A proposta do presidente da Confederação de Turismo não é nova, mas agora foi dita num evento que faz parte da rentrée do partido de Governo. Perante os alunos da Universidade de Verão do PSD, em Castelo de Vide, Francisco Calheiros apelou a que o Executivo recue e, enquanto não há Alcochete, coloque o Aeroporto do Montijo a funcionar. A solução defendida (Montijo+Alcochete) é precisamente a mesma que Pedro Nuno Santos estabeleceu no despacho que António Costa revogou em vésperas do Congresso do PSD de 2022.
Francisco Calheiros disse que ia ter algum cuidado, uma vez que estava num evento do PSD. Ainda assim, mostrou um pessimismo relativamente ao Aeroporto Luís de Camões. “Não vejo como vamos ter Alcochete nos próximos anos. Vai durar 10 anos a construir”, lamenta. A data oficial prevista para a abertura do Aeroporto Luís de Camões é, de facto, daqui a nove anos (em 2035).
O presidente da Confederação do Turismo já tinha defendido em fevereiro que ninguém levaria a mal um recuo que permitisse ter Montijo enquanto não havia Alcochete. Agora insiste para que o Governo recue. “Tínhamos, ao lado de Lisboa, o Montijo. Montijo não é um centro comercial. É um aeroporto, que já estava negociado com o concessionário. Foi uma pena deixar-se cair isto.” E atira: “Espero que um dia o bom senso prevaleça e regressemos ao Montijo.”
No final de 2025, Pedro Nuno Santos voltou a falar desta solução (mesmo que pelo meio tenha tido outra ideia para o Novo Aeroporto de Lisboa) para dizer que, se o tivessem deixado prosseguir, neste ano de 2026 já teria aberto o aeroporto do Montijo. Numa crítica a António Costa, atirou: “Em 2022 fui amplamente criticado e tive um despacho revogado. Mas se não tivesse sido revogado, já no próximo ano [2026] podíamos estar a abrir o aeroporto do Montijo (…) Ou seja, em quatro anos (a contar a partir do verão de 2022) poderíamos ter uma nova pista no Montijo e estaríamos em condições de poder aliviar o Humberto Delgado”.
Francisco Calheiros alertou ainda para a importância da Alta Velocidade que, a estar em funcionamento, permite que se prescinda de 60 voos diários, que podem depois ser ocupados por turistas de outras geografias. Está ainda expectante sobre o que se passará com a TAP.