(c) 2023 am|dev

(A) :: Morreu Dolly Parton, ícone da música country. Cantora tinha 80 anos

Morreu Dolly Parton, ícone da música country. Cantora tinha 80 anos

Uma das mais celebradas cantoras dos EUA, Parton tinha admitido recentemente estar passar por problemas de saúde, mas que ainda tinha "muitas coisas por alcançar". Equipa revelou que sofria de cancro.

António Moura dos Santos
text

Morreu Dolly Parton, uma das mais celebradas cantoras da história da música country. O óbito foi confirmado pelo seu sobrinho, Bryan Seaver, num vídeo publicado na conta oficial do Instagram da cantora norte-americana.

Falando em nome da família, Seaver, que foi chefe de segurança da equipa da artista durante mais de duas décadas, revela no vídeo que a tia o incumbiu de fazer este anúncio quando morresse, o que aconteceu esta terça-feira.

Entretanto, a equipa de Parton revelou que a artista teve de ser internada durante o fim de semana e que sofria de cancro. “Depois de ter enfrentado com coragem uma breve batalha contra o cancro, Dolly deixou hoje a vida no Vanderbilt-Ingram Cancer Center, rodeada pelos seus entes queridos”, lê-se num comunicado à emissora CBS.

Afirmando estar a falar com “uma honra que se mistura com orgulho absoluto e grande tristeza”, Seaver diz no vídeo que Dolly Parton “viveu na luz e está nos braços de Jesus, onde certamente se encontrou com o Carl, os seus pais e inúmeras outras pessoas que a admiravam e ansiavam por se encontrar com ela nos céus”.

“A Dolly abriu portas não só para mim, mas para toda a sua família, permitindo-nos alcançar um potencial que nem sequer sabíamos ser possível. A Dolly também abriu portas para gerações de cantores, compositores, músicos e sonhadores de todas as origens e de todos os continentes. Graças ao seu exemplo, acreditámos que tudo é possível. Ela nunca viu uma porta que não conseguisse abrir, e as portas que abriu fizeram e mudaram a história”, declarou ainda o sobrinho da cantora.

https://www.youtube.com/watch?v=nwBNBcFAFso&list=RDnwBNBcFAFso&start_radio=1

Nascida em 1946 no seio de uma família pobre e fumerosa, Dolly Parton começou a cantar ainda em criança e estreou-se como cantautora em nome próprio em 1967, com o lançamento do seu primeiro álbum Hello, I’m Dolly. A partir daí seguir-se-ia uma carreira que se estendeu ao longo de seis décadas e que a levou ao cume da música country, sendo a artista feminina que mais discos deste género musical vendeu em toda a história, com mais de 160 milhões de cópias vendidas em todo o mundo.

Além de ser multi-instrumentista — tocando desde guitarra a piano, passando pelo saxofone e o violino —, foi pela sua voz e pela sua capacidade de composição que se notabilizou. Foi com esta combinação potente de talento vocal e inspiração que escreveu temas imortais como 9 to 5, Jolene, Just Because I’m a Woman e I Will Always Love You — canção que teve uma segunda vida quando foi interpretada por Whitney Houston em 1992.

https://www.youtube.com/watch?v=pW2TgGy5gjY&list=RDpW2TgGy5gjY&start_radio=1

Foi com estas e outras centenas de canções que Dolly Parton obteve o recorde de 25 ‘singles’ número 1 na tabela ‘country’ dos Estados Unidos, e 47 álbuns no top 10 do mesmo género musical. Também alcançou sucesso nas tabelas de música pop com 9 to 5, que alcançou o primeiro lugar nos Estados Unidos em 1980.

No seu último disco, Rockstar, datado de 2023, a artista cantou diversos temas com vários dos seus pares, entre eles a cantora Miley Cyrus, de quem era madrinha. No entanto, Parton sempre manteve esse espírito colaborativo ao longo da carreira, gravando álbuns com outros ícones como Loretta Lynn, Emmylou Harris, Linda Ronstadt e, principalmente, Porter Wagoner, o cantor que a deu a conhecer aos EUA no seu programa televisivo. De destacar também o dueto de 1983 que cantou com Kenny Rogers, Islands in the Stream, que lhe valeu o primeiro lugar no topo das paradas pela segunda vez.

