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(A) :: Mais 50 mil pessoas sem médico de família no último ano na região de Lisboa. Em Loures-Odivelas, o aumento foi de 26%

Mais 50 mil pessoas sem médico de família no último ano na região de Lisboa. Em Loures-Odivelas, o aumento foi de 26%

Aumento do número de utentes sem médico foi mais expressivo em zonas da região de Lisboa com grande crescimento da população imigrante. Regiões Norte e Centro compensam agravamento a sul.

Tiago Caeiro
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O número de utentes sem médico de família atribuído na região de Lisboa e Vale do Tejo aumentou em cerca de 50 mil pessoas no último ano, mostram os dados do portal da Transparência no SNS. É o aumento mais significativo de entre todas as regiões. O pior desempenho nesta região foi registado pela Unidade Local de Saúde (ULS) de Loures-Odivelas, que teve um aumento de 26% nos utentes sem médico. No total nacional, o número de utentes sem médico praticamente estagnou entre o primeiro semestre de 2025 e o primeiro semestre de 2026, com as regiões Norte e Centro a compensarem a deterioração que se verificou a sul.

No que diz respeito a Lisboa e Vale do Tejo (que concentra 70% do total de utentes sem médico no país), esta região registava, no final de junho de 2026, 1.179.164 utentes sem médico de família, um aumento em relação aos 1.130.216 que aguardavam a atribuição de um médico em junho de 2025. Ou seja, no espaço de um ano há quase mais 50 mil utentes a descoberto (mais 4% do que no primeiro semestre de 2025).

A lista de utentes a aguardar atribuição de um médico aumentou na maioria das ULS de Lisboa e Vale do Tejo, sendo que aquela que registou um maior agravamento foi a ULS de Loures-Odivelas, que abrange uma área com forte crescimento da população imigrante. Nos centros de saúde abrangidos por esta ULS, o número de utentes sem médico de família aumentou cerca de 26% no último ano, passando de 66.230 em junho de 2025 para 83.311 no mesmo mês de 2026.

Aumento do número de inscritos é impulsionado pela população imigrante

De acordo com os últimos dados disponibilizados pelo Instituto Nacional de Estatística, e citados pelo Expresso, tanto no concelho de Loures como em Odivelas, a percentagem de imigrantes em proporção da população praticamente duplicou nos últimos quatro anos, entre 2021 e 2025. Por exemplo, no final do ano passado, mais de um quarto — 27% — da população de Odivelas já era estrangeira. No conjunto dos dois concelhos, viviam, no final de 2025, mais 57 mil estrangeiros do que em 2021.

Também na ULS da Almada-Seixal o aumento de utentes sem médico foi expressivo: cerca de 13%, isto é, mais 8 mil pessoas sem médico. Nestes dois concelhos, viviam, no final de 2025, 78 mil estrangeiros, mais do dobro do que em 2021.

Há cerca de dois meses, no congresso do PSD, a ministra da Saúde tinha sugerido que a imigração e as redes de imigração ilegal seriam responsáveis pelo aumento do número de utentes sem médico de família (um problema que se tem vindo a agudizar nos últimos meses), lamentando que o esforço do Governo para aumentar o número de médicos de família “pareça não existir”.

https://observador.pt/2026/06/20/ministra-da-saude-culpa-imigracao-pelo-aumento-das-pessoas-sem-medico-de-familia-e-atira-ao-ps-que-deixou-o-sns-num-estado-lastimavel/

“As circunstâncias que vivemos, com um aumento populacional brusco — causado pelo acolhimento de imigrantes que entram no país sem regras e sem humanismo, a que acresce a existência de redes organizadas, que se aproveitam da bondade da democracia e de negócios ilegais assentes nas ineficiências de sistemas de saúde de outros países —, fazem com que o esforço e o sucesso que temos tido no aumento do número de médicos de família pareça não existir”, lamentou Ana Paula Martins.

Norte e Centro compensam agravamento nas regiões do sul

Ao mesmo tempo que aumentou o número de utentes sem médico em Lisboa e Vale do Tejo, aumentou também o número de utentes com médico. Eram em junho último mais cerca de 68 mil do que os registados em junho de 2025. A conjugação simultânea destas duas realidades explica-se com o aumento significativo do número de inscritos. Só no último ano, inscreveram-se nos Cuidados de Saúde Primários da região de Lisboa e Vale do Tejo mais cerca de 115 mil pessoas.

Quanto às restantes regiões, o Alentejo e o Algarve também tinham — à semelhança de Lisboa e Vale do Tejo — um maior número de utentes sem médico no final do primeiro semestre deste ano. No caso do Alentejo, eram mais cerca de 6 mil pessoas sem médico em relação a junho de 2025, no caso do Algarve mais cerca de 12 mil. Este agravamento nas regiões do sul (LVT, Alentejo e Algarve) foi quase completamente compensado pelo Norte e Centro, onde se registou uma melhoria neste indicador. No Norte, havia em junho menos cerca de 27 mil pessoas sem médico em relação ao mesmo mês do ano passado, e no Centro menos cerca de 37 mil. Na globalidade, não houve praticamente evolução: em junho de 2026, o SNS registava 1.672.130 utentes sem médico de família, contra 1.669.681 no mesmo mês de 2025.

As regiões Norte e Centro conseguiram ter um desempenho positivo apesar de também aqui se ter registado um aumento (ainda que bastante menos acentuado) do número de inscritos. A diminuição do número de utentes sem médico nestas regiões explica-se sobretudo pela maior capacidade que têm em atrair médicos de Medicina Geral e Familiar recém-especialistas, preenchendo quase sempre a totalidade das vagas — algo que não acontece a sul.

https://observador.pt/2026/07/18/concurso-para-medicos-de-familia-deixa-mais-de-60-das-vagas-por-preencher-mas-numero-de-colocados-aumentou/

No último concurso nacional para contratação de médicos de família, mais de 60% das vagas ficaram por ocupar, ainda que tenha havido um aumento do número de médicos contratados. Ainda assim, as diferenças regionais ficaram, mais uma vez, bem evidentes: em Lisboa, foram preenchidas apenas 113 das 446 vagas (25% do total), enquanto no Norte foram ocupadas 53 das 56 vagas.