Organizações e ativistas de direitos dos animais estão a preparar protestos e petições para pressionar o Governo francês a proibir a caça às marmotas alpinas, uma prática que consideram injustificável e que dizem resultar na morte destes animais “por diversão”.
“Quando se diz às pessoas que a caça à marmota é permitida em França, ficam chocadas. A marmota é extremamente popular e simbólica na região da Saboia, onde estamos sediados, e noutras partes dos Alpes. Basta entrar em qualquer posto de turismo para ver que é o principal logótipo ou emblema”, disse Pauline di Nicolantonio, presidente da Associação por Justiça para os Animais da Saboia (AJAS), citada pelo The Guardian.
A iniciativa surge numa altura em que crescem as preocupações com o impacto da crise climática sobre a espécie. Embora a marmota não esteja classificada como ameaçada em França, os cientistas alertam para uma diminuição da sua população. Pauline di Nicolantonio, que tem vindo a realizar protestos contra a caça de marmotas nos últimos dois anos, afirmou que se trata, por isso, de uma “questão moral”.
Christophe Bonenfant, investigador do Centro Nacional de Investigação Científica (CNRS) da Universidade de Lyon, em França, afirmou, segundo o jornal britânico, que as disputas domésticas e territoriais entre as marmotas estão a tornar-se cada vez mais violentas, à medida que a crise climática ameaça a “estabilidade social” da espécie.
Além disso, Bonenfant observou que as fêmeas estão a ter menos crias e que a combinação entre o aumento da violência e ninhadas mais pequenas está a contribuir para o declínio contínuo das populações. “O que estamos a ver é a fragmentação dos grupos sociais, que estão a durar menos tempo, e mudanças mais rápidas nos animais dominantes nesses grupos”, alertou.
“Não é uma espécie que levante questões sobre a conservação, por isso a raiz do problema é a moralidade da caça de animais, não só em França, mas em todo o lado, e porque é que as pessoas gostam de matar animais por diversão“, disse o investigador.
Por outro lado, os agricultores franceses consideram as marmotas uma praga, alegando que escavam buracos nas suas terras e podem danificar máquinas agrícolas, relatou o jornal britânico. No entanto, Christophe Bonenfant salienta que os túneis escavados por estes animais “contribuem para a aeração do solo” e que a marmota “não é classificada como espécie invasora”.
A Federação Nacional de Caçadores de França afirmou que a caça às marmotas é “rigorosamente supervisionada e regulamentada” e que a época de caça dura, no máximo, um mês. “Não há justificação para proibir a caça de marmotas: a espécie não está ameaçada, não há planos para a classificar como espécie protegida e o seu número está a aumentar”, declarou, de acordo com o The Guardian.
Já a presidente da Associação por Justiça para os Animais da Saboia, Pauline di Nicolantonio, acusa os caçadores de encomendarem frequentemente relatórios científicos para sustentar que existem muitas marmotas, justificando assim a sua caça. “Caçá-las é cruel, absurdo e impopular, mas não é proibido porque é considerado uma tradição. No passado, talvez comêssemos marmotas, mas agora disparar sobre elas é simplesmente uma atividade recreativa”.
No mundo existem 15 espécies de marmotas, caçadas tradicionalmente pela carne, gordura e pele. Atualmente, a prática mantém-se legal em alguns estados norte-americanos e canadianos, bem como em França, Suíça e Áustria, enquanto Itália e Alemanha proibiram a caça destes animais.
Em França, a época de caça começa em setembro, poucas semanas antes de as marmotas iniciarem uma hibernação que se prolonga por cinco a seis meses. Todos os anos, cerca de mil destes animais são abatidos no país.
[De regresso a Portugal, Carvalhão Gil garante que não se vendeu aos russos e que nem sequer sabia que o homem com quem foi detido trabalhava para o SVR. Para ele, era só um “parceiro de negócios”. Mas as buscas às casas do espião contam uma história diferente: a PJ encontra milhares de euros escondidos em casacos, gavetas e envelopes; dezenas de documentos secretos espalhados pelas várias divisões; e até um revólver dissimulado numa estante. Já está disponível o quinto episódio do novo Podcast Plus “A Vida Dupla do Espião Traidor”. Pode ouvir no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no YouTube.]