A sua ligação a Miley Cyrus deu-a a conhecer a novas gerações de fãs, mas não foi apenas essa ligação que a manteve atual aos ouvidos do público. Nos últimos anos, Parton colaborou com artistas mais jovens que ela, como Beyoncé, Post Malone e Sabrina Carpenter.

https://www.youtube.com/watch?v=YiQ7qiL73aI&list=RDYiQ7qiL73aI&start_radio=1

Os problemas de saúde de Dolly Parton tornaram-se um tema de conhecimento público em setembro de 2025 após anunciar que teria de falhar uma residência de seis espetáculos prevista para dezembro desse ano no Caesars Palace, em Las Vegas, devido aos rins. Inicialmente adiados, os concertos acabaram mesmo por ser cancelados em maio de 2026 devido à necessidade continuada de tratamentos.

No entanto, a sua morte — cuja causa não foi divulgada — não deixa de ser surpreendente, dado que Parton tinha dado uma entrevista à revista People na passada sexta-feira, 21 de agosto, onde admitia padecer de problemas de saúde que se agravaram no período em que estava a cuidar do marido, Carl Dean, que morreu em março de 2025.

“Como já partilhei em mensagens de vídeo ao longo do último ano, estou a lidar com alguns problemas de saúde aos quais simplesmente não prestei atenção enquanto cuidava do Carl. Sabem, esta não é a primeira vez que tenho de lidar com algo assim. No início dos anos 80, fiquei de cama durante vários meses devido a problemas de saúde feminina e, na altura, também estava a lutar contra o meu peso, por isso não é como se nunca tivesse passado por momentos difíceis com a minha saúde”, afirmou à People.

A cantora notou também à revista que era alvo de rumores frequentes, sublinhando ainda assim que continuava a trabalhar “apesar de ainda estar a recuperar”. “Coloquei-me numa situação sem saída com os meus sonhos e ainda tenho tantas coisas que quero alcançar, por isso vou continuar a trabalhar enquanto puder para ver tudo a tornar-se realidade”, garantiu.

Entre os seus planos, revelou nessa entrevista, estavam o desenvolvimento de “avatares” da sua pessoa para dar concertos quando a sua saúde não permitisse e a abertura de um museu.

Além da música, Dolly Parton enveredou também por uma carreira cinematográfica, iniciada em 1980 com o filme do mesmo nome de um dos seus maiores êxitos, 9 to 5, ao lado de Lily Tomlin e Jane Fonda. Como recorda a People, Parton, Tomlin e Fonda tornaram-se amigas para toda a vida, sendo que a cantora fez uma participação especial na série Grace and Frankie, protagonizada pelas outras duas atrizes.

Entre outros papéis de destaque constam também a comédia musical The Best Little Whorehouse in Texas, de 1982, que lhe valeu a primeira e única nomeação a um Globo de Ouro — por Melhor Atriz em Comédia/Musical —, e a comédia dramática Flores de Aço, de 1987.

Ao longo da sua carreira, Parton ganhou um Emmy, 11 prémios Grammy, 10 prémios da Country Music Association, sete prémios da Academy of Country Music, três American Music Awards e recebeu duas nomeações para os Óscares, bem como um Óscar honorário. Foi uma das únicas sete artistas femininas a ganhar o prémio de Artista do Ano da Country Music Association.

Parton destacou-se ainda pelo seu trabalho humanitário, especialmente pelo seu programa de literacia “Imagination Library”, através do qual doou mais de 150 milhões de livros a crianças.

[De regresso a Portugal, Carvalhão Gil garante que não se vendeu aos russos e que nem sequer sabia que o homem com quem foi detido trabalhava para o SVR. Para ele, era só um “parceiro de negócios”. Mas as buscas às casas do espião contam uma história diferente: a PJ encontra milhares de euros escondidos em casacos, gavetas e envelopes; dezenas de documentos secretos espalhados pelas várias divisões; e até um revólver dissimulado numa estante. Já está disponível o quinto episódio do novo Podcast Plus “A Vida Dupla do Espião Traidor”. Pode ouvir no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no YouTube.]