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Carneiro acolhe think tank de esquerda, mas assinala que "não é espaço para comentar atualidade"

No novo grupo há socialistas apontados como alternativa a Carneiro e outros críticos da sua liderança. Mas está também o seu chefe de gabinete, que ajuda a afastar leituras de ameaça interna.

Rita Tavares
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José Luís Carneiro procura desarmar a leitura de que o novo think tank da esquerda possa constituir um polo crítico ou alternativo à sua liderança. Além de sublinhar a presença de dirigentes socialistas entre os subscritores do Instituto Progresso, lançado esta quarta-feira, o líder do PS espera que daí saiam “ótimos contributos”, que se diz disponível para “acolher” nas propostas socialistas, afirmou ao Observador.

O líder do PS está a preparar o lançamento do seu próprio movimento, “Contamos Todos”, que vai tratar do futuro programa eleitoral do PS e que está agendado para outubro. E é neste preciso contexto que coloca o novo laboratório de ideias como um instrumento de “propositura política” e não “um espaço para comentar a atualidade” — “Pelo que percebo, não será um espaço para comentar a atualidade mas de propositura política com pessoas independentes e de vários partidos”.

A frase acaba por enquadrar a iniciativa como complementar e não como concorrencial, quando sabe que entre os subscritores está um elemento muitas vezes apontado como possível alternativa à sua liderança, caso de Duarte Cordeiro, e outros que já o criticaram no PS.

https://observador.pt/especiais/deputado-socialista-lanca-think-tank-de-esquerda-e-garante-que-nao-e-uma-divisao-no-ps/

Numa declaração ao Observador, Carneiro diz acolher “com satisfação e expectativa” o Instituto Progresso e, sabe o Observador, até foi o líder socialista o responsável pela indicação de um nome da sua direção para integrar o think tank presidido pelo deputado socialista Miguel Costa Matos: Luís Soares, seu chefe de gabinete e membro da direção.

Soares não é, de resto, o único membro da direção do partido a subscrever o manifesto do think tank, também o nome de Filipe Santos Costa consta na lista de mais de 170 assinaturas a que o Observador teve acesso. E Carneiro acredita que os dois, como os restantes militantes do PS que integram o Instituto Progresso, “darão ótimos contributos”.

Na mesma declaração, Carneiro saúda ainda que existam “muito boas vontades que se agregam para participar na vida pública” nesta fase. “São cidadãos que procuram o melhor para o seu país”, diz, garantindo: “Estarei sempre disponível para os escutar e acolher as suas propostas.”

O think tank Instituto Progresso nasce com forte matriz socialista: vários elementos da direção e subscritores do manifesto fundador são militantes do PS, passaram por gabinetes de governos socialistas ou mantêm proximidade ao universo partidário. Ainda assim, a iniciativa pretende alargar-se a figuras “do centro até à esquerda”, sobretudo independentes, para trabalhar “estratégias e políticas progressistas”.