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Nova Iorque. Pequenos comerciantes contestam em tribunal projeto de Mamdani de abrir mercearias públicas

Mercearias públicas são projeto de bandeira do presidente da câmara de Nova Iorque para combater pobreza alimentar. Mas pequenos comerciantes temem concorrência desleal do estado.

João Francisco Gomes
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O plano do presidente da câmara de Nova Iorque, Zohran Mamdani, para abrir mercearias públicas na cidade está a ser contestado em tribunal por uma organização sem fins lucrativos que representa centenas de pequenos comerciantes nova-iorquinos, que temem a concorrência desleal representada por estas lojas públicas.

O advogado norte-americano Mark Jaffe, que representa a Multicultural Business Coalition, grupo que decidiu avançar para a justiça para tentar travar a medida de Mamdani, alega que o plano da autarquia ameaça os pequenos proprietários de mercearias, supermercados locais e outros comércios de uma cidade onde também não existem lojas da Walmart, a maior rede de hipermercados dos EUA, justamente por pressão dos pequenos comerciantes.

“Não se pode esperar que os proprietários de pequenos negócios, que trabalham arduamente, compitam com um supermercado que não vai pagar renda, não vai pagar a conta da eletricidade e não vai ter de comprar produtos ao preço total”, disse Jaffe à CNN.

https://observador.pt/2026/04/15/novo-mayor-de-nova-iorque-quer-lancar-rede-de-supermercados-publicos-a-primeira-loja-vai-custar-30-milhoes-e-so-devera-abrir-em-2029/

A criação de uma rede de mercearias públicas na cidade de Nova Iorque foi anunciada por Mamdani como uma forma de combater a insegurança alimentar que afeta mais de um terço da população nova-iorquina. O objetivo é que estas lojas — o plano inicial passa pela criação de cinco mercearias — vendam os bens essenciais a preços cerca de 30% abaixo dos preços de mercado e contribuam para reduzir significativamente as despesas dos nova-iorquinos.

A organização sem fins lucrativos que está a contestar a medida também acusa Mamdani de pôr em causa os direitos civis dos proprietários de pequenos negócios, muitos deles imigrantes ou membros de minorias.

Por outro lado, os pequenos comerciantes dizem que a câmara de Nova Iorque não fez uma análise prévia ao impacto que a medida teria nos negócios locais e que escolheu as localizações das mercearias públicas de forma arbitrária. “Há uma forma melhor de alimentar os nova-iorquinos em dificuldades”, considera Jaffe, lamentando que a medida de Mamdani não tenha plano de negócios sólido, mas é apenas uma “fachada” para permitir ao autarca “dizer que manteve uma promessa eleitoral”.

Mamdani, porém, rejeita estas acusações. “Estamos a falar de cinco mercearias geridas pela autarquia numa cidade com 8,5 milhões de pessoas que tem mais de mil mercearias”, disse, sublinhando que já há dois mercados na cidade a funcionar num formato semelhante. “Continuo a estar totalmente confiante tanto na legalidade como na importância da nossa iniciativa de abrir cinco mercearias públicas, uma em cada distrito.”

A abertura da primeira loja está agendada para 2027 e as cinco deverão estar em funcionamento até 2029.

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