O tema surgiu de surpresa na Universidade de Verão do PSD após a questão de um aluno: o que pensa uma das três oradoras — todas mulheres — do novo “Movimento Mulheres Conservadoras Portugal”? A pergunta foi colocada por um aluno à eurodeputado Lídia Pereira, mas a resposta da ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes, é que saiu com estrondo: “A pergunta não era para mim, mas é surpreendente como em 2026 estamos a ter estas discussões. Eu sou feminista e, enquanto uma mulher estiver a pensar que roupa é que usa para sair de casa ou em que rua é que circula a inflação da iluminação ou a ganhar menos do que os homens no mercado de trabalho, o que continua a faltar são feministas mais ativas.”
Lídia Pereira, minutos antes, tinha sido mais contida na resposta, embora também crítica do movimento que inclui a vice-presidente do Chega, Rita Matias, e a influencer Rute Sousa. A eurodeputada disse que lhe parece “natural que existam visões distintas, diferentes e que surjam até iniciativas desta natureza.” Lídia Pereira diz que “o PSD sempre defendeu uma visão de família e de liberdade que não precisa de se definir contra o feminismo nem contra a autonomia das mulheres”.
A vice-presidente da bancada do PPE no Parlamento Europeu disse ainda que “o PSD tem também na sua história mulheres que lutaram pela igualdade e continuam a lutar pela igualdade salarial, pela conciliação da vida familiar e profissional no combate à violência doméstica. Aliás, este governo tem sido particularmente bastante enfático nestas prioridades, mas devemos fazer parte desse debate construtivamente e mostrando que não há qualquer tipo de incompatibilidade entre o conservadorismo e a liberdade.”
Lídia Pereira diz ainda que é possível “ter visões distintas sobre temas mais fraturantes, por exemplo, relativamente ao aborto” e exemplifica: “Eu posso, por princípio, não ser favorável ao aborto, mas também não questiono os direitos que estão consagrados nessa matéria em Portugal, também não há qualquer tipo de incompatibilidade.” A eurodeputada diz que não embarca “em discussões que têm por base colocar uns contra os outros” e diz que é preciso muita atenção “relativamente à essência e à natureza de determinados movimentos, à forma como eventualmente são financiados”. E adverte: “Eu posso ser mais conservadora em determinadas áreas, mas continuo a acreditar que o mais importante é garantir que as mulheres têm a capacidade de decidir aquilo que querem fazer, como é que querem votar. E isso causa-me espécie, causa-me confusão, que esteja a ser colocado em causa.” Lídia Pereira promete ainda continuar a “lutar pela igualdade entre homens e mulheres, em todos os planos da minha vida, no profissional, no político, no familiar.”
Mais de 117 mil jovens já beneficiaram de isenção de IMT
Antes da polémica das mulheres conservadoras, a ministra da Juventude aproveitou para estar perante uma plateia de jovens na Universidade de Verão do PSD para prestar contas sobre as políticas para aquela área. Margarida Balseiro Lopes, que também tutela o Desporto e a Cultura, anunciou esta terça-feira que já são 117 mil os jovens que beneficiaram da isenção de IMT e imposto de selo para compra da primeira habitação. Isto significa que, desde fevereiro, houve mais 40 mil jovens a beneficiar da medida, um aumento de 50% em seis meses. Os cheques-psicólogo e cheques-nutricionista também aumentaram de forma galopante no último mês e meio, após uma mudança de critérios de acesso.
A governante contraria ainda as críticas da esquerda que diziam que a medida era para os “jovens ricos”, já que o “valor médio das casas adquiridas ao abrigo da medida é cerca de 200 mil euros“. Balseiro Lopes destaca que alguns destes jovens “provavelmente não tinham conseguido sair de casa dos pais”.
A ministra da Juventude reconheceu que a medida dos cheques-psicólogos e cheques-nutricionista, lançada em 2024, estava aquém das expectativas. “Não estávamos a ter os resultados que achávamos que íamos ter. É preciso ter humildade para mudar”, refere. Entre as mudanças introduzidas está o alargamento a jovens dos 12 aos 35 anos e a simplificação (e até privacidade) do acesso, já que passou a ser possível “pedir o cheque por via do site Gov.pt.” Como consequência das alterações, depois de 34 mil jovens terem aderido aos cheques em ano e meio, só no espaço de um mês e meio acederam ao apoio 22 mil jovens.
A governante lembrou ainda que o Governo deixou de “discriminar os jovens em função das habilitações no IRS Jovem”, como acontecia no Executivo de António Costa. Margarida Balseiro Lopes lembrou que 962 mil já beneficiaram do IRS Jovem.