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A visita-relâmpago do diretor da CIA a Moscovo. O que se sabe e o que falta saber

A visita do diretor da CIA a Moscovo aconteceu de surpresa, não foi confirmada oficialmente e continua envolta em secretismo. Dos aviões usados aos possíveis temas, o que se sabe e o que falta saber?

João Francisco Gomes
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O diretor da CIA, John Ratcliffe, esteve esta terça-feira em Moscovo para uma visita-relâmpago envolta em secretismo – embora não tenha, propriamente, havido grandes esforços para a esconder, como acontecera no passado. O pouco que se sabe tem sido avançado pela imprensa norte-americana e por páginas russas, mas quase nada oficialmente confirmado, a começar pelo motivo que levou Ratcliffe a Moscovo, naquela que foi a primeira visita de um diretor da CIA à capital russa desde 2021.

As primeiras indicações sobre a visita vieram dos dados publicamente disponíveis na plataforma de aviação Flightradar24, como explica o The Washington Post. Na tarde de domingo, um avião de transporte militar C-17A Globemaster III partiu da base aérea de Andrews, em Washington, com destino a Riga, capital da Letónia, onde ficou durante cerca de 24 horas. Depois, na terça-feira de manhã, o mesmo avião partiu para Moscovo, onde aterrou por volta das 9h locais.

Várias horas depois de o C-17A ter aterrado em Riga, um segundo avião dos EUA, um C-40B — avião de transporte de altas individualidades do Estado norte-americano —, aterrou em Riga. Terá sido naquele avião que Ratcliffe viajou de Washington para Riga.

Este avião, contudo, não seguiu para Moscovo, o que parece indiciar que Ratcliffe terá feito a última parte da viagem até à capital russa no avião militar. O avião militar voltou a descolar de Moscovo pelas 17h30 locais, aterrando em Riga uma hora depois.

https://observador.pt/liveblogs/refinaria-russa-em-chamas-apos-ataque-com-drones-ucranianos/

Estes indícios somaram-se aos relatos, divulgados em canais de Telegram russos, de uma caravana de carros com matrícula diplomática nas ruas de Moscovo. Simultaneamente, o portal Axios noticiou que os EUA avisaram a Ucrânia de que uma delegação de alto nível visitaria Moscovo e pediram a Kiev que suspendesse os ataques ao território russo durante a visita.

https://www.twitter.com/nexta_tv/status/2092332432611823676

A CIA, o Pentágono, a Casa Branca e a Força Aérea dos EUA não comentaram publicamente a viagem, mas os jornais norte-americanos confirmaram a informação junto de fontes com conhecimento do processo.

Já em Moscovo, a reação foi diferente. Na terça-feira, questionado sobre a aterragem de uma aeronave norte-americana em Moscovo, o porta-voz do Kremlin, Dmitrii Peskov, limitou-se a dizer que não tinha qualquer informação sobre o assunto.

Mais tarde, porém, Peskov daria mais detalhes. Questionado pelo The Washington Post sobre as razões para a visita de Ratcliffe, Peskov confirmou que a viagem serviu para “contactos entre serviços de segurança”. À agência Tass, Peskov garantiu, nesta quarta-feira, que não estava planeado qualquer encontro com Vladimir Putin, o Presidente russo.

Há, contudo, ainda mais perguntas do que respostas sobre a visita-relâmpago de Ratcliffe a Moscovo. Como explica o The New York Times, é Steve Witkoff, o enviado especial de Trump para a guerra entre a Rússia e a Ucrânia, que tem sido o principal interlocutor norte-americano do Kremlin. Contudo, Ratcliffe juntou-se à equipa negocial no ano passado. A CIA tem tido um papel importante nos contactos entre Washington e Moscovo no que respeita aos esforços para a libertação de presos norte-americanos na Rússia.

A última visita conhecida de um diretor da CIA a Moscovo aconteceu em novembro de 2021, quando William Burns esteve na capital russa justamente numa tentativa de impedir a invasão da Ucrânia.

Sobre quem integrou a comitiva de John Ratcliffe, com quem se reuniu e que temas tratou com os interlocutores russos, não há qualquer informação oficialmente confirmada.

Na imprensa internacional, especula-se acerca de vários assuntos que podem ter estado em cima da mesa, incluindo as complexas negociações em torno da escalada na guerra na Ucrânia (sobretudo na sequência dos drones encontrados na Alemanha), eventuais negociações sobre a libertação de presos norte-americanos ou a pressão económica sobre o regime iraniano, de que Moscovo é próximo.

A visita acontece numa altura em que a possibilidade de um desfecho para a guerra na Ucrânia continua a arrastar-se, com ambos os lados a fazerem poucos progressos reais no terreno apesar da escalada na violência dos ataques com mísseis e drones — e do risco crescente de a guerra se alastrar, efetivamente, para o território da NATO.

De acordo com o Wall Street Journal, uma das razões mais prováveis para a visita de Ratcliffe será o facto de os EUA terem descoberto recentemente informações que apontam no sentido de Moscovo ter planos para testar a NATO com um ataque limitado contra um país aliado nos próximos anos.

[De regresso a Portugal, Carvalhão Gil garante que não se vendeu aos russos e que nem sequer sabia que o homem com quem foi detido trabalhava para o SVR. Para ele, era só um “parceiro de negócios”. Mas as buscas às casas do espião contam uma história diferente: a PJ encontra milhares de euros escondidos em casacos, gavetas e envelopes; dezenas de documentos secretos espalhados pelas várias divisões; e até um revólver dissimulado numa estante. Já está disponível o quinto episódio do novo Podcast Plus “A Vida Dupla do Espião Traidor”. Pode ouvir no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no YouTube.]