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(A) :: Enxurrada na fronteira entre Nepal e Tibete faz pelo menos 160 mortos. Há ainda centenas de desaparecidos, incluindo dois portugeses

Enxurrada na fronteira entre Nepal e Tibete faz pelo menos 160 mortos. Há ainda centenas de desaparecidos, incluindo dois portugeses

Uma avalanche de gelo e rocha provocou inundações relâmpago, matando pelo menos 160 pessoas. Há, também, centenas de desaparecidos.

Agência Lusa
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Observador
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Leonor Ferreira
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Pelo menos 160 pessoas morreram e várias centenas, incluindo dois portugueses, estão desaparecidas na sequência de uma avalanche de gelo e rocha que provocou, esta quarta-feira, uma enxurrada na zona da fronteira entre o Nepal e o Tibete. A polícia do Nepal, segundo a AP, noticiou que já recuperou os corpos de 157 mortos. Já a televisão chinesa CCTV confirmou a morte de três pessoas em Gyirong County, região do Tibete perto da fronteira. Os desaparecimentos de uma mulher e de um homem de nacionalidade portuguesa foram confirmados pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros ao Observador, garantindo o gabinete de Paulo Rangel que “acompanha a situação ao minuto”.

As autoridades do Nepal afirmaram que, no total, 403 pessoas foram dadas como desaparecidas. Já as autoridades chinesas apontam para 265 pessoas cujo paradeiro é desconhecido. Entre os desaparecidos em território nepalês estão 341 estrangeiros, incluindo turistas de países como a Índia, os Estados Unidos, o Reino Unido e a Malásia, noticiou a Associated Press (AP). De acordo com informações oficiais, 133 dos estrangeiros desaparecidos são cidadãos indianos.

Entre as pessoas dadas como desaparecidas estão também oito sul-coreanos que trabalhavam numa central hidroelétrica na região. Outros 10 cidadãos sul-coreanos ficaram isolados na sequência do desastre, informou a agência noticiosa Yonhap, citando o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Coreia do Sul. As autoridades conseguiram identificar ainda 17 malaios, 12 britânicos, quatro sul-africanos, três norte-americanos, um australiano e um neerlandês.

Os trabalhadores pertenciam às empresas Korea Energy e Doosan Energy. As autoridades nepalesas preparam o envio de uma equipa de resgate e de um helicóptero para retirar os 10 cidadãos que ficaram retidos, segundo a CNN Internacional.

O transbordamento do rio Bhotekoshi ocorreu cerca das 9h00 (4h15 em Lisboa) e destruiu várias aldeias, estradas e projetos hidroelétricos. As autoridades nepalesas alertaram para o risco de uma nova inundação, devido à persistência de um bloqueio a montante no rio Lhende Khola, segundo a Reuters. O risco de cheias estendeu-se também ao outro lado da fronteira. As autoridades indianas emitiram alertas nos estados de Bihar e Uttar Pradesh, onde vários rios que descem do Himalaia atravessam as planícies.

Equipas da polícia e das forças armadas participam nas operações de busca e salvamento. No entanto, as autoridades explicaram que os helicópteros não poderiam aterrar nas zonas afetadas enquanto o nível das águas não baixasse. As populações das zonas mais baixas começaram a ser retiradas para locais seguros, enquanto os residentes junto ao rio foram aconselhados a manter-se vigilantes e preparados para uma eventual subida das águas.

As autoridades emitiram avisos para os residentes de vários distritos nepaleses, apelando para que se mantenham afastados das margens dos rios Bhotekoshi, Trishuli e Narayani. “Pedimos apoio tanto à Índia como à China para ajudar nos trabalhos de resgate”, declarou o porta-voz do Governo nepalês, Sasmit Pokharel.

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O exército nepalês, que mobilizou meios significativos, incluindo vários helicópteros, anunciou o resgate de 21 pessoas. “As inundações são maciças e suscetíveis de ter afetado muitas zonas habitadas”, disse um porta-voz da polícia à agência de notícias France-Presse (AFP).

O distrito nepalês de Rasuwa já tinha sofrido inundações semelhantes em agosto de 2025, quando um lago glaciar no vizinho Tibete transbordou devido às elevadas temperaturas na região montanhosa e causou nove mortos.

Cientistas do Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado da Montanha (ICIMOD), de Katmandu, admitiram que o sinistro desta quarta-feira foi provavelmente provocado por uma avalanche proveniente de um glaciar. De acordo com o centro de investigação, o rio Lhende Khola, um afluente do Bhotekoshi, registou o nível máximo de inundação durante a manhã.

“O Lhende Khola foi atingido por inundações duas vezes em 14 meses, desta vez devido a uma avalanche de gelo e rocha vinda de um glaciar (…), que bloqueou o curso do rio e libertou uma vaga repentina de água”, disse Saswata Sanyal, especialista da organização. “Numa região dos Himalaias em aquecimento, o aviso prévio é a primeira linha de adaptação”, acrescentou.

A região dos Himalaias é particularmente vulnerável a chuvas intensas, inundações e deslizamentos de terra por estar a aquecer a um ritmo mais rápido do que o resto do planeta devido às alterações climáticas causadas pela ação humana.

Estudos divulgados este ano pelo grupo de investigação de Katmandu revelaram que os glaciares na região do Hindu Kush e dos Himalaias estão a derreter a um ritmo acelerado, tendo a taxa de perda de gelo duplicado desde 2000.

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