel de Dr. Frank N. Furter, um cientista extraterrestre e travesti, em The Rocky Horror Show, levado à cena no Royal Court Theatre. Sátira musical escrita por Richard O’Brien em homenagem aos filmes de terror e de ficção científica de série B e com encenação de Jim Sharman, foi um êxito imediato, em grande parte pela interpretação excêntrica e exagerada de Curry.
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O sucesso da peça repercutiu-se de tal forma que foi adaptada para filme, The Rocky Horror Picture Show, em 1975. A adaptação contou com novas estrelas em início de carreira, como Susan Sarandon, Barry Bostwick e o cantor Meat Loaf, mas também com parte do elenco original: Patricia Quinn, o próprio Richard O’Brien e Tim Curry.
Apesar de a sua bilheteira não ter a mesma repercussão que a encenação teatral, The Rocky Horror Picture Show veio a tornar-se num dos maiores filmes de culto da história do cinema, motivando sucessivas exibições ao longo das décadas, marcadas pelos rituais dos fãs, que se vestem a rigor e cantam as músicas de cor.
A sacralização deste filme estendeu-se a Curry, adorado pelo carisma, o humor, a verve e o talento que conferiu ao papel de um vilão andrógino e sexualmente libertino, outra das razões para o estatuto que a película veio a ter. “É uma oportunidade para as pessoas experimentarem alguns papéis, para verem se lhes servem, e talvez ajudá-las a descobrir a sua própria sexualidade. Recebi, sem dúvida, algumas cartas muito interessantes e comoventes de pessoas que me disseram: “Obrigado por me ajudares a descobrir quem eu era”, e isso é muito bom”, afirmou em entrevista à NPR em 2005.
O ator alavancou o balanço que esta estreia cinemática lhe deu para iniciar uma carreira em Hollywood, onde trabalhou prolificamente até 2012. Entre alguns dos seus papéis mais notáveis estão o do vigarista Rooster Harrigan no musical Annie, de 1982, o demónio Darkness no filme de fantasia Legend, de 1985, o mordomo Wadsworth na comédia de suspense Clue (adaptada do jogo de tabuleiro do mesmo nome) e o Sr. Hector, o porteiro prepotente do Plaza Hotel em Sozinho em Casa 2.
Apesar de se destacar pelos seus papéis em comédias, Tim Curry também encarnou personagens de outra natureza, como no filme de terror The Shout, de 1978, no drama The Ploughman’s Lunch, de 1983, e no thriller A Caça ao Outubro Vermelho, de 1990, onde foi o doutor Yevgeni Petrov, médico a bordo do submarino soviético que dá nome a esta obra. A sua carreira também o levou a trabalhar em televisão, destacando-se a participação na série policial Wiseguy e como Pennywise, o aterrorizante demónio assassino que assume a forma de um palhaço, na minissérie adaptada de It, romance de Stephen King.
Em 1992 estreou-se também a dar voz a personagens de filmes e séries de animação, em As Aventuras de Zak e Crysta na Floresta Tropical, Hubie, o Pinguim, Rugrats: O Filme e Barbie: O Quebra-nozes. Foi nesta vertente que conquistou um dos prémios mais significativos da sua carreira, o Emmy do Daytime na categoria Melhor Intérprete em Programas Infantis por ter emprestado a voz ao Capitão Gancho na série Peter Pan & the Pirates.
A par da vida à frente das câmaras, o ator britânico continuou a trabalhar em cima dos palcos, integrando várias produções de sucesso na Broadway e que lhe valeram três nomeações aos prémios Tony: como Mozart, na produção nova-iorquina de 1981 de Amadeus, como o ator aventureiro e alcoólico Alan Swann na versão musical My Favorite Year, de 1993, e como o Rei Artur nas produções de Nova Iorque e Londres de Monty Python’s Spamalot, adaptação ao teatro do icónico filme Monty Python e o Cálice Sagrado. Não venceu em nenhuma das ocasiões, mas em 2015 foi homenageado com o Prémio Carreira.