Não era a primeira vez que entrava ali no Seixal para treinar ou jogar, foi uma vez que dificilmente voltará a esquecer. Já com tudo acertado com o Benfica para assinar contrato, entre exames médicos e as habituais fotos da praxe com o presidente Rui Costa tendo como fundo uma enorme camisola dos encarnados e as duas réplicas das Taças dos Clubes Campeões Europeus conquistadas na década de 60, João Palhinha chegou ao centro de treinos da formação da Luz na manhã desta quarta-feira para oficializar aquilo que todos anteviam à mesma hora em que o plantel fazia o último treino antes da viagem para a Dinamarca, onde vai defrontar o Aarhus na segunda mão do playoff da Liga Europa. Agora, 15 anos depois, chegava para ficar de vez.
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Depois de ter começado a jogar no Alta de Lisboa, Palhinha passou para o Sacavenense e foi aí que se foi destacando como médio defensivo. Na altura, vigorava uma espécie de paradigma: só mesmo exceções conseguiam vingar nas principais equipas se não entrassem numa dessas academias até aos 15/16 anos. O médio queria fugir à regra, como aconteceu com outros nomes conhecidos do futebol português como Nani, e, numa temporada de 2011/12 em que se destacava não só pelo que jogava mas também pelos golos que ia marcando, teve oportunidade de ir ao Seixal fazer um treino à experiência. Até hoje, nunca teve resposta do que aconteceu nessa sessão onde o próprio reconheceu ter dado tudo o que tinha e não tinha em campo.
“Estava no Sacavenense a fazer uma época incrível. Tinha 14 golos a jogar como médio-defensivo. Certo dia contactaram o meu pai e fui fazer um treino ao Seixal, na altura com o Bruno Lage. Estava lá o Bernardo [Silva], o [Gonçalo] Guedes, na altura já eram nomes falados. Quando cheguei, aquilo tudo mexeu comigo. Dei a vida naquele treino e até achei que ia ficar. Tinha muita expectativa e isso mexeu comigo. A verdade é que nunca mais me disseram nada e a expectativa foi morrendo”, assumiu em entrevista ao Canal 11 em 2022, antes de o Sporting entrar também na jogada e resgatar o jogador já no primeiro ano de júnior ao Sacavenense com grande influência daquele que ficou conhecido como Senhor Formação, Aurélio Pereira. Agora, a realidade era diferente. Quase diametralmente oposta. E com um pormenor que era desconhecido.
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Entre todas as imagens que foram sendo preparadas para o momento do anúncio oficial da contratação estava uma do cartão de sócio do Benfica de João Palhinha. Com uma particularidade: ao contrário do que acontece com uma esmagadora maioria dos jogadores, que ficam com um número alto de seis dígitos por não terem ligação prévia aos encarnados, o médio surge com uma imagem atual com a camisola da Seleção mas o número 47.645, sendo associado desde 2005… quando tinha dez anos. Foi com essa idade que o pai do jogador o filiou pela primeira vez às águias, numa ligação que foi também recuperada agora pelo conjunto da Luz no momento da apresentação e da primeira entrevista com a camisola encarnada vestida.
“O que pesou na opção pelo Benfica? Várias coisas. Primeiro que tudo, só eu e a minha família é que temos noção daquilo de que eu tive de abdicar para estar aqui. Muito se falou, mas nunca ninguém ouviu da minha boca o que vou dizer neste momento. A verdade é que houve momentos difíceis de tomar uma decisão nesta fase, porque envolvia muita coisa, mas o lado familiar, acima de tudo, juntamente com a força da estrutura foram os principais pontos na minha tomada de decisão em voltar ao meu país. Se me pergunta se era aquilo que eu talvez pensasse há uns meses, diria que não”, começou por referir à BTV.
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“As circunstâncias, tudo aquilo à minha volta, questões familiares, nomeadamente os meus filhos, e toda a força que a estrutura fez, quer o Marco [Silva], quer o presidente, fizeram-me repensar os meus objetivos de carreira. E a verdade é que concretizo também um objetivo. E é muito bonito eu estar aqui hoje, pela história passada. Já tinha estado aqui no Seixal a treinar e voltar aqui desta forma é especial para mim e marcante, quer para mim, quer para a minha família. O fator familiar e a força da estrutura foram os mais importantes para voltar ao meu país, a casa, e nada me pode deixar mais feliz do que estar num clube que almeja grandes conquistas. São momentos mais marcantes que pretendo ter futuramente e, sem dúvida, que é um dos objetivos que quero para o futuro”, acrescentou ainda a propósito da escolha agora feita, antes de recordar também o treino que realizou no Seixal quando era ainda jogador juvenil do Sacavenense.
“Diria que valeu a pena esse treino, independentemente de as coisas não terem acontecido na altura. Fiz o meu percurso com muito orgulho por todos os clubes por onde passei, sempre com enorme respeito, e muitos deram-me muita coisa, acrescentaram muita coisa na minha vida. Sou sempre grato a todos os clubes por onde passei, ainda mais àqueles clubes de formação, porque tenho de dizer que serei sempre grato e serei sempre respeitoso em tudo aquilo que vier de mim. Isso há que ser dito, e é sinal de que as coisas funcionaram. É especial voltar passados tantos anos. Se não me engano, tinha cerca de 16 anos quando isso aconteceu, e, portanto, voltar aqui ao meu país, nesta fase da minha carreira, é especial”, frisou, antes de falar também do pai, benfiquista, que filiou o médio ao clube quando tinha apenas dez anos.
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“Está a sentir um orgulho tremendo, sem dúvida. Sei da importância que isto tem não só para mim, mas em especial para o meu pai. É muito bonito porque o meu pai também sempre foi um pilar na minha vida profissional. É mais um marco que tenho na minha carreira, não só pessoal mas também em termos familiares. Acho que isto vai marcar muito a minha família, e espero que pela positiva, porque, tal como disse, um dos meus principais objetivos é fazer história neste clube e recordar momentos, juntamente com os meus filhos, de celebração de títulos, de vitórias. É isso que eu pretendo dar à minha família e a toda a estrutura, que sempre me deu uma grande força para que eu viesse para o clube”, salientou o médio.
“O que pretendo acrescentar à equipa? Mantê-la a voar, simplesmente isso. Tem sido um começo de época bastante bom. A expectativa é muito grande ao representar o Benfica. Neste momento sou mais um a ajudar, a dar tudo pelo clube. Não tenho dúvidas de que toda a estrutura e toda a massa adepta anseia pela conquista de títulos. É manter o Benfica a voar ao longo da época, com muitos momentos que vamos passar, como em tudo na vida, difíceis, mas há que manter o barco sempre estável. Não tenho dúvidas de que toda a estrutura e todos os adeptos do Benfica querem conquistar algo bonito esta temporada”, apontou o médio.
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“O Marco [Silva] é um treinador que me conhece muito bem, sabe aquilo que posso acrescentar. Potenciou-me quando estava no Fulham. Foi um prazer gigante trabalhar com ele e voltar a trabalhar neste momento no Benfica. Sinto-me muito feliz. Acho que temos tudo para conquistar coisas bonitas. Trabalhar com um treinador que já me conhece do passado, mesmo quando estava na altura na formação e depois no Fulham, teve muito peso também na minha decisão. Toda a força que fez para que me juntasse ao clube, quer ele, quer o presidente e toda a estrutura, foi decisiva também para isto acontecer. O mínimo que posso fazer é retribuir todo o esforço que a estrutura fez. Vou dar o meu melhor e disso podem ter a certeza”, concluiu.
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