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Câmara de Cascais garante que Atlântida Cine "continuará a ser um cinema", mas admite que modelo de funcionamento ainda não está fechado

Depois de uma carta aberta alertar para o risco de o histórico cinema de Carcavelos perder a sua vocação, a autarquia garante que o espaço continuará a exibir filmes. Escritura ainda não foi assinada.

Joana Moreira
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O presidente da Câmara Municipal de Cascais, Nuno Piteira Lopes, veio esta terça-feira esclarecer que o Atlântida Cine, em Carcavelos, vai continuar a ser uma sala de cinema. Esta manhã, o Observador noticiou que a autarquia recebeu uma carta aberta a apelar a que o espaço se mantivesse um cinema e não se transformasse num auditório multiusos com uma programação de filmes esporádica, algo que, segundo os signatários, estaria a ser equacionado pelo município, que vai comprar o imóvel.

A autarquia liderada pela coligação Viva Cascais (formada pelo PSD e pelo CDS-PP) vem agora garantir que “quanto ao futuro do Atlântida Cine”, o espaço “continuará a ser um cinema”. “O modelo concreto de funcionamento e programação ainda não está fechado”, pode ler-se numa nota do gabinete de imprensa enviada a este jornal, que adianta que “a Câmara Municipal já recebeu várias propostas, ideias e manifestações de interesse de agentes ligados à cultura e ao cinema, que serão avaliadas quando estiverem reunidas as condições para uma decisão”. “É precisamente nesta fase que serão ponderadas as melhores soluções para que o espaço tenha uma programação de qualidade, diferenciadora e capaz de reforçar significativamente a oferta cinematográfica e cultural de Cascais”, continua o texto.

“Quanto à afirmação de que os subscritores da carta aberta procuraram estabelecer contacto com os serviços da Câmara e que “nunca lhes foi dada a possibilidade de realizar uma reunião”, os serviços municipais da Cultura não têm registo de um pedido de reunião por parte dos subscritores da carta. Não podemos, no entanto, excluir que possa ter existido algum contacto através de outra estrutura ou canal do Município que não tenha chegado aos serviços competentes”, justificam-se. “O que podemos afirmar é que a Câmara tem recebido quem a procura, tem ouvido propostas e continuará disponível para ouvir todos aqueles que tenham contributos concretos para o futuro do Atlântida”, acrescentam.

Entre os signatários da carta estão a Comunidade de Fãs do Atlântida Cine, um grupo informal criado após o encerramento do cinema, e a empresa Cinetoscópio, que tem na direcção Stefano Savio (Risi Film), Luís Apolinário (Gambito), e Luís Urbano (O Som e a Fúria), e que explora a programação do Cinema Fernando Lopes, em Lisboa. Na carta aberta enviada ao executivo municipal esta terça-feira, é referido que esta empresa procurou “estabelecer contacto com os serviços da Câmara Municipal para avaliar possíveis formas de colaboração”, mas que “nunca” lhes foi dada a possibilidade de realizar uma reunião.

Compra do espaço foi aprovada em reunião de câmara, mas falta a escritura

De acordo com o esclarecimento do município, a aquisição do Atlântida Cine foi aprovada na reunião de câmara de dia 16 de junho de 2026, por unanimidade, mas a escritura ainda não foi realizada e, por isso, a propriedade do imóvel permanece, neste momento, na esfera da família proprietária.

“A razão, alheia ao município, prende-se com a necessidade de serem entregues documentos relativos a um dos herdeiros, que se encontra na Austrália. Trata-se de uma questão necessária para concluir o processo de formalização da aquisição e não de uma decisão do Município de adiar ou impedir a concretização da escritura”, adiantam.

O Atlântida Cine, o último cinema de bairro da linha de Cascais, foi fundado em 1982 por Fausto Semedo e durante mais de 40 anos operou na cave do Centro Comercial de Carcavelos, junto à estação de comboios. Encerrou em maio de 2024 e, em dezembro desse ano, foi colocado à venda. Em janeiro, a Câmara Municipal de Cascais chegou a acordo com os proprietários para comprar o cinema de bairro em Carcavelos e respetivo recheio, incluindo mobiliário e equipamento de projeção, pelo valor de 600 mil euros.