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(A) :: Serena e Alcaraz perderam em pares nos quartos de final do US Open, mas (já) ganharam algo que não se conquista com treinos

Serena e Alcaraz perderam em pares nos quartos de final do US Open, mas (já) ganharam algo que não se conquista com treinos

Só de um lado do campo estavam dois currículos que falam por si. O peso do palmarés fez o seu trabalho em 58 minutos e o desfecho do primeiro jogo fez com que existisse um segundo, que perderam.

Manuel Conceição Carvalho
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A entrada em court foi feita com o semblante de quem carregava, em conjunto, três dezenas de Grand Slams nas mochilas. E foi igualmente em conjunto que Serena Williams e Carlos Alcaraz protagonizaram duas partidas de pares mistos no Open dos EUA, esta terça-feira. A norte-americana voltava a jogar cerca de uma semana depois de, em Cincinnati, ter perdido em dupla com a irmã Venus, frente à ucraniana Marta Kostyuk e à norte-americana Peyton Stearns. A nível individual, com exceção de junho passado – em Wimbledon –, Williams não competia desde setembro de 2022. Mas a última vez que Serena jogou pares mistos foi em 2019, ao lado de Andy Murray. Agora, cerca de sete anos depois, seria ao lado do tenista espanhol, que não entrava num court para competir havia 134 dias, quando venceu o finlandês Otto Virtanen, em Barcelona.

Antes sequer de iniciarem o primeiro de dois jogos, Alcaraz, número três do mundo, mostrava-se hesitante, como alguém que dava os primeiros passos na modalidade e não sabia bem como agir, para onde olhar e o que fazer a seguir. Ao seu lado, uma tenista que parecia nunca ter parado de jogar ao mais alto nível: aqueles dois jogos com Alcaraz ao seu lado eram só mais um dia de trabalho.

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Serena Williams estava mais habituada a competir do que Alcaraz nos tempos recentes. A isso juntava-se a impossível de ignorar larga experiência da atleta norte-americana, maior do que a do espanhol. Era neste cenário que ambos os tenistas se apresentavam antes de operar uma vitória de 2-0 (5-3 e 4-1) sobre o britânico Lloyd Glasspool e a neozelandesa Erin Routliffe. Ambos vestindo o roxo, com Alcaraz a colocar no lugar da habitual t-shirt uma camisola que fazia lembrar os equipamentos da NBA.

https://www.youtube.com/watch?v=h7VH4F5LG8o

Só de um lado do campo estavam dois currículos que falam por si. O peso do palmarés fez o seu trabalho em 58 minutos e o desfecho do primeiro jogo fez com que existisse um segundo – o dos quartos de final da categoria. Os adversários eram Belinda Bencic e Flavio Cobolli – quartos cabeças de série, que horas antes tinham eliminado Alexander Zverev e Taylor Townsend por 4-2 e 4-2. Cobolli chegou ao court com a descrição certa para o que o esperava: “a rainha do ténis e o rei do momento”. A honra, disse depois, era mútua: “Jogar contra a Serena e o Carlos no Arthur Ashe não é fácil. Eu estava cansado antes do jogo e estou cansado agora”, afirmou. Bencic foi na mesma linha: “Sentimos a aura deles. Foi uma honra”, admitiu.

A aura não foi suficiente. Alcaraz e Williams cometeram erros cedo, cedendo o controlo do primeiro set à dupla suíço-italiana. Cobolli manteve a frieza no tie-break e fechou o set com um ace. No segundo, Bencic e Cobolli foram ainda mais cirúrgicos — sem um erro não forçado a contar —, controlando o jogo do início ao fim. O resultado final de 5-4 (4) e 4-1 não deixou margem para dúvidas: a festa tinha acabado.

A derrota, porém, foi ofuscada pelo que os dois trouxeram ao Arthur Ashe Stadium ao longo do dia. No primeiro jogo, Williams mostrou alguns dos flashes que a tornaram a maior tenista de sempre: um ás a 193 km/h que arrancou um murmúrio de espanto da bancada cheia, num momento em que a norte-americana parecia simplesmente não ter saído do court desde setembro de 2022. Alcaraz, por sua vez, foi cedendo a ferrugem do início. “Toda a gente pôde ver: fiz dupla falta no primeiro ponto”, admitiu. “Estava muito, muito nervoso. Estive fora quatro meses… Quase me esqueci de como se sente“, afirmou. A lesão no pulso direito que o manteve fora desde abril, e que lhe custou o Open de França e Wimbledon, ainda era visível numa manga protetora no braço. Mas a qualidade voltou, e fechou o primeiro jogo com uma direita antes de celebrar ao lado de Williams.

O ambiente dentro do estádio foi o de uma receção a duas lendas – ainda que de gerações diferentes. O público cantava “Vamos, Carlos!” e “Vamos, Serena, vamos!”, com a norte-americana a receber uma ovação ensurdecedora na entrada em court – o regresso a casa que ela própria não antecipava. “Nunca esperava estar de volta a este court. Nunca pensei que isto aconteceria”, disse. Os dois combinaram, trocaram sorrisos e a química ficou visível – ele com 23 anos, ela com 44. 21 anos de diferença, 30 títulos de Grand Slam combinados e uma tarde que o ténis vai recordar, independentemente do resultado dos quartos de final. Perderam os quartos, mas levam para casa a certeza de que há muito ganharam o público